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Mês: maio 2017 Page 1 of 2

Prefeito Naldo discorre sobre primeiros cinco meses de governo

 

Ao completar cinco meses de administração, o prefeito de Santo Augusto, Dr. Naldo Wiegert, na culminância dos festejos comemorativos dos 58 anos de emancipação político administrativo do município, falou ao jornal O Celeiro fazendo sucinto relato sobre as ações desenvolvidas até o momento, assim como as metas a serem seguidas no futuro próximo, no âmbito da administração pública municipal.

Inicialmente, o prefeito ressalta que os primeiros cinco meses de governo foram de tomada de conhecimento da situação, com muitas questões para serem estudadas, mas que algumas já foram definidas. A seguir, ponto a ponto, vejamos o que disse Naldo Wiegert:  

 

Reestruturação administrativa

Cumprindo meta estabelecida no Plano de Governo, o prefeito Naldo disse que já foi concluído e “colocado em prática” uma nova estrutura administrativa nos termos planejados, objetivando dar agilidade ao governo. Foi reduzido o número de secretarias, de doze, ficaram oito. O número de cargos em comissão (CC) também foi reduzido, dos quarenta e poucos ficaram 37, cujas reduções automaticamente refletem na diminuição de gastos. Mas, o fundamental na reestruturação, foi a definição das atribuições de cada servidor, de modo a evitar o “retrabalho”, ou seja, duas ou mais pessoas faziam a mesma coisa, resultando em desperdício de tempo e desorganização do trabalho e, por consequência, dificultando o controle. Agora, com a reformulação, está definido quem cuida do quê, quem cuida do planejamento, da gestão, da operacionalidade, enfim…

Também enxugamos um pouco, não muito, porque já não era uma máquina muito complexa. Procuramos concentrar as atribuições, de forma que cada um faça a sua parte e tudo ande com maior agilidade e com harmonia, sentencia.

Agora, com a estrutura montada, eu acho que daqui pra frente nós vamos ter realmente mais agilidade nas nossas ações. Num primeiro momento, foram muitas, na verdade, as frentes que atacamos. Mas, vamos começar pelas questões que eram a maior angústia da população.

 

Saúde

No setor da SAÚDE, nós conseguimos colocar equipes completas em todas as Unidades Básicas. Hoje, temos seis UBSs, seis equipes na verdade, de estratégia de saúde da família, que corresponde a 100% de cobertura da população. Em cada uma delas tem médico, tem equipe completa e isso está fazendo com que a população não precise mais se deslocar tanto. Temos um posto de saúde em cada local, isso já é uma conquista da administração anterior, de que fizemos parte e buscamos esses recursos para a construção dessas Unidades Básicas de Saúde, e agora, complementamos as equipes. No próximo dia 30, estaremos inaugurando as últimas duas unidades. Aliás, já foram inauguradas na verdade, nós estaremos entregando para a população, porque, até então, não tínhamos os equipamentos completos. Então, tendo essas equipes completas, estamos descentralizando a questão dos exames de laboratório, por exemplo. Não há mais necessidade de o cidadão que vai ser atendido em uma determinada unidade de saúde, em qualquer bairro que ele esteja, de ele ter de vir pedir autorização para o exame na unidade central. Os medicamentos, inclusive os controlados, também estão sendo entregues junto às unidades básicas. Então, nesse setor, procuramos organizar a administração da Secretaria Municipal da Saúde, de forma a atender o cidadão com mais eficiência, com mais presteza e no mais próximo da sua casa, e dando o melhor possível, dentro das nossas condições, para que ele tenha condições de manter a sua saúde. Porque a nossa ênfase é evitar que o cidadão fique doente. Por isso que nós temos a Secretaria da Saúde e não da doença. E, em ele ficando doente, aí, nós temos o hospital, que também estamos para inaugurar em setembro, para dar atendimento aos casos de doença que acontecerem. A equipe está bem montada. Agora já está funcionando bem, porque todo mundo já se conhece, todo mundo tem as suas atribuições. E esse período de governo de cinco meses é suficiente para que a coisa comece realmente a andar de forma ágil e harmônica.

 

Obras

A Secretaria de OBRAS era outro problema sério que nós tínhamos. Na Secretaria de Obras existia muita queixa da população sobre a forma como as coisas eram conduzidas. Colocamos lá um secretário que usa sua autoridade, muito organizado, com uma equipe de pessoas que também estão comprometidas com a administração municipal, e estamos dando ênfase, na verdade, a duas coisas: na cidade, estamos tentando resolver o problema dos buracos. Fizemos primeiro, um tapa buracos que não funcionou muito bem, porque choveu logo em cima e soltou aquele asfalto, que imaginávamos que iria durar um pouco mais, inclusive, compramos asfalto a quente e não deu certo. Mas, agora, estamos iniciando com uma cobertura, o que eles chamam de capa selante. Estamos colocando uma camada a mais de asfalto para cobrir aquelas rachaduras e evitar que se formem novos buracos. Então que estamos resolvendo essa questão.

Temos problemas ainda na questão da coleta de entulhos, mas encaminhamos algumas soluções e é provável que partamos para a terceirização desse serviço.

A coleta do lixo continua do mesmo jeito, continua sendo tratado lá em Giruá, mas estamos encaminhando todo o licenciamento ambiental para reabrirmos a nossa unidade de tratamento do lixo, a chamada UTAR. É o que está nos nossos planos e queremos ver se resolvemos isso no primeiro ano de governo. Esta questão está sendo levada adiante.

Na questão das estradas do interior, é lógico que temos o problema das chuvas, que estragam muito as estradas. E essas estradas estragam sempre nos mesmos lugares, porque são feitas sempre do mesmo jeito. Por consequência, se não mudarmos a forma de fazer, elas vão continuar estragando naquele mesmo lugar. Por isso, estamos assinando uma parceria, chamada de Termo de Cooperação Técnica, com o DAER. O DAER vai usar a nossa usina de asfalto, que temos aí subutilizada até então, para fazer alguns serviços de reparo nas estradas que são de responsabilidade do DAER, como essa para Chiapetta e para Ijuí, que, enquanto não fizerem a recuperação completa, tem que fazer tapa buracos. Nós entramos com a usina e o DAER com a questão do material. Vamos ter algum retorno em material para utilizarmos nas nossas ruas. Mas, o que tem de mais importante nesse termo de cooperação é a cooperação técnica, ou seja, nós vamos ter os engenheiros do DAER nos ajudando a resolver o problema das estradas do interior, nos orientando como deve ser feito nesses pontos críticos onde sempre estragam. Num primeiro momento, e já estamos começando, nas estradas principais, vamos fazer com dez metros de largura, com sarjeteamento adequado e com uma pavimentação com cascalho, que já é uma tecnologia que nos foi transmitida pelo pessoal do DAER, a chamada pavimentação progressiva. São camadas de cascalho sobrepostas e roladas cada uma das camadas, para que fique uma base mais compactada. Com isso, pretendemos, até o fim do nosso mandato, termos todas as nossas estradas recuperadas e construídas de tal forma que precisem apenas de manutenção em vez de uma reconstrução. Nessa área das pavimentações, estamos encaminhando um financiamento através do BADESUL, na ordem de R$ 1.500.000,00, que já foi aprovado pela Câmara de Vereadores. Os projetos estão sendo encaminhados e esse dinheiro vai ser utilizado com a finalidade de comprar alguns equipamentos, principalmente um britador, para podermos fazer de forma correta a pavimentação progressiva. Vamos usar também para pavimentar as ruas, porque tem muitas ruas na cidade que precisam de calçamento, e nós vamos utilizar cerca de R$ 800.000,00 para atender reivindicações antigas de ruas que precisam de pavimentação. Acho que vamos ter de optar, por uma questão de valores, de preço, por pedra irregular. Na verdade, gostaríamos muito de fazer asfalto, mas o custo fica em torno de três ou quatro vezes mais, e como esse dinheiro é curto, temos de procurar fazer da forma mais barata para que mais pessoas sejam atendidas.

 

Decreto de emergência

Uma questão que também pode nos ajudar bastante é o decreto de emergência por nós encaminhado e que, felizmente, foi aprovado junto à Defesa Civil nacional. Esse decreto de emergência vai nos permitir elaborar projetos e solicitar recursos sem ser por emendas parlamentares para dar conta de recuperação de bueiros, pontes e outras coisas assim. O único município do Estado do Rio Grande do Sul que apresentou e foi aprovado. Então, com relação aos prejuízos causados com a última chuvarada, o único município do Estado que obteve esse reconhecimento da emergência foi Santo Augusto. Por quê? Porque encaminhamos o projeto de forma adequada e demonstramos que realmente nossas estradas foram muito prejudicadas por essa questão.

 

Moradia

Assumimos a Prefeitura com três projetos de moradia popular, todos eles com problemas. O grande problema de quase todos eles, é a mudança do proprietário, ou seja, de forma indevida, os beneficiados/inscritos venderam essas casas para outras pessoas. O governo do Estado, que foi o que patrocinou um dos programas, veio fazer a vistoria, bateu na porta, perguntou o nome do proprietário e o proprietário era outro. Isso aconteceu nos três núcleos. Tivemos, então, que justificar e inscrever os novos nomes. Então, ficamos todo esse tempo com um grupo de pessoas vinculadas à Secretaria da Administração envolvido com essa papelada, indo a Porto Alegre, leva papel, traz papel. É um processo que exige muita cautela, porque, se não está lá a prestação de contas certinha, o município vai para o CADIN, que é o cadastro de inadimplência.

Em outro desses programas de habitação popular, eram quarenta casas que estavam paradas, com financiamento de uma empresa mineira chamada Economiza, que começou e não tinha terminado. Então, desde janeiro, nós estamos trabalhando com isso e, agora, na semana passada, juntamos os beneficiários todos, a empresa, a Cooperativa Economiza, que é a financiadora, juntamos o construtor, e acertamos uma forma de terminar, então, nos próximos cinco meses deve ser resolvida essa questão que vinha se arrastando por cinco anos.

 

Quadro efetivo de servidores

Com relação ao efetivo, nós vamos ter de realizar contratações para resolver problemas basicamente na saúde, porque a Controladoria-Geral da União (CGU), que veio fazer uma verificação na área da saúde, apontou que tínhamos deficiência de pessoas nas equipes de PSF. Então, deslocamos algumas para suprir essa deficiência e, agora, estamos fazendo um cálculo de impacto financeiro, de impacto orçamentário, para ver se contratamos o restante. Estão faltando alguns agentes comunitários de saúde e um ou dois profissionais das áreas de técnico de enfermagem e de auxiliar de saúde bucal.

No quadro geral, temos um problema: a folha de pagamento está batendo no teto e estamos pagando pouco. Por quê? Porque as exigências dos vários programas do governo Federal principalmente, mas também que do Estadual nos impõe de certa forma, a uma burocracia muito grande na prestação de contas e acabamos tendo que inchar o quadro. Estamos com mais de quinhentos servidores e isso é um quadro muito pesado numa máquina para atender uma cidade de quinze mil habitantes. Lamentavelmente, é assim, o programa tal tem que ter um gestor, tem que ter não sei o que, tem várias exigências e, por isso, tivemos que contratar alguns servidores. E isso não nos deixa pagar melhor.

 

Remunerar melhor

Pretendemos fazer um estudo para ver se conseguimos remunerar melhor, principalmente um grupo de servidores, em torno de uns cem servidores, aproximadamente, que estão realmente bem abaixo daquilo que a gente gostaria de pagar. São os que estão ganhando menos e nós vamos tentar fazer um acerto para poderem ganhar um pouquinho mais. E, no mais, nós estamos mantendo as reposições de acordo com a inflação, até porque não temos teto. Esperamos aumentar a nossa arrecadação, por isso, nossa ênfase no investimento, no produtivo.

 

Desenvolvimento econômico

Hoje, não temos mais Secretaria da Agricultura, nem da Indústria e Comércio, nem do Turismo. Temos a Secretaria do Desenvolvimento Econômico. Já fizemos um seminário, e dia 26 (hoje) vai estar aí o Francisco Turra para a segunda parte do seminário e estamos buscando parceria com a EMATER num trabalho coordenado pelo vice-prefeito Marcelo que vem fazendo isso muito bem. Estamos procurando investir na melhoria da produção agrícola e incentivando os nossos empresários a investirem e ampliarem os seus negócios. Temos algumas metas bem encaminhadas para ampliação de empresas locais e até de criação de algumas empresas menores, de pessoas que já nos procuraram.

Para facilitar a vida de quem vai montar empresa, nós entramos na rede SIMPLES, que é uma forma de ajudarmos o empresário para que ele não precise ir para tudo que é lado atrás de licença ambiental, licença sanitária, e tantos outros. Vai ter um escritório dentro da prefeitura, que vai assessorar ele nisso, para facilitar a instalação dessa empresa. É dessa forma que estamos tentando aumentar a nossa arrecadação, porque o bolo está pequeno e mais da metade do bolo vai para manter a máquina pública, sobrando pouca coisa para investir.

 

Troca de secretários

É. Tivemos sim, troca de secretários. Mas ninguém foi demitido, ninguém foi exonerado. Ocorre que alguns secretários pediram para sair porque achavam que não estavam bem, por questões pessoais. A secretária (assessora jurídica), por exemplo, saiu porque seu marido exerce atividades profissionais em Minas Gerais, para onde, por óbvio, ela preferiu também ir, sendo essa a razão de sua saída. E quando a pessoa solicita por questões pessoais, não há como negar. Só nos resta agradecer pelo tempo de trabalho dedicado e competente dos secretários que saíram, diz.

 

Ouvidoria

Já está criada e brevemente estará à disposição da comunidade, a “Ouvidoria Municipal”, que deverá funcionar junto à assessoria de imprensa. A ouvidoria é uma ferramenta de gestão democrática, cuja finalidade é proporcionar o diálogo entre a população e o Poder Executivo Municipal, sendo um importante mecanismo de escuta do cidadão, pois recebe sugestões, solicitações, denúncias e reclamações da população visando à melhoria no serviço público. Criamos a ouvidoria com o objetivo de, a partir da manifestação do cidadão, melhorar a qualidade do atendimento de todos os setores da Prefeitura, de forma que a população possa se sentir satisfeita com os serviços oferecidos e ter suas necessidades atendidas, justifica o prefeito.

Quanto ao funcionamento, a ouvidoria recebe, analisa e encaminha todas as manifestações da população aos setores competentes, recomendando possíveis medidas para a solução ou prevenção das mesmas. Em seguida, a ouvidoria comunica o parecer ao “manifestante”. O prefeito não informou como poderão ser feitas as manifestações, se via e-mail, telefone, pessoalmente, ou qual a forma.


Aniversário do município

Ao referir sobre o momento festivo, do aniversário do município que transcorrerá no próximo dia 30, o prefeito Naldo Wiegert sintetizou assim: “São 58 anos de história, de autonomia político administrativo, onde muitos administradores passaram, e cada um fez sua parte, e nós estamos aqui agora tentando continuar com o crescimento do município, proporcionando melhor qualidade de vida para toda a população”. É o momento de parabenizarmos a todos os santoaugustenses, indistintamente, pela passagem de mais um aniversário.

 

 

 

 

 

 

Reflexões sobre um Brasil à deriva

 

O Brasil não pode parar?

Dizer, nesse momento histórico e decisivo para o futuro do país, que “o Brasil não pode parar” é de uma irresponsabilidade inominável. Porque o país está no atraso que está por conta da corrupção generalizada que hoje reza provada. A intenção disfarçada na frase é a de que seus propagadores buscam manter vivos os seus próprios interesses, impedindo a mudança necessária. Ou desviar o foco para não serem cassados e presos.

O Brasil não parou. Estacionou para fazer desembarcar os falsos homens e mulheres que usam a política para roubar dinheiro e sonhos. Interrupção momentânea para que o país tome fôlego e execute a faxina moral e ética que está impedindo que o país se desenvolva e que os brasileiros possam ser felizes.

De que normalidade estão falando?

Sabe o que mais chateia nesse papo de preocupação com a queda das ações; com a inviabilidade econômica das grandes empresas investigadas pela Lava Jato; com a necessidade de dar mais celeridade às reformas trabalhista e previdenciária; com a tentativa de desmoralizar o trabalho saneador do Ministério Público e da polícia federal; com a suspeição forçada sobre os integrantes do STF; com essa tentativa de tentar justificar o injustificável? Que pouco, quase nada, se ouve falar das crianças e jovens que serão os principais prejudicados com essa roubalheira toda.

O que é o mercado financeiro perto da vida de uma criança desassistida em suas necessidades básicas? Ou de um idoso que morre esperando atendimento médico? Para que servem especulações cambiais, acionárias, imobiliárias e outras tantas, diante de uma multidão de brasileiros com fome, desabrigada, desempregada e com baixa escolaridade?

O mundo está caindo sobre a hipocrisia de nossos governantes e de nossos representantes legislativos e eles ainda tem coragem de defender a necessidade do retorno a antiga “normalidade”. Às favas para a normalidade. Nada do que estamos tendo o desprazer de ver e ouvir é normal. Então não nos peçam para fingir que nada disso é grave. É gravíssimo. E exige uma postura nada convencional da Nação.

Os apolíticos e suas irresponsabilidades.

Incrível que em meio ao turbilhão político pelo qual passa o país ainda tenha quem se diga arredio à política e aos políticos. E o mais curioso é observar que uma das características mais marcantes dos apolíticos é justamente a crítica generalizada. “Político é tudo ladrão”. “Política só serve para ferrar o povo”. São algumas expressões utilizadas pelos desinteressados.  Como se tal procedimento não tivesse consequência alguma. Tem, e muita.

Se o alienado politicamente fosse mais interessado com o que acontece a sua volta teria observado que sua vida é movida pela política. Desde o seu nascimento até a sua morte. No caso específico do desvio de dinheiro público, por exemplo, se todo cidadão se interessasse pelos atos praticados pelos governantes e detentores de mandato eletivo, certamente não seria tratado por eles como um tolo. Um mero pagador de imposto. Financiador de propina, para usar um termo em evidência.

Quando alguém não tem interesse pela política não sabe escolher políticos. E se não sabe escolher, corre o risco de escolher mal. E se escolhe mal fica sendo responsável pela escolha equivocada. Porque política não é uma questão de gostar, é de precisar. Porque o mundo é movido pela política. Então, como dizem os jovens mais antenados, “bora, partiu discutir política”.

E o moribundo do Temer?

A situação de Michel Temer é semelhante a de quem tenta se salvar da queda em um precipício agarrando-se a um mirrado arbusto de guanxuma. No caso, o ramo da erva daninha é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a quem cabe a última palavra sobre a abertura ou não do processo de impeachment. Triste sina. Vão acabar sucumbindo abraçados pela mesma causa mortis.

Aliás, se observamos atentamente a composição do Congresso Nacional constataremos que é grande o número de zumbis contaminados pela mesma moléstia que se abateu sobre Temer e Maia. Seria uma peste endêmica?  Que 2018 trata a vacina que tanto o Brasil necessita.

Sul21

Sergio Araujo é jornalista. 

OAB protocola mais um pedido de impeachment de Temer

 

O pedido se fundamenta em dois tipos de conduta exercidas por Temer, que caracterizariam crime de responsabilidade. A primeira se refere a “proceder de modo incompatível com a dignidade e decoro do cargo”, além de “possível exercício de advocacia administrativa”.

Nesse aspecto, o documento faz referência ao encontro entre Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, controlador da JBS, e Temer, em um “protocolo não habitual”, em virtude do horário da reunião e do acesso utilizado pelo interlocutor.

“O encontro em desacordo com a formalidade legal jamais foi contestado, o que, por conseguinte, quebranta dois paradigmas de qualquer governo, quais sejam, a transparência governamental em suas relações e a confiança dos cidadãos para com a autoridade administrativa máxima do país”, relata o texto.

Além de ressaltar que o empresário já era investigado por três operações distintas da Polícia Federal, a Ordem destaca que, na conversa, verifica-se “aparente esforço” do executivo “em buscar um nome favorável aos interesses da companhia do empresário para atuar enquanto presidente do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), apontando sempre ‘a importância de ter um presidente aliado do governo’, ao que o Excelentíssimo Senhor Presidente da República Federativa do Brasil havia respondido que teria ‘uma pessoa com a qual pode ter uma conversa franca'”.

A segunda conduta descrita no pedido da OAB se refere a “ato omissivo próprio no exercício da função pública”, referência ao fato de Temer ter ouvido Joesley Batista falar a respeito de delitos e ter se omitido “de um dever de agir legalmente imposto”. Segundo a Ordem, “vale ponderar que nos crimes omissivos basta a abstenção, a desobediência ao dever de agir, sendo crimes de mera conduta, isto é, que independem do resultado (consumação ou não do fato) para que ensejem reprovação”.

Além do pedido formulado pela entidade, existem 16 solicitações pelo impedimento do presidente no Congresso Nacional. Treze foram apresentadas após a delação dos irmãos Batista.

Sul21

O nariz de Pinóquio e os narizes dos figurões da república, por Sebastião Nunes

 

Preocupadíssimo, Geppetto se postou diante do espelho mágico e indagou:

– Espelho, espelho meu, haverá nariz mais comprido que o de Pinóquio?

– Ah, ah, ah! – riu-se o espelho da ingenuidade do velho marceneiro. – Só no Brasil, meu caro, existem milhares de narizes mais compridos que o de seu filho.

– Não acredito, seu pedaço de vidro estúpido – irritou-se o velho. – E como eles conseguiram narizes tão compridos?

– Mentindo, uai! – respondeu o espelho à moda mineira. – Não foi colecionando mentiras que o nariz de Pinóquio cresceu tanto?

– Tá danado – resmungou Geppetto, e foi bater na porta do filho.

– Pinóquio, meu filho, abre essa porta. Não adianta nada esgoelar!

Dentro do quarto, porta trancada, Pinóquio se derretia em lágrimas. E não era para menos: orgulhoso de seu enorme nariz, conquistado depois de mentir durante anos e anos, não admitia houvesse no mundo mentiroso maior do que ele.

– Abre, Pinóquio – insistiu Geppetto. – Sai daí que te levo pra ver leões comendo cristãos no Coliseu!

Nada. A porta continuava fechada. Continuava a choradeira sem fim.

– Sai daí, meu filho – implorou o velho pai. – Sai que eu te levo pra ver a queda da Torre de Pisa!

Nada. Rios de lágrimas e gritos infinitos.

Foi então que Geppetto teve uma excelente ideia.

 

UMA IDEIA BRILHANTE

– Se você sair, Pinóquio – prometeu Geppetto –, te levo pra ver os narizes mais compridos do mundo!

Silêncio no quarto. Fungadelas. Mais silêncio. Finalmente ouviram-se barulho de pés se arrastando e suspiros profundos. A porta foi aberta.

Diante dela, diante do velho pai, apareceu um Pinóquio já grisalho, magro como cabo de vassoura, nem de longe lembrando o menino antigo.

– Maiores que o meu? – interessou-se Pinóquio. – Só acredito vendo.

De fato, o nariz do ex-garoto-de-pau era enorme. Suficiente para ganhar prêmio de maior nariz em qualquer país. Menos no Brasil, claro.

Mas Pinóquio não acreditava. Postou-se diante do espelho e indagou:

– Espelho, espelho meu, existe nariz mais comprido que o meu?

– Ah, ah, ah! – riu-se novamente o espelho. – Só no Brasil, meu caro, existem milhares de narizes mais compridos que o seu!

 

RUMO A BRASÍLIA

Pinóquio empalideceu. “Então era verdade”, pensou. E ele, tão orgulhoso de seu enorme nariz, de suas incontáveis mentiras. Perderia sem dúvida o lugar no Guinness book como recordista mundial. Mas só acreditaria vendo.

– Só acredito vendo – teimou Pinóquio.

Imediatamente Geppetto ligou para a Bruxa Má, administradora do castelo em que moravam todos os personagens dos contos de fada, e requisitou uma vassoura. Não uma vassoura comum, claro, mas uma vassoura mágica, que surgiu diante deles num passe de mágica, lógico.

Confortabilíssima, tinha painel aerodinâmico, rédeas manipuláveis por controle remoto e poltronas reclináveis. Mal se instalaram a vassoura partiu, na velocidade da luz.

– Brasília, garoto! – exclamou Geppetto. – Prepare-se que estamos…

 

CHEGANDO A BRASÍLIA

… chegando!

E de fato lá estavam, em plena capital federal da república, no saguão da Câmara dos Deputados, que naquele dia votaria temas decisivos para a marcha a ré. Por isso mesmo, e extraordinariamente, se reuniam ali todos os poderes votantes: presidente golpista, ministros arrivistas, deputados oportunistas, senadores farsistas e as múmias do STF, além de incontáveis aspones.

Geppetto e Pinóquio se bestificaram.

– Sim, senhor – extasiou-se o velho marceneiro. – Nunca vi tanto figurão junto!

– Nem tanto nariz comprido – emendou Pinóquio.

Precedidos por dezenas de seguranças parrudos e carrancudos, chegaram os ministros do STF, com sua pose de senadores romanos, mais parecendo urubus.

– Meu Deus – horrorizou-se Pinóquio. – O nariz deles dá o dobro do meu!

Seguiram-se os ministros do governo golpista.

– Fabuloso! – exclamou Geppetto. – O nariz deles dá o triplo do seu!

Em seguida entraram os deputados, dos quais pelo menos 400 tinham o nariz duas vezes maior que o de Pinóquio.

Então vieram os senadores, por ordem de vetustez, sendo que quanto mais velho maior o nariz, medindo cada qual entre três e cinco vezes o de Pinóquio.

Faltava alguém? Ah, sim, faltava o presidente.

E lá vinha o golpista, rodeado por dezenas de aspones e seguranças.

Fantástico!

Diante dele, transportando seu imenso nariz, cuja ponta ficava uns 10 metros na frente da cara, saracoteavam bonitas atrizes de novelas e programas de variedades.

Aplausos intermináveis.

– Ué! – estranhou um dos basbaques aglomerados diante deles. – Não vi entrar o senador Aecim das Neves!

– Não compareceu – disse um segurança bem informado. – O nariz dele, mesmo enrolado e espremido ao máximo, não coube no elevador.

Temer ataca Joesley e diz que vai pedir arquivamento de inquérito

 

O presidente Michel Temer (PMDB) atacou duramente neste sábado, em pronunciamento oficial na TV, as acusações feitas pelo empresário Joesley Batista, da JBS, desqualificou a conversa gravada pelo empresário em reunião com ele no Palácio do Jaburu, afirmou que vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do inquérito contra ele e reafirmou que vai continuar no cargo.

Em fala de pouco mais de 12 minutos, ele citou evidências de que o áudio da reunião dele com Joesley teve mais de 50 edições. “Essa gravação clandestina foi manipulada e adulterada com objetivos nitidamente subterrâneos e, incluído no inquérito sem a devida e adequada averiguação, levou muitas pessoas ao engano induzido e trouxe grave crise ao Brasil”, afirmou em pronunciamento no Palácio do Planalto.

Ele disse que, em razão das dúvidas sobre a autenticidade das gravações, ele vai entrar com um pedido no STF para arquivamento do inquérito aberto contra ele pelo ministro Edson Fachin após pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que viu evidências de três crimes por Temer: obstrução da Justiça, corrupção passiva e organização criminosa. “Por isso, no dia de hoje, estamos entrando com petição no colendo STF para suspender o inquérito proposto até que seja verificada em definitivo a autenticidade da gravação clandestina”, disse.

No pronunciamento, ele também criticou fortemente Joesley. “O autor do grampo está livre e solto passeando pelas ruas de Nova York”, disse. “Não passou nem um dia na cadeia, não foi preso, não foi julgado e não foi punido. E, pelo jeito, não será”, disse. Ele também atacou o empresário por ter comprado grande quantidade de dólares às vésperas da divulgação de sua delação. “Ele especulou contra a moeda nacional”, afirmou.

Veja

Temer sobe tom em discurso, mas deixa 4 questões sem resposta

Presidente não esclarece por que ouviu Joesley relatar ilegalidades, por que o recebeu, o que quis dizer sobre Cunha e a ligação com deputado Rodrigo Loures

O presidente Michel Temer (PMDB) subiu o tom no segundo pronunciamento que fez após a eclosão do escândalo da JBS, proferiu duras críticas ao empresário Joesley Batista – chamando o de criminoso, fanfarrão e fugitivo – e tentou desqualificar as acusações contra ele que lhe renderam um inquérito no Supremo Tribunal Federal, mas deixou ao menos quatro lacunas em sua fala de cerca de 12 minutos.
 

Na defesa que abriu o seu discurso – a de que o áudio gravado pelo empresário foi manipulado -, o presidente não fez o principal: acusou a existência de edição, mas não negou nada do que está na gravação, como ter dito “tem de manter isso aí” após o empresário relatar que estava “de bem” com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O que significa a frase exatamente? Por que Temer quer que seu antigo aliado e hoje conhecido desafeto esteja “de bem” com o dono da JBS, um dos maiores mecenas de políticos do país? Se a frase estava fora de contexto, qual é o contexto adequado, então?

Temer também não disse por que ficou ouvindo o empresário relatar que tinha subornado um procurador da República e tentado o mesmo com mais dois juízes federais sem questionar Joesley pelas práticas criminosas – pelo contrário, respondeu à revelação com um “ótimo, ótimo”. Para especialistas em direito, o presidente cometeu prevaricação ao ficar ouvindo o relato de crimes sem ter tomado qualquer providência em relação a isso.

A ofensiva para desqualificar Joesley no pronunciamento de hoje, inclusive identificando-o como um empresário que estaria tentando buscar facilidades no governo, deixa ainda mais estridente uma pergunta: por que, então, o presidente recebeu o dono da JBS em sua casa oficial, altas horas da noite, em um encontro que nem constava da sua agenda?

E a maior lacuna de todas: Temer nem cita o deputado federal Rodrigo Loures (PMDB-PR), seu ex-assessor especial na Presidência da República e indicado por ele para ser seu interlocutor junto a Joesley, segundo afirmação do empresário em sua delação premiada ao Ministério Público Federal – afirmação esta também não contestada pelo peemedebista.

Loures foi filmado recebendo uma maleta de Joesley – que, segundo o empresário, tinha R$ 500 mil, parte de propina para destravar um processo no Cade – em uma pizzaria de São Paulo cerca de um mês após a já célebre reunião no Jaburu com Temer.

Sobre o seu suposto intermediário – que teve o mandado suspenso pelo STF -, Temer não deu uma palavra nos dois pronunciamentos, nem para confirmar, nem para negar, nem para defender o que era até ontem um assessor palaciano bem próximo ao presidente.

O discurso de Temer foi mais duro, trouxe uma iniciativa concreta (tentar arquivar o inquérito contra ele), reafirmou que não irá deixar o cargo, mas foi insuficiente para afastar as nuvens que pairam sobre ele e que levaram o procurador-geral da República, Rodrigo Janot a colocá-lo sob suspeita de corrupção passiva, obstrução de Justiça e pertencimento a organização criminosa.

Veja

Irmã de Aécio, Andrea Neves é presa em Belo Horizonte

 

As suspeitas são de que Andrea teria pedido dinheiro, em nome do irmão, para o empresário Joesley Batista, antes mesmo que o próprio senador o fizesse. Nesta quarta-feira, o jornal O Globo revelou que, em acordo de delação premiada, o empresário dono da JBS gravou o tucano pedindo 2 milhões de reais sob a justificativa de custear sua defesa na Operação Lava-Jato.

Na gravação de Batista, Aécio teria sugerido que o dinheiro fosse entregue a um primo seu. De acordo com O Globo, o presidente do PSDB teria dito ao empresário que o valor custearia o trabalho do advogado Alberto Zacharias Toron. A conversa teria durado 30 minutos e foi gravada em um hotel em São Paulo.

“Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança”, teria dito Joesley ao tucano. “Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho”, teria respondido Aécio, em uma suposta referência a seu primo Frederico Pacheco de Medeiros.

Ainda segundo a publicação, o dinheiro foi entregue em quatro parcelas de 500.000 reais a Medeiros pelo diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud. Uma das entregas teria sido filmada pela Polícia Federal, ocasião em que Frederico Medeiros teria repassado o dinheiro a Mendherson Souza Lima, secretário do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).

O jornal também informa que a PGR tem indícios de que essa parte do dinheiro não foi destinada ao pagamento do advogado. A PF teria seguido Souza Lima, que fez três viagens de carro a Belo Horizonte para levar a propina. Ele teria remetido os 500.000 reais à empresa Tapera Participações Empreendimentos Imobiliários, de Gustavo Perrella, filho de Zezé Perrella.

 

URGENTE, A CASA CAIU. Aécio e Temer caem em delação da JBS

 

A gravação que faz parte do material da delação premiada de Joesley e de seu irmão, Wesley Batista, durou cerca de 30 minutos. Aécio indicou um primo dele para receber o dinheiro, e a entrega foi filmada pela Polícia Federal. A PF também rastreou o caminho do dinheiro, que depois foi depositado em uma empresa do também senador tucano Zezé Perrella.

O Presidente Michel Temer também está envolvido nas gravações. Diante de Joesley, Temer indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Posteriormente, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley. Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados.

Conforme informações de Joesley, Guido Mantega era o seu contato com o PT, e que o dinheiro da propina era distribuído para os petistas e seus aliados.

Eduardo Cunha, envolvido na compra de silêncio pelo presidente da república, recebeu R$ 5 milhões de Joesley após sua prisão, e que tinha uma dívida de R$ 20 milhões pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango.

Fonte: O Globo

Crise no Planalto, quais são os cenários possíveis caso se confirmem denúncias contra Temer

 

Segundo o jornal, os irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo JBS, investigados em desdobramentos da Operação Lava Jato, negociaram uma delação premiada e entregaram aos investigadores uma gravação em que Joesley conta a Temer que estava dando a Cunha e ao doleiro Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados.

O presidente então teria respondido: "Tem que manter isso, viu?".

De acordo com o jornal, as gravações foram produzidas com conhecimento da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República, como parte da delação.

Em nota, o Palácio do Planalto negou as acusações e defendeu "ampla e profunda" investigação de "todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados."

"O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar", diz ainda o comunicado.

Caso o teor do vídeo seja confirmado, Temer pode ser acusado de ter cometido crime de obstrução da Justiça no exercício do mandato, o que poderia comprometer sua sustentação política e a própria permanência no cargo.

Em caso de uma eventual saída, em princípio deveria ser realizada uma eleição indireta para escolha, pelo Congresso, do novo governante do país. Mas há também caminhos que poderiam levar a uma eleição direta antecipada.

Entenda abaixo cenários possíveis em caso de confirmação das denúncias:

Renúncia

Faixas contra o presidente Temer em bloco de Carnaval em Belo Horizonte; país registrou protestos isolados após divulgação de denúncias
 
Faixas contra o presidente Temer em bloco de Carnaval em Belo Horizonte; país registrou protestos isolados após divulgação de denúncias

Foto: Reprodução/Twitter / BBCBrasil.com

Caso Temer decida renunciar, a Constituição determina que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assuma a Presidência de forma interina e convoque eleição indireta a ser realizada em 30 dias.

Nesse caso, a Constituição determina que o Congresso, e não o povo, deva escolher o novo presidente, pois já transcorreu metade do mandato presidencial de quatro anos.

Mas, segundo o constitucionalista Oscar Vilhena Vieira, diretor da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, o Congresso também poderia aprovar uma proposta de emenda constitucional (PEC) para permitir a realização de eleições diretas.

Em geral, tais propostas têm tramitação lenta e são de difícil aprovação, pois exigem ampla maioria dos votos dos parlamentares (três quintos de deputados e senadores).

No entanto, havendo forte pressão popular, Vieira diz acreditar que tal mudança possa ser aprovada com velocidade.

No caso de eleição indireta, o constitucionalista lembra que não há uma regulamentação sobre como esse pleito deve ser realizado. Em sua avaliação, qualquer brasileiro com mais de 35 anos poderia se candidatar ao pleito, mesmo sem ter filiação partidária.

Segundo a Constituição, nesse pleito devem ser eleitos um novo presidente e um vice para concluir o mandato atual, ou seja, até dezembro de 2018.

Cassação de Temer pelo TSE

Herman Benjamin é o relator do processo no TSE que pede a cassação da chapa eleita em 2014
 
Herman Benjamin é o relator do processo no TSE que pede a cassação da chapa eleita em 2014

Foto: Nelson Jr. – TSE / BBCBrasil.com

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Dono da JBS gravou Temer dando aval para pagar silêncio de Cunha

 

Em negociação para fechar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, o dono da JBS Joesley Batista gravou um áudio em que o presidente Michel Temer aparece dando aval para o pagamento de uma mesada ao ex-deputado Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro, segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo na tarde desta quarta-feira.

Segundo a reportagem, Temer teria indicado na frente de Joesley o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para solucionar um assunto da J&F (holding que controla a JBS), cujo conteúdo não foi revelado. Depois, Rocha Loures teria sido filmado recebendo uma mala com 500.000 reais enviada por Joesley.

Ainda de acordo com o jornal, o empresário teria afirmado a Temer que estava pagando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada para eles ficarem calados. Os dois estão presos — Cunha pela Operação Lava Jato; e Funaro pela Operação Sépsis. Diante desta afirmação, Temer teria dito: “Tem que manter isso, viu?”.

Veja.com

As maiores causas de morte de jovens no Brasil e no mundo, segundo a OMS

 

A informação vem de um estudo global sobre óbito de adolescentes , publicado nesta terça-feira. A OMS estima que 1,2 milhão de adolescentes morrem por ano no mundo – três mil por dia.

De acordo com a entidade, as principais causas de mortes entre adolescentes brasileiros de 10 a 15 anos são, nesta ordem: violência interpessoal, acidentes de trânsito, afogamento, leucemia e infecções respiratórias.

Já jovens na faixa de 15 a 19 anos morrem em decorrência de violência interpessoal, acidentes de trânsito, suicídio, afogamento e infecções respiratórias.

A OMS repassou esse ranking estimado com exclusividade à BBC Brasil, mas não ofereceu números absolutos para ilustrar a lista, pois o estudo foi organizado por regiões.

Global Acceleration Action for the Health of Adolescents (Ação Global Acelerada para a Saúde de Adolescentes, em tradução livre) não avalia países individualmente, mas áreas econômicas do planeta. O Brasil está inserido na categoria "países de renda baixa-média das Américas".

A tendência observada dentro desse grupo também aponta a violência interpessoal como principal causa da morte, representando 43% dos óbitos.

 

"O Brasil se insere exatamente no perfil da região", disse à BBC Brasil, por email, Kate Strong, especialista da OMS para o monitoramento de crianças e jovens.

Violência interpessoal

O conceito de violência interpessoal explorado no documento é bastante amplo, pois engloba desde a preponderante agressão relacionada às gangues e ao narcotráfico até o feminicídio.

"Inclui assassinatos, agressão, brigas, bullying, violência entre parceiros sexuais e abuso emocional", descreve o documento.

Violência doméstica também tem papel preponderante entre as causas de óbitos
 
Violência doméstica também tem papel preponderante entre as causas de óbitos

Foto: iStock / BBCBrasil.com

De acordo com números da edição de 2016 do relatório, publicado pela iniciativa Mapadaviolência.org.br, a situação é preocupante. "A principal vítima da violência homicida no Brasil é a juventude", afirma o documento nacional.

Nesse levantamento, que compilou dados de 2014, foi observado que jovens de 15 a 29 anos de idade representavam aproximadamente 26% da população do país, mas a participação deles no total de homicídios por armas de fogo era desproporcionalmente superior. O peso demográfico dos jovens nos casos de mortes com armas correspondem a quase 60% dos crimes.

No resto do mundo, as cinco principais causas de morte entre jovens de ambos os sexos, de 10 e 19 anos são: acidentes de trânsito, infecções respiratórias (pneumonia), suicídio, infecções intestinais (diarreia) e afogamentos.

Mais de dois terços dessas mortes ocorrem em países em desenvolvimento, revelam os dados de 2015 da OMS.

Dividindo por sexo, a estimativa aponta que, no mundo todo, meninos de 10 a 19 anos morrem principalmente por acidentes de trânsito, violência interpessoal, afogamento, infecção do sistema respiratório e suicídio.

As meninas da mesma faixa-etária têm mortes atribuídas a infecções do sistema respiratório, suicídio, infecções intestinais, problemas relacionados à maternidade e acidentes de trânsito.

Acidentes de trânsito são a segunda maior causa da morte de jovens no Brasil
 
Acidentes de trânsito são a segunda maior causa da morte de jovens no Brasil

Foto: iStock / BBCBrasil.com

Essas tragédias poderiam ser evitadas se os países investissem mais em educação, serviços de saúde e apoio social, diz a OMS.

"O período da adolescência é um momento particularmente importante para a saúde, porque definirá hábitos que terão impacto na qualidade de vida pelas próximas décadas. É nessa época que a inatividade física, a má dieta e o comportamento sexual de risco têm início", disse a OMS.

A organização critica a falta de atenção dada a essa faixa-etária da população nas políticas públicas. "Adolescentes estiveram completamente ausentes dos planejamentos de saúde nacional por décadas", lamentou Flávia Bustreo, Diretora-Geral assistente da OMS.

Soluções

O documento aponta ainda soluções que podem ajudar a evitar essas mortes precoces. São sugestões de políticas públicas que podem ter grande impacto nas estatísticas. Um exemplo é a recomendações da implementação de leis e campanhas de conscientização pelo uso do cinto de segurança. Em 2015, acidentes de trânsito mataram 115 mil jovens de 10 a 19 anos no mundo todo.

O Brasil é citado no documento como caso bem sucedido no combate a mortes no trânsito. "Entre 1991 e 1997 o Ministério da Saúde do Brasil registrou aumento dramático na mortalidade de jovens em acidentes de trânsito", afirma o documento.

"Em resposta, legisladores introduziram um novo código de trânsito em 1998 que tornava mais severa as punições aos infratores". O novo código de trânsito teria ajudado a salvar 5 mil vidas no período entre 1998 e 2001 segundo a OMS.

Autoimolação e suicídios também preocupam autoridades
 
Autoimolação e suicídios também preocupam autoridades

Foto: iStock / BBCBrasil.com

 

Apesar de o trânsito ser um problema universal, há marcantes diferenças entre as regiões quanto às causas de óbito. Nos países de renda baixa-média da África, doenças transmissíveis como HIV-AIDS, infecções do sistema respiratório, meningite e diarréia são os principais vilões.

A anemia, doença causada pela deficiência de ferro no sangue, também é um mal muito comum, que atinge milhares de jovens no mundo todo em países pobres e ricos.

O suicídio, ou a morte acidental causada por atitudes auto-destrutivas, foi a terceira causa de mortalidade de adolescentes em 2015, totalizando 67 mil mortes. Em sua maioria, as vítimas são adolescentes mais velhos.

Em regiões com boas condições econômicas como a Europa, o suicídio também aparece entre as principais causas. Cortar a si mesmo é o tipo de auto-violência mais comum observado no continente.

A estimativa global da OMS é de que até 10% da população adolescente mundial cometa algum ato de violência contra si.

Elevação da idade mínima para consumo de álcool é uma das medidas que OMS acredita serem necessárias para reduzir a violência
 
Elevação da idade mínima para consumo de álcool é uma das medidas que OMS acredita serem necessárias para reduzir a violência

Foto: BBC / BBCBrasil.com

O documento recomenda fazer mais investimentos e dar atenção especial às pessoas nessa fase da vida, onde grandes frustrações e incertezas despontam: "jovens normalmente tomam responsabilidades de adultos como cuidar de irmãos menores, trabalhar, ter de abandonar os estudos, casar cedo, praticar sexo por dinheiro, simplesmente porque precisam dar conta das necessidades básicas de sobrevivência.

Como resultado, eles sofrem de desnutrição, acidentes, gravidez indesejada, violência sexual, doenças sexualmente transmissíveis e transtornos mentais", resume o documento.

"Melhorar a forma como o sistema de saúde atende aos adolescentes é apenas uma parte da melhora da saúde deles", diz Anthony Costello, médico da OMS.

"Uma família e uma comunidade que apoia os seus jovens são extremamente importantes", completa.

Entre as políticas básicas que os países devem tentar implementar para diminuir o risco de mortes precoces estão: programas de orientação sexual na escola, aumento da idade mínima para consumo de álcool, obrigatoriedade do uso do cinto de segurança nos automóveis e de capacetes para ciclistas e motociclistas; redução do acesso a armas de fogo, aumento da qualidade da água e melhoria da infra-estrutura sanitária.

Fonte: bbc.brasil.com

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