BlogdoAlaides.com.br

Mês: dezembro 2013 Page 1 of 3

Ano Novo

No ano passado…

Já repararam como é bom dizer "o ano passado"? É como quem já tivesse atravessado um rio, deixando tudo na outra margem…Tudo sim, tudo mesmo! Porque, embora nesse "tudo" se incluam algumas ilusões, a alma está leve, livre, numa extraodinária sensação de alívio, como só se poderiam sentir as almas desencarnadas. Mas no ano passado, como eu ia dizendo, ou mais precisamente, no último dia do ano passado deparei com um despacho da Associeted Press em que, depois de anunciado como se comemoraria nos diversos países da Europa a chegada do Ano Novo, informava-se o seguinte, que bem merece um parágrafo à parte:

"Na Itália, quando soarem os sinos à meia-noite, todo mundo atirará pelas janelas as panelas velhas e os vasos rachados".

Ótimo! O meu ímpeto, modesto mas sincero, foi atirar-me eu próprio pela janela, tendo apenas no bolso, à guisa de explicação para as autoridades, um recorte do referido despacho. Mas seria levar muito longe uma simples metáfora, aliás praticamente irrealizável, porque resido num andar térreo. E, por outro lado, metáforas a gente não faz para a Polícia, que só quer saber de coisas concretas. Metáforas são para aproveitar em versos…

Atirei-me, pois, metaforicamente, pela janela do tricentésimo-sexagésimo-quinto andar do ano passado.
Morri? Não. Ressuscitei. Que isto da passagem de um ano para outro é um corriqueiro fenômeno de morte e ressurreição – morte do ano velho e sua ressurreição como ano novo, morte da nossa vida velha para uma vida nova.

Mario Quintana
Fonte: Pensador.uol.com.br

Rascunho para 2014

ARNALDO JABOR – O Estado de S.Paulo

O ano de 2013 foi muito bom. Muito didático. Aprendemos a ver as coisas pelo lado torto. Ótimo, pois nossa verdade está no avesso. Aprendemos que corrupção no Brasil não é apenas endêmica; é eterna. Ela está encravada na alma de nossos políticos. Corrupção é vida. Foi através dela que construímos esse país, no adultério entre o público e o privado ou entre o "púbico e a privada". Daí nasceu nosso mundo: estradas rotas, a espantosa construção de Brasília, onde já gastamos trilhões de dólares com passagens aéreas para homens irem ao Planalto implantar perucas ou visitar as amantes e casas de mães joanas.

 

Aprendemos que apenas 30% da população é realmente alfabetizada. O resto é analfabeto funcional que assina o nome, mas não sabe mais nada. E isso é bom para eleições, pois um povo ignorante é ótimo para eleger canalhas.

No entanto, tudo tem um lado bom, nossa estupidez estimula uma criatividade cultural de axés e garrafinhas, aumenta a fé com milhões de novos evangélicos dando dinheiro para pregadores traficantes, estimula a boçalidade combativa, como as emocionantes batalhas entre torcidas, shows de MMA espontâneos nas arquibancadas. Estupidez é entretenimento. O País já virou novela de suspense. É uma escola. Com a prisão dos mensaleiros, enxergamos que nosso sistema penitenciário é o inferno vivo. Estupradores, chacinadores protestam contra o conforto dos petistas. Finalmente, Zé Dirceu conheceu a luta de classes e foi-nos útil: iluminou-nos sobre o sistema carcerário.

Vimos como a escrotidão e o idealismo são primos. Neste ano aprendemos, por exemplo, que não existe primavera, nem árabe nem brasileira. E isso é mais realista. Chefes de Estado preferem secretamente que o Assad ganhe a guerra contra a Al-Qaeda que já tomou conta. Menos esperança, mais sabedoria. O mundo ganhou um pessimismo iluminado. Graças ao bravo 'nerd' Snowden, que revitalizou o Putin da Rússia, o líder da moda que protege a destruição da Síria, prejudicou o Obama e abriu portas para novos ataques do terror. Ou seja, aprendemos que tudo se ramifica em contradições inesperadas, que um bem pode virar um mal e um 'hacker' babaca pode mudar o mundo.

Já sabemos que milagres acontecem, mas são logo destruídos. Milhões se ergueram em junho numa aurora política aparente, mais uma 'primavera'; no entanto, os black blocs, espécie de Al-Qaeda punk de imbecis, vieram nos lembrar da realidade: estupidez e mediocridade política são a clássica realidade brasileira. Enquanto Sarney reina, Agnello Queiroz se agarra no Lula e Jacques Wagner destrói a Bahia, já sabemos que os horrorizados cariocas, chocados com o grande "crime" do helicóptero do Cabral vão eleger a nova catástrofe: nosso Estado governado ou pelo Garotinho, Crivella ou Lindinho. Será o fim do Estado do Rio, durante a olimpíada. Vivam os cariocas, as bestas quadradas do apocalipse! Pedem para ser mortos duas vezes.

Já sabemos também que "a infraestrutura sórdida do País foi culpa dos governos anteriores". Ao menos foi o que disse a Dilma diante de FHC e do Clinton (que vexame…) depois de 11 anos do PT no poder. Só não sabemos o que o PT fez em 11 anos, mas isso é curiosidade de neoliberais canalhas, o que será corrigido com a reeleição de Dilma, quando teremos uma regulamentação bolivariana nessa mídia conservadora que teima em estragar os prazeres da mentira. Finalmente entendemos que quem fez o Plano Real não foi o FHC, como afirma a mídia de direita; foi o Lula, com preciosa ajuda de Mantega.

Já entendemos que a Dilma é brizolista. Também já sabemos que o Brasil anda na contramão dos próprios velhos países socialistas como China e Vietnã. Como escreveu Baudrillard: "O comunismo hoje desintegrado tornou-se viral, capaz de contaminar o mundo inteiro, não através da ideologia nem do seu modelo de funcionamento, mas através do seu modelo de desfuncionamento e da desestruturação brutal", vide o novo eixo do mal da A.Latina. Nós somos um bom exemplo desconstrutivo do que era o comunismo.

Já sabemos que privatização se chama hoje concessão, que lucro ainda é crime e que aos poucos os empreendedores que fizeram o País, antes do PT existir, são aceitos ainda com relutância pelos donos do poder.

Já sabemos que nosso ministro da economia é a própria Dilma, pois o Mantega só está lá porque ela manda nele. Por que não bota o Delfim, ou o Palocci que já salvou o Brasil uma vez? Ele é um dos petistas respeitáveis. O outro morreu há pouco – Marcelo Déda, raridade, inteligente, com senso de humor e do bem.

Neste ano, aprendemos: a justiça não anda sozinha. Se não fossem dois grandes homens, Ayres Brito e Joaquim Barbosa, nada teria acontecido. Aprendemos que o Mercosul tem de acabar. Aprendemos que o legislativo só funciona no tranco de ameaças do povo. Agora já perderam o medo de novo.

Já sabemos que a política tem sido um espetáculo, como um balé. No Brasil, a política já é um país dentro de outro, com leis próprias, ética própria a que assistimos, impotentes. Os fatos perderam a solidez – só temos expectativas. E tudo continuará. Saberemos no ano que vem quantos campos de futebol de floresta foram destruídos por mês nas queimadas da Amazônia, enquanto ecochatos correm nus na Europa, fazendo ridículos protestos contra o efeito estufa; saberemos quantos foram assassinados por dia, com secretários de segurança falando em "forças-tarefa" diante de presídios que nem conseguem bloquear celulares, continuaremos a ouvir vagabundos inúteis falando em "utopias", bispos dizendo bobagens sobre economia, acadêmicos decepcionados com os 'cumpanheiros' sindicalistas, enquanto a República continuará a ser tratada no passado, com as nostalgias masoquistas de tortura, ressurreição de Jango e JK, heranças malditas, ossadas do Araguaia e nenhuma reforma no Estado paralítico e patrimonialista. Não vivemos diante de "acontecimentos", mas só de "não acontecimentos".

Repito a piada: não sou pessimista; sou um otimista bem informado.

Continuaremos a não acontecer em 2014.

DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA CRESCE 37% NO GOVERNO DILMA E BATE RECORDE

O Brasil chega ao fim de 2013 colecionando indicadores preocupantes. Não bastassem o crescimento pífio e a inflação bem acima da meta estipulada pelo governo, de 4,5%, a dívida externa bruta atingiu, em novembro, o maior valor desde o início da série histórica do Banco Central, em 1971. São US$ 482 bilhões em débitos no Exterior, incluindo as faturas do governo, dos bancos, de empresas e os empréstimos Inter companhias, ou seja, aquelas transações feitas geralmente entre as filiais de multinacionais no Brasil e suas sedes fora do País. Somente na era Dilma, iniciada em janeiro de 2011, a dívida externa brasileira registrou um salto de 37%. Em valores absolutos, cresceu US$ 130,2 bilhões, complicando um quadro que era considerado confortável até então. Mesmo os saldos do setor público, que vinham chamando a atenção por apresentar quedas expressivas ao longo do ano, terminarão 2013 em alta, retornando ao patamar de cinco anos atrás, com US$ 64,6 bilhões acumulados. O recorde, por si só, já seria suficiente para acender de vez o alerta em relação à dívida do País no Exterior. Mas o cronograma do vencimento desses débitos, detalhado pela autoridade monetária, torna a situação mais delicada. Um terço do saldo total — US$ 157,2 bilhões — vencerá nos próximos dois anos, período de mudanças na política monetária do Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos, e de desconfiança acerca do próximo governo por aqui.

Fonte: VideVersus

JUSTIÇA GAÚCHA CONDENA SEIS ENVOLVIDOS PELA FRAUDE DO LEITE NO RIO GRANDE DO SUL

A Justiça de Ibirubá condenou seis envolvidos com a fraude do leite descoberta em maio deste ano pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul. Segundo a denúncia, o grupo colocava água e uréia para aumentar o volume do leite que comprava de agropecuaristas e entregava em indústrias de beneficiamento. Um dos réus foi condenado a dois anos e um mês de reclusão em regime semiaberto. Os demais terão de cumprir suas penas em regime fechado. Dois foram condenados a nove anos e sete meses, um a nove anos e três meses, um a 11 anos e sete meses e um a 18 anos e seis meses. Todos podem recorrer ao Tribunal de Justiça.

Fonte: VideVersus

Fatos em Foco 27.12.2013

Rodovia ERS-155

Já em final de governo, novembro de 2010, a então governadora Yeda Crusius autorizou a imediata reforma geral da ERS-155. Logo após assumir o governo, em fevereiro de 2011, Tarso anunciou através da Secretaria de Infraestrutura e Logística que o Estado iria honrar os compromissos de Yeda já empenhados, estando incluída a 155. Estamos entrando no último ano do governo Tarso Genro e nada da dita reforma, nem da ERS-155 e nem das demais prometidas para a região. Manifestações populares, bloqueio da estrada, reivindicações de parlamentares e de prefeitos não faltaram, e a resposta, “pasmem”, era de que o Estado tem recursos e que em breve as obras se iniciariam. Que nada, só conversa. Enquanto isso, devido ao mau estado da rodovia, os acidentes são frequentes, causando danos de toda ordem, tanto pessoal como patrimonial.

 

Caminhódromo – de novo?

É, me tornei repetitivo, faz anos que volta e meia toco no assunto. Mas, tenho absoluta certeza que o vice-prefeito Dr. Naldo Wiegert não esqueceu a problemática. Até porque quando vereador, por várias vezes ele cobrou providências do então prefeito sobre a reforma do caminhódromo, inclusive, na sessão do legislativo do dia 05.12.2011, “ao denunciar a falta de conservação e más condições do caminhódromo junto à Avenida Pedro Campos, ele enfatizou que a pista estava deteriorada, bocas de lobo trancadas, máquinas e caminhões retiravam terra à margem passando por cima do meio fio e do próprio caminhódromo em total desrespeito ao bem público”. No início deste ano, já como vice-prefeito, Dr. Naldo anunciou publicamente a solução em curto prazo. Há três ou quatro meses, ele disse ao colunista que o projeto estava pronto e os recursos garantidos. E nada! O que está faltando? Atitude? Sabe-se que as demandas são muitas e prioridades são eleitas, mas o caminhódromo também é um compromisso assumido. 

 

Seja prudente no trânsito

Nesta época, muita gente viaja para passar as festas de final de ano com familiares. Todos sabem que o trânsito é algo preocupante. Milhares de pessoas morrem todos os anos por causa da imprudência de motoristas. Como evitar? É só dirigir de acordo com as leis do trânsito. Eis algumas dicas: use o cinto de segurança, respeite a sinalização, não exceda o limite de velocidade, faça ultrapassagem somente em lugar seguro, dirija sempre defensivamente, esteja atento aos pedestres, nunca viaje sem antes fazer uma revisão em seu carro, parte mecânica, pneus, faróis e toda parte elétrica.

 

Mau exemplo

Na família, tem-se que os pais são exemplos para os filhos. Na sociedade como um todo, pela lógica, os exemplos para a população seriam as lideranças comunitárias e as autoridades em geral. Mas, já imaginou se aqui no nosso “torrão amado” fôssemos ter certas lideranças políticas como exemplos? Que tragédia! Maus exemplos não faltam. Ainda bem que nosso povo brasileiro é de boa índole, e a imensa maioria dotada de relativo discernimento. Um dos mais recentes “maus exemplos vindo do andar de cima” foi protagonizado pela própria presidente da República, Dilma Rousseff que, em Porto Alegre, na semana passada, infringiu a lei de trânsito quando, no banco traseiro do carro oficial, levou no colo o neto de três anos, ao invés de colocá-lo na cadeirinha apropriada, conforme determina a lei. Foi um péssimo exemplo, mas ela pediu desculpas do erro, dando a entender que, “se pedir desculpas está tudo bem”. Aliás, qual o político petista que respeita a lei? São chegados a avacalhar com o que é legal…

 

O falso prazer das drogas

Cresce sem parar o número de usuários de drogas em todas as cidades e rincões do Rio Grande e do Brasil. Virou epidemia. A dependência química mata física e mentalmente o indivíduo, induzido pelo falso prazer de consumir drogas. Mas o problema não é só do usuário, ele leva consigo entes queridos para a desgraça, fazendo-as vítimas de sua insanidade, e como consequência, também, o aumento do índice de criminalidade. Ao lado do viciado estão sua família e seus amigos, porém, indefesos e impotentes. A polícia, por sua vez, faz sua parte no combate ao tráfico e seus reflexos, mas enquanto houver descaso da família, da sociedade e do poder público, não há como pensar em minimizar a situação, porque o consumidor é o sustentáculo do traficante. Pense nisso!

CONGRESSO NÃO PODE ANULAR ATO DO STF, DIZ MINISTRO

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Marco Aurélio, advertiu que o Congresso não tem poder de cassar ato jurisdicional. Ele se referiu a ameaça do presidente da Câmara, deputado federal Henrique Eduardo Alves, de anular decisão do Supremo Tribunal Federal por meio de um decreto legislativo, caso os ministros confirmem a tendência de proibir doações financeiras de empresas privadas para campanhas políticas. Marco Aurélio explicou que a decisão do TSE redefinindo o número de deputados, derrubada por decreto legislativo, era um ato administrativo. O presidente do TSE não crê em crise entre os poderes: “A não ser que vingue a Babel, e aí veremos o estágio democrático em que estamos”. Marco Aurélio chama de “arroubo de retórica” as críticas de Henrique Alves: “O STF cumpre seu dever de guardião da Constituição”. Além de Henrique Alves, Renan Calheiros criticou o STF e também o TSE, reclamando da “usurpação” do papel legislativo do Congresso.

VideVersus

MORRE-SE MAIS EM ACIDENTES DE TRÂNSITO DO QUE POR CÂNCER

Novas estatísticas mostram que a violência no trânsito é a segunda maior causa de morte no país, à frente até de homicídios, um efeito do desrespeito às leis e da má qualidade dos motoristas

Leonardo Coutinho
Acidente em estrada

 
O mundo avança, o Brasil retrocede. Na Alemanha, as mortes em acidentes de trânsito caíram 81% nos últimos quarenta anos, e o governo tem como meta fechar um ano inteiro sem nenhuma vítima fatal. A Austrália reduziu a mortandade nas ruas e estradas em 40% ao longo de duas décadas. A China precisou de apenas dez anos para reverter uma situação calamitosa em que os acidentes de trânsito haviam se tornado a principal causa de morte entre os cidadãos de até 45 anos de idade. Entre 2002 e 2011, o desperdício de vidas chinesas por colisões, quedas de moto ou bicicleta e atropelamentos diminuiu 43%. O assombroso sucesso desses e de muitos outros países, ricos e emergentes, em combater a violência no trânsito deveria ser uma inspiração para o Brasil. Por enquanto, o êxito deles só amplifica o absurdo desta que é a maior tragédia nacional. Um levantamento feito pelo Observatório Nacional de Segurança Viária para VEJA, com base nos pedidos de indenização ao DPVAT, o seguro obrigatório de veículos, revela que o número de vítimas no trânsito é muito superior ao que fazem crer as estatísticas oficiais (veja o quadro abaixo). Em 2012, foram registrados mais de 60 000 mortos, um aumento de 4% em relação a 2011, e 352 000 casos de invalidez permanente. Morre-se mais em acidentes de trânsito do que por homicídio ou câncer. Ou seja, nós, brasileiros, temos mais motivos para temer um cidadão qualquer sentado ao volante ou sobre uma moto do que a possibilidade de deparar com um assaltante ou de enfrentar um tumor maligno.
Costumam-se apontar a precariedade das estradas, a infraestrutura deficiente, a falta de ciclovias e as falhas na sinalização como as causas para as tragédias no asfalto. Também se afirma que os carros vendidos por aqui, que não passam nos padrões de segurança europeus, são verdadeiras armadilhas letais sobre rodas. Todos esses fatores aumentam os riscos, mas a maior razão para o massacre no trânsito é que nós, brasileiros, dirigimos muito mal. Mais de 95% dos desastres viários no país são o resultado de uma combinação de irresponsabilidade e imperícia. O primeiro problema está relacionado à ineficiência do poder público na aplicação das leis e à nossa inclinação cultural para burlar regras. O segundo tem sua origem no foco excessivo em soluções arrecadatórias para o trânsito – multas, essencialmente – e quase nenhuma atenção à formação de motoristas e pedestres.
Um estudo recente do Centro de Pesquisa Jurídica Aplicada da Fundação Getulio Vargas revelou que 82% dos brasileiros acham fácil desobedecer às leis no país. E o fazem mesmo quando os maiores prejudicados são eles próprios. Uma fiscalização eficiente e constante teria o poder de fazer os cidadãos abandonar as condutas de risco até que a postura responsável se tornasse automática. Foi o que ocorreu, em certa medida, com o uso do cinto de segurança. E é o que se tem tentado, até agora com pouco sucesso, com a embriaguez ao volante. Em 2008, quando entrou em vigor a Lei Seca, o impacto positivo foi imediato. Com medo de serem pegos no bafômetro, muitos motoristas deixaram de conduzir depois de beber. Como consequência, no ano seguinte houve uma redução de quase 4 000 pedidos de indenização por morte ao DPVAT. Bastou os motoristas descobrirem que não eram obrigados a soprar o bafômetro e que as blitze eram previsíveis para a curva de mortes retomar a trajetória ascendente.
A nova versão da Lei Seca, aprovada no fim do ano passado, permite a punição dos condutores embriagados mesmo sem o bafômetro. Em muitas capitais, porém, só são realizadas operações policiais durante a noite ou nos fins de semana. Em cidades pequenas, por sua vez, as autoridades frequentemente fazem vista grossa para as infrações de trânsito porque puni-las é considerado uma medida impopular – apesar de benéfica para a população. Esse paradoxo explica o aumento no número de vítimas envolvendo motos. A situação é mais grave no Nordeste, de onde vieram, em 2012, 27% dos pedidos de indenização por morte no trânsito, metade dos quais envolvendo motos. Para os cidadãos que deixaram de ser pobres recentemente, a estreia no mundo dos veículos motorizados se dá sobre duas rodas. Raros são os que se inscrevem em uma autoescola para tirar a carteira de habilitação. Os prefeitos são coniventes com essa irregularidade nas cidades pequenas ou nas periferias das metrópoles. “O resultado é que há muita gente conduzindo as motos como se fossem bicicletas ou jegues”, diz o economista Carlos Henrique Carvalho, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Uma cena comum é a da família inteira – pai, mãe e filhos pequenos – espremida sobre uma moto, sem capacetes. Não por acaso, o Nordeste é campeão nacional em número de vítimas com menos de 7 anos sobre motocicletas. A maior unidade de emergência médica da região, o Hospital da Restauração, no Recife, chegou a ter neste ano 80% dos leitos ocupados por acidentados. “O perfil das cirurgias de urgência mudou. Nos anos 80 e 90, atendíamos principalmente feridos por peixeiras e tiros. Agora, as motos são o maior vetor. Trata-se de uma epidemia”, diz Miguel Arcanjo, diretor do hospital.
Um estudo coordenado por Carvalho, do Ipea, estimou em 40 bilhões de reais o prejuízo anual causado pelos acidentes. Esse valor é composto de despesas hospitalares, danos ao patrimônio, benefícios previdenciários pagos às vítimas ou a seus dependentes e perda do potencial econômico de cidadãos no auge de sua produtividade – nada menos que 58% dos mortos, segundo os dados do DPVAT, têm entre 18 e 44 anos. O foco nas campanhas publicitárias de “conscientização”, como faz o governo federal, não é suficiente para frear a perda de vidas. É preciso treinar melhor os motoristas e forçá-los a respeitar as regras de trânsito, como demonstram as experiências bem-sucedidas mundo afora. A Austrália, por exemplo, tem um dos melhores sistemas de habilitação do mundo. Para tirarem carta, os australianos devem frequentar 120 horas de aulas práticas. No Brasil, são menos de vinte horas. Os australianos, depois de passar no teste, enfrentam inúmeras restrições até que se provem totalmente aptos a dirigir. Eles têm direito à habilitação a partir dos 16 anos, mas até os 18 só lhes é permitido dirigir de dia e acompanhados de um adulto, além de não poderem levar nenhum outro passageiro. Dos 18 aos 22 anos, os australianos não podem jamais ser flagrados bêbados ao volante. Se isso acontecer, eles perdem a carteira e só podem obter outra depois de um ano. Assim, formam-se motoristas hábeis e prudentes. No Brasil, a primeira habilitação tem status de provisória durante um ano, mas as regras são frouxas. Mesmo que o motorista cometa uma infração grave ou duas médias nesse período, sua única punição é ter de voltar para a autoescola.
Se a Austrália se destaca na educação dos motoristas, do exemplo francês aprende-se a importância de tratar com rigor os crimes de trânsito. Quatro em cada dez condenações na Justiça francesa são relacionadas a crimes de trânsito – lá, negligência que resulta em acidente com morte dá cadeia. No Brasil, raros são condenados e presos por isso. Uma das exceções é o psicólogo Eduardo Paredes, da Paraíba, condenado a doze anos de prisão em março passado por homicídio doloso (com intenção de matar). Em 2010, Paredes, embriagado, matou a defensora pública Fátima Lopes ao avançar um sinal vermelho. O motorista chegou a ser preso, mas, por ser réu primário, foi solto. Cinco meses depois, atropelou e matou mais uma pedestre. Paredes cumpre pena em regime fechado e não poderá recorrer em liberdade. Sua condenação é um sinal de que a sociedade brasileira e, por extensão, a Justiça começam a avaliar que dirigir bêbado em alta velocidade não é muito diferente de dar tiros a esmo com um revólver em uma praça. Muitos amigos e familiares de vítimas não aceitam mais que a perda de seus entes queridos seja considerada uma fatalidade, um simples azar do destino. Essa nova noção está sintetizada no nome da ONG Não Foi Acidente, criada em homenagem ao jovem administrador Vitor Gurman, que morreu atropelado numa calçada de São Paulo, em 2011. “Meu sobrinho nem sequer entrou nas estatísticas oficiais de vítimas do trânsito porque não faleceu na hora, mas cinco dias depois, no hospital”, diz Nilton Gurman, tio de Vitor, cujo atestado de óbito contém apenas a informação de que morreu de falência de múltiplos órgãos. Esse exemplo ajuda a entender por que os dados do governo não dão a real dimensão da tragédia no trânsito brasileiro. “O governo tem consciência dessa falha na base de dados e tentará corrigi-la”, diz o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, cuja pasta cuida das políticas de trânsito. O número de acidentados ou seus familiares que a cada ano pedem indenização ao DPVAT é uma fonte de dados mais precisa, e põe o trânsito como a segunda maior causa de morte no país, atrás de doenças circulatórias. Em dezesseis anos, a Guerra do Vietnã foi menos letal para as fileiras dos Estados Unidos do que o vai e vem de veículos e pedestres consegue ser em um ano para o Brasil. O trânsito é o nosso Vietnã.
Fonte: VideVersus

Campeão em 2006, Inter busca o segundo título do Brasileiro Sub-20 diante do Palmeiras

Equipes se enfrentam às 19h30min deste sábado. Jogo terá transmissão pelo SporTV

Campeão em 2006, Inter busca o segundo título do Brasileiro Sub-20 diante do Palmeiras Ricardo Duarte/Agencia RBS
 
 
 

No último ato do futebol em 2013, uma decisão nacional no Estádio Passo D'Areia, zona norte da Capital. A partir das 19h30min, Inter e Palmeiras disputam a final do Campeonato Brasileiro Sub-20.

Com um time que tinha Muriel, Alexandre Pato e Luiz Adriano, o Inter foi campeão da primeira edição do torneio, em 2006. Depois, ficou com o vice em 2007 e 2012 – nas duas vezes, perdeu para o Cruzeiro. Neste ano, a campanha começou com um tropeço diante da Portuguesa (derrota por 2 a 1). Depois, foram só vitórias – sobre Palmeiras, Bahia, Vasco, Vitória e Cruzeiro – e nenhum gol sofrido.  

– Isso mostra que o trabalho na base continua sendo bem feito, com investimento e sabedoria – ressalta Roberto Melo, diretor de futebol do Colorado.

Inimigo na busca pelo bi, o Palmeiras eliminou o Grêmio na semifinal. Na fase de grupos, as equipes se enfrentaram, com vitória do Inter por 2 a 0. Neste sábado, os paulistas querem revanche.

Será no Zequinha a última volta olímpica da temporada. Resta saber se vermelha ou verde. 

OS GURIS COLORADOS

O camisa 1


Gaúcho da cidade de Getúlio Vargas, o goleiro Jacsson Antônio Wichnovski é o menos vazado do Brasileirão Sub-20. Levou apenas dois gols, ambos na estreia da equipe. Está há cinco jogos sem ser vazado. Faz o estilo discreto e seguro. O atleta tem 19 anos e mede 1m89cm. Foi decisivo na decisão da Copa FGF Sub-19 ao defender dois pênaltis no Gre-Nal que valeu o título. Está no clube desde 2011, veio do Ypiranga de Erechim.

Os laterais

Pela direita, o titular é  Willian de Asevedo Furtado, que tem origem no meio-campo. Gaúcho de Pelotas, tem 18 anos e veio do Juventude. Dono de um cruzamento qualificado, o mato-grossense Kaike, 18 anos, é o lateral-esquerdo. O jogador também passou pela base do Juventude.

A dupla de zaga

Jean e PV mostram segurança neste Brasileiro Sub-20, já que a defesa do Inter é a menos vazada. Autor de um dos gols na goleada por 4 a 0 sobre o Vitória, nas quartas de final, Jean Marcos Jacinto é um dos "veteranos do grupo". Paulista de Jabotical, o zagueiro tem 20 anos e 1m84cm. Ano passado, o atleta disputou a Copa Paulista pelo time profissional do Juventus-SP. O companheiro de Jean é Pedro Victor Calil Sandoval. O zagueiro de 20 anos, 1m88cm, é capixaba de Vitória. Bom na bola aérea, fez de cabeça um dos gols no 4 a 0 sobre o Cruzeiro, nas semifinais. No Inter desde 2011, o jogador veio do Ferroviária de Araraquara.

Os volantes

Nathan Índio e Bertotto tem características complementares. Já utilizado por Clemer no time principal – como lateral-direito diante do Botafogo -, o mineiro Nathan dos Santos Custódio, 20 anos, destaca-se pela intensidade. É o típico marcador "carrapato", que não desgruda do adversário. Matheus Hanauer Bertotto, também 20 anos, é o capitão e líder da equipe. Costuma organizar o posicionamento do time e ajudar o ataque. Atuando pelo sub-23, foi um dos destaques da Supercopa Gaúcha, competição em que o Inter chegou à decisão, perdendo o título para o Pelotas nos pênaltis. Com 1m89cm, destaca-se também na bola aérea e, seguidamente, marca gols de cabeça. Gaúcho de Porto Alegre, jogou no Resende-RJ em 2012.

Os meias

À frente dos volantes, o técnico José Leão utiliza uma linha de três meias. Principal nome da goleada sobre o Cruzeiro, na semifinal, Leandro Joaquim Ribeiro usa a camiseta 7 e se destaca pela habilidade e velocidade. Carioca, completará 19 anos em janeiro. O número 11 é Murilo de Souza Costa, 19 anos, gaúcho de São José do Norte. Com 1m77cm, tem a finalização como qualidade. Já marcou três gols no Brasileiro Sub-20 e, em 2012, foi goleador do Gauchão de Juniores pelo Caxias. O terceiro meia na decisão deve ser Carlos Vinícius Santos de Jesus, o Carlinhos. Revelado pelo Desportivo Brasil, o baiano de Camacan já passou pelo futebol alemão, mesmo com apenas 19 anos – atuou no Jahn Regensburg e no Bayer Leverkusen. Como tem poder de marcação, também pode atuar como volante. Carlinhos ganhou a posição de Alex Santana, o camisa 10 da equipe, jogador que foi utilizado por Clemer na derrota para o Flamengo, no Maracanã.

A estrela     

Atacante de 18 anos, Andrigo Oliveira De Araujo é considerado uma joia da base do Inter. Quando tinha apenas 15 anos, o jogador, gaúcho de Estrela, foi assediado por Barcelona e Manchester United, mas acabou permanecendo no Beira-Rio. Recentemente, renovou contrato por mais três temporadas. Mesmo baixo -_ segundo o site do clube tem 1m67cm -, é a referência do ataque colorado. Tem habilidade e bom poder de finalização. É gaúcho de Estrela, cidade do Vale do Taquari.

O comandante

José Luiz Leão, que substituiu Clemer, está no clube há 12 anos. Ele começou nas escolinhas e foi subindo de categoria até chegar ao sub-20, onde, desde 2012, era auxiliar.  Por Cristiel Gasparetto

Fonte: Zero Hora Esportes

Fatos em Foco 20.12.2013

TRE cassa prefeito

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul, em sessão plenária realizada nesta terça-feira (17), reformou a sentença de primeiro grau com origem em Campo Novo, condenando o prefeito Milton José Menusi (PSDB), e seu vice, Jocemar Scherer (DEM), por abuso de poder econômico nas eleições de 2012. Além da cassação do diploma, Menusi foi penalizado com a inelegibilidade por oito anos. O acórdão faz referência a ofertas e entrega de valores financeiros e promessas de cargo público em troca de voto e apoio político, o que, no entendimento dos julgadores, se caracterizou como compra de apoio político, tendo afetado a vontade dos eleitores e desequilibrado o pleito. Pela decisão, deverá tomar posse a chapa que obteve o segundo lugar.

 

Tentaremos reverter…

A coluna contatou por telefone com o prefeito Milton Menusi, onde ele informou que vai apelar da sentença, e que seu advogado já está preparando o recurso que dará entrada no Tribunal Superior Eleitoral na tentativa de reverter o quadro. Menusi se disse otimista em virtude de que, além da decisão em primeira instância tê-lo absolvido, o TRE desconsiderou pontos importantes do processo que enveredariam a seu favor.

 

Entenda o caso

No dia 24 de fevereiro de 2012, a Promotoria de Justiça de Campo Novo, com o apoio de agentes do Sistema Integrado de Investigação Criminal, efetuou a prisão em flagrante do então pretenso candidato a prefeito Milton José Menusi, visto ter recebido denúncia de que ele estaria oferecendo valores em dinheiro para dirigentes de outros partidos políticos em troca de apoio à sua possível candidatura a prefeito. Ele teria sido flagrado pela operação denominada “Mala Preta”, ao sair da casa de uma líder política que teria acabado de receber a oferta, portando adesivos de campanha e celular. Na instância inicial Menusi foi absolvido, mas o MP recorreu da decisão junto ao TRE.

 

Entre erros e acertos

Nas opiniões aqui expostas, por óbvio, já tive erros e acertos. Mais acertos do que erros. Entre os acertos, está o que escrevi e consta da edição de 23 de março de 2012, portanto, seis meses e meio antes das eleições municipais daquele ano. Lá está escrito: A União por Santo Augusto (PDT/PT/PMDB) me parece estar organizada e pronta para manter a coligação e até com nome praticamente definido para concorrer a prefeito. Os demais partidos (PTB/PPS/PSDB/PP/DEM/PSB) demonstram estarem desarticulados e dispersos. Dito e feito. Provado ficou que partidos desarticulados não ganham eleição.

 

Fiz a citação para lembrar que…

No ano que vem teremos eleições gerais. Os santoaugustenses são orgulhosos pelo trabalho e conduta ilibada que vêm demonstrando os seus deputados Ernani e Jerônimo. Ambos buscarão e certamente são merecedores da reeleição. Contudo vejo que poderão sofrer forte revés eleitoral na sua terra, em Santo Augusto. Por quê? Porque o partido ao qual são vinculados, o PP, em seu município está desarticulado e, não me levem a mal, praticamente acéfalo. Já foi o maior partido em nível local, mas por inércia e falta de lideranças ativas, está em decadência. Por questão de justiça e reconhecimento ao trabalho que Ernani e Jerônimo vêm realizando, o partido que é rico em lideranças ociosas, seja rearticulado e retomado seu potencial, mesmo a custo de uma intervenção.

 

Luz vermelha no Piratini

Em recente pesquisa do Instituto Methodus, a senadora Ana Amélia (PP) aparece em primeiro lugar para o governo estadual, em 2014, com 38,2%, enquanto Tarso Genro ficou com 31,8% das intenções de voto, seguido de José Ivo Sartori (PMDB, com 5,4% e Vieira da Cunha (PDT), com 4%. O PT se nega acreditar nessa pesquisa, mas, a opinião pública já esperava uma boa performance da senadora progressista nas aferições. Tarso Genro criou uma expectativa enorme, mas a gauchada demonstra claramente que o governo petista não emplacou. E mais: o chamado alinhamento político (governo estadual do PT e governo federal), tão prometido durante a campanha, não aconteceu. Pelo contrário, o governo gaúcho ficou isolado e com grandes dificuldades de superar os problemas. Se houver segundo turno, babaus Tarso.

LULA É O X9 DA DITADURA.

LULA, O MAIOR BANDIDO QUE ESSE PAÍS JÁ VIU!



Romeu Tuma conta toda verdade sobre Lula, o X9 menaleiro

 
 
Romeu Tuma Junior: “Eles que se atrevam…tenho munição para escrever outro livro”
 
 
Conversamos, rapidamente, ontem, com o Dr. Romeu Tuma Junior, que lançará, a partir de amanhã, o livro “Assassinato de Reputações”, tratado como verdadeira “bomba”, endereçada ao Partido dos Trabalhadores.

Desde a publicação de matéria na revista Veja, o ex-Secretário Nacional de Justiça vem sendo atacado por militantes petistas nas mais diversas redes sociais, que, orientados, não respondem às denúncias, graves, mas tratam de tentar desqualificar o denunciante.

“É assim que essa gente age… como a Máfia, primeiro tentam desqualificar o denunciante, depois, partem para cooptá-lo, por fim, no desespero, partem para coisa pior…”, disse Tuma Jr.

“Eles ficam falando, repetindo à exaustão, que sou envolvido com Máfia Chinesa, etc… história esta que eles mesmo inventaram… são uns boçais… nem sequer denúncia contra mim existiu, tamanha a invericidade do que foi falado… nem na Justiça, nem no Ministério da Justiça, nem no MP, MPF, Polícia Federal… nada ! Eles tentaram assassinar minha reputação depois que comprovei a conta do Mensalão…eles estão com medo… e, diferentemente do que fizeram comigo, foram condenados, são criminosos…”

“O livro tem provas de tudo o que falei… eles investigaram minha vida inteira, não acharam nada, um pormenor sequer… partiram então para a invenção… funcionou na mídia, para assassinar minha reputação… porque eles, espertos, sabem que a imprensa coloca uma denúncia, mesmo que infundada, na capa, enquanto a verdade, a descoberta de que nada ocorreu, quando publicado, fica escondida no canto da página…”

“Meu livro estará amanhã nas livrarias, contendo verdade, documentos, e relatos que presenciei. Não há o que refutar. São provas. Eles que se atrevam a me fazer algo, tenho muita munição (documentos) que não coube nesse livro… dá para fazer outro… e vou fazer…”, finalizou.

Após conversar com Tuma Junior, o blog verificou que, no caso tratado pelo ex-Secretário Nacional de Justiça como acusações infundadas, estimuladas pelo PT, sobre suas possíveis ligações com a Máfia Chinesa, procede, de fato, a informação de não haver indiciamento ou comprovação da veracidade, em todos os órgãos que investigaram as denúncias.

Certo é que, não verificar as informações publicadas por Romeu Tuma Junior em seu livro, que tem assinatura do denunciante, documentos e nomes citados, é tentar tapar a corrupção com a peneira, atitude que o povo brasileiro não pode mais permitir após a exemplar prisão dos réus do Mensalão.

Descobrir a verdade é o objetivo, sejam elas quais forem.

Desqualificar o denunciante antes mesmo de investigar sua informações é tática sórdida de defesa prévia daqueles que parecem temer o que está por vir.

  

A “Comissão da Verdade” vai apurar se Lula colaborou com a ditadura? Ou ainda: E agora José Eduardo Cardozo? A denúncia de Tuma Júnior não é nem anônima nem apócrifa. O ministro vai ou não mandar investigar?
 
 
 
Lula é carregado pelos companheiros em 1979: segundo Tuma Junior, o “Barba” era informante de Romeu Tuma


 

Os petistas e a rede petralha na Internet tentam reagir ao livro “Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado” (Editora Topbooks), que traz o longo depoimento do delegado Romeu Tuma Junior ao jornalista Claudio Tognolli. A ordem que emana da cúpula do partido e chega à Al Qaeda Eletrônica é desmoralizar o denunciante, lembrando que ele foi acusado de envolvimento com a máfia chinesa em São Paulo. Já chego lá. Há duas coisas no livro que incomodam os petistas: uma tem um peso, digamos, moral e pode contribuir para jogar ainda mais luzes nas origens do PT. A outra tem a ver com o presente e revela o modo como o PT entende o exercício do poder.



No livro, Tuma Junior diz ter a convicção de que Luiz Inácio Lula da Silva foi um informante de Romeu Tuma, então chefe do Dops, lá no fim dos anos 1970, quando apenas líder sindical. Não é a primeira vez que a, como vamos chamar?, intimidade de petista com o regime militar é posta em debate. O delegado sugere que a colaboração tenha deixado rastro e dá uma dica: que se procurem as contribuições de um certo “Barba” com os órgãos de repressão. A esta altura, ninguém com um mínimo de honestidade intelectual pode ignorar que parte considerável do establishment militar via com bons olhos a emergência política do tal “sindicalista” porque avaliava — e com razão neste particular — que sua ascensão enfraqueceria os líderes pré-64 que voltaram ao Brasil com a aprovação da Lei da Anistia. Nesse sentido, a escrita se cumpriu. O petismo exilou Leonel Brizola no Rio de Janeiro e Miguel Arraes em Pernambuco. É inegável que Lula cumpriu o desígnio de quebrar as pernas dos antigos líderes populistas, que encontraram um novo Brasil ao voltar ao país.



O Lula “colaboracionista”, pois, é um dado da própria equação. Ainda que seus propósitos fossem os mais, digamos, puros — criar um partido só de trabalhadores —, a verdade inegável é que sua liderança rompia duas pretensões de unidade: a) a unidade da oposição defendida pelo MDB; b) a unidade das esquerdas, que Brizola tinha a ambição de liderar. E aquilo era música para os estrategistas da transição, especialmente o general Golbery do Couto e Silva. Eu era um fedelho, militante da Convergência Socialista, e me lembro bem como a extrema esquerda lia, então, a questão:
a: Lula era considerado um nosso aliado contra a “frente burguesa” que pretendia se apresentar como “falsa alternativa” (era o que achávamos então) ao regime;
b: Lula era considerado um nosso aliado contra a “falsa esquerda”, que considerávamos não marxista (e era mesmo!), que vinha do exílio com pretensões de liderar as massas, o que repudiávamos;
c: Lula era considerado um nosso aliado APENAS ESTRATÉGICO, já que julgávamos que ele não passava de um reformista, com sérios “desvios de direita”, interessado apenas em reformar o capitalismo;
d: a extrema esquerda entendia que fortalecer Lula era importante, para que pudesse ser descartado mais tarde.

Bem, meninos, é desnecessário dizer que Lula jantou os militares, o MDB, Brizola, Arraes e a extrema esquerda… Reproduziu na política a sua carreira no sindicato, conforme demonstrou José Nêumanne Pinto no livro “O que sei de Lula”. Também ali se acercou do poder pelas beiradas, fez acordos com os pragmáticos, tomou o poder e deu um pé no traseiro das velhas lideranças.

Foi além
Tuma Junior, na entrevista concedida à VEJA na edição desta semana e, consta, no livro (ainda não li), sugere muito mais do que uma colaboração mediada pela história. Ele fala é de outra coisa: é de ação coordenada com o regime, combinada mesmo. Cumpre investigar, não como quem procura um crime, mas como quem busca a verdade. Eu já ouvi de um ex-alto executivo da Villares e de um ex-membro do então chamado “Grupo 14”, da Fiesp, que o então grande sindicalista e herói das massas e da imprensa negociava com os patrões até as propostas que seriam recusadas. Fazia parte do show.

Bem, o Brasil tem uma “Comissão da Verdade”, não é mesmo? Que tal chamar o “companheiro” para depor — depois, claro, de uma minuciosa investigação dos arquivos?

De volta ao presente
Se Lula foi ou não uma espécie de dedo-duro a serviço da ditadura é matéria de interesse histórico. A questão pode doer na reputação do petismo, mas não se tem muito além disso. O outro pilar do livro de Tuma Júnior é, sim, muito grave. O delegado diz estar disposto a demonstrar que, na Secretaria Nacional da Justiça, foi instado a dar curso a dossiês fabricados pelo petismo contra seus adversários. E cita uma penca de casos (leia post). Mais: assim como perseguia adversários, protegia o PT ao não dar curso a investigações que poderiam comprometer o partido

 
 
A Al Qaeda eletrônica, a rede petralha, já começou o trabalho de desqualificação do denunciante. Alguns bobinhos enviaram mensagens para cá apontando que eu mesmo publiquei posts sobre a demissão de delegado, por conta da sua suposta ligação com a tal máfia chinesa… Sim, publiquei. E daí? Pra começo de conversa, foi Lula quem decidiu nomear Tuma Junior para a Secretaria Nacional de Justiça. Não fui eu, não foram os opositores do PT, não foram os inimigos do partido. Justamente porque não tenho nenhuma vinculação com o delegado, publico o que penso ser relevante. Antes e agora.

E me parece relevante que alguém escolhido pelo próprio PT para um cargo tão importante venha a público revelar as muitas vezes em que foi instado a desrespeitar a lei para atender a uma demanda política — coisa que ele diz não ter feito. Quer dizer que Tuma Junior é um desclassificado, alguém a ser ignorado, mas era bom o bastante para permanecer três anos à frente da Secretaria Nacional de Justiça?

 
 
Não há como: alguém com nome e endereço, que esteve na cúpula do Ministério da Justiça, acusa uma ação coordenada de um partido com órgãos do estado para perseguir adversários políticos. Nos depoimentos dados ao Senado e à Câmara, Jose Eduardo Cardozo afirmou que seu papel é encaminhar as denúncias que recebe, mesmo as anônimas, à Polícia Federal. Pois bem: a acusação de agora anônima não é. Tem assinatura. E Tuma Junior já disse que quer falar.

E nesse caso? O que fará o ministro da Justiça? Cumpre lembrar que, na lista dos dossiês que os petistas queriam pôr para circular, está justamente a suposta formação de cartel para a compra de trens em São Paulo. Se papeluchos sem assinatura, supostamente deixados na casa de Cardozo por um deputado do PT, bastam para que a PF passe a fazer uma investigação, como agirá o ministro com acusações que têm assinatura?

Os petistas acham que Tuma Junior não é de confiança? Não é da confiança de quem, cara-pálida? De Lula e da cúpula do Ministério da Justiça, pelo visto, ele era. Tanto que foi nomeado para o cargo de secretário nacional da Justiça. Agora, ele decidiu contar o que diz ter visto, ouvido e vivido. E afirma ter como provar as acusações que faz. O mínimo que se pode esperar é que seja convocado para depor na Câmara. 

Acusando a imprensa de não dar a devida atenção à questão do cartel de trens — é mentira, como se sabe —, afirmou Gilberto Carvalho: “Tirando o (jornal) O Estado de S. Paulo, não se pergunta pelo crime, se recrimina o acusador”. Muito bem: por que a rede petralha não segue o conselho de Carvalho? Ora, pare de ficar recriminando o acusador e passe a se preocupar com os crimes que ele aponta. Tuma Junior, diga-se, mira também no próprio Carvalho, que lhe teria confessado que havia mesmo um esquema de desvio de dinheiro em Santo André, questão que estaria na raiz do assassinato de Celso Daniel. O ministro diz que vai processar o delegado.

Tuma Junior não era só um datilógrafo do Ministério da Justiça que agora diz ter ouvido coisas. Não! Ele ocupava um cargo central na pasta e afirma ser testemunha da forma como atua a máquina petista de moer a reputação dos adversários, seguindo aquela que, há muito tempo, digo ser a máxima do partido: “Aos amigos, tudo, menos a lei; aos inimigos, nada, nem a lei”

 
Fonte: Jnet News
 
 

Page 1 of 3

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén