A avó materna do menino Bernardo Boldrini, Jussara Uglione, 74 anos, prestou depoimento à Justiça nesta quinta-feira (30) no Foro de Santa Maria, região central do Estado. Ela é uma das 25 pessoas arroladas pelo Ministério Público, autor da ação criminal que tramita na Comarca de Três Passos sobre a morte do garoto, ocorrida em início de abril. Em depoimento na 1ª Vara Criminal da Comarca, Jussara denunciou maus-tratos e agressividade do pai de Bernardo, o médico Leandro Boldrini.
 
De acordo com a avó de Bernardo, o relacionamento entre genro e sogra não era bom e piorou depois da morte da filha. “(Leandro) nem me olhava no rosto, era frio e calculista”, disse. A vó relatou que o pai sempre achava que o Bernardo estava atrapalhando a vida dele.
 
Segundo afirmou em depoimento, Jussara era impedida por Leandro Boldrini de ver o neto. Várias vezes ela teria ido a Três Passos para ver o garoto e não teria conseguido. Ela contou que, certa vez, foi ao consultório do médico e teria sido agredida por Leandro com um pontapé no tornozelo. Além disso, Leandro teria tirado o celular de Bernardo para que a avó não entrasse em contato com o neto. 
 
A empregada Elaine Rader, 47 anos, que também prestou depoimento nesta quinta-feira, contou que Bernardo havia sofrido uma tentativa de asfixia pelo pai. O próprio Bernardo teria relatado o fato à empregada.
 
Morte da filha
 
Sobre a morte de Odilaine Uglione, mãe de Bernardo Boldrini, a avó relatou que ela não usava arma de fogo por ter medo e que, por isso, colocava em dúvida o fato dela ter cometido suicídio. Jussara Uglione contou ainda que, no velório da filha, o Leandro teria usado um colete a prova de balas e teria sido acompanhado de um segurança.