Tabuleiro político

Santo Augusto, desde a eleição de 1988 alterna o poder municipal entre dois segmentos “quase” distintos. Primeiro o PDT, que em 1988, com militância simples e humilde, sem dinheiro, conseguiu em chapa pura vencer o conjunto dos tradicionais partidos que até então ocuparam o poder. Em 1992, o grupo formado pelos tradicionais PDS (hoje PP), PMDB (hoje MDB) e PFL (hoje DEM) se uniu em coligação formando a Aliança por Santo Augusto. O grupo formado por esses três partidos saiu vencedor naquele ano (1992), e permaneceu por 12 anos consecutivos no comando do município. Em 2004, a aliança sofreu uma baixa, o PMDB decidiu sair do grupo e concorrer em chapa pura. Na oportunidade saiu o PMDB e entrou o PSDB, passando a Aliança a ser composta por PFL/PP/PSDB. Naquele ano o PDT/PT, com Dodi na cabeça de chapa, após os 12 anos de abstinência, retornou ao poder no município de Santo Augusto, vencendo os outros dois candidatos, Naldo do PMDB e Floris, da Aliança, que concorreu à reeleição. Em 2008, a Aliança por Santo Augusto (PP/PTB/PSDB/DEM), venceu a União por Santo Augusto (PMDB/PDT/PT). Em 2012, a Aliança por Santo Augusto que estava no poder, agora com seis partidos (PP, PTB, PPS, DEM, PSB, PSDB), perdeu a eleição para a coligação “União por Santo Augusto” (PDT, PT, PMDB). Em 2016, a Aliança deixa de existir e o MDB lidera a formação da coligação “Somos todos Santo Augusto”, composto por sete partidos, entre eles os velhos parceiros PMDB, PP, DEM, na qual se somaram o PTB, PPS, PSB, PSDB). Naldo (PMDB) derrotou seu recente parceiro Zé Luiz (PDT), da coligação “Frente Democrática Popular” (PDT, PT).

A propósito

Na dança de cadeiras, o MDB é sempre habilidoso.  De 1992 a 2004, compôs a Aliança por Santo Augusto (PDS, PMDB, PFL); em 2004, concorreu em chapa pura, depois participou do governo do PDT; de 2008 a 2016 integrou a coligação União por Santo Augusto, liderada pelo PDT; em 2016, reintegrou-se aos tradicionais parceiros PP e DEM, mais os coadjuvantes PTB, PPS, PSB, PSDB, formando coligação de sete partidos, com o slogan: “Somos todos Santo Augusto”. Como bom pé-de-valsa, perspicaz e ágil, o MDB participou de 6 dos 7 últimos governos. Quais os próximos passos?

Alternância de poder

Estamos em ano de eleição para prefeito em todos os municípios brasileiros. São inúmeros os exemplos que temos de mandatários que permanecem no poder apesar de exercerem governos sem programa, administrações medíocres e sem realizações relevantes. Isso demonstra o quão frágil é a percepção do processo político pelo eleitorado. Os políticos na busca de perpetuação no poder, apostam na sublimação do personalismo, na comédia, na camuflagem dos problemas, e especialmente, no comodismo de todos os que aprovam sem questionamentos as mais descabidas proposições, os que não se importam conquanto não sejam incomodados. Muitas vezes, alguns políticos se apoiam mesmo em capangas, usando o prestígio político e o poder para afrontar a lei e aliciar, subornar, oprimir e humilhar. Os necessitados submetem-se a esses métodos, contrariando as suas consciências de pessoas dignas, com receio de perder o emprego, o serviço ou o fornecimento para a prefeitura.

Continuísmo e os vícios

A rigor, a possibilidade de reeleição torna os dirigentes permanentes frequentadores de palanque com discursos vazios eleitoreiros de promessas futuras, clara evidência da distorção. Essa prática do continuísmo direto ou indireto, não raro, é alvo de muitas denúncias, como por exemplo, corrupção eleitoral, desvios de verbas, licitações viciadas, favorecimentos e outras imputações de improbidades afins. Não à toa, a alternância de poder é imprescindível para que novos métodos políticos e administrativos sejam introduzidos, colocando um fim em eventuais vícios políticos. É vazia a ideia ou sugestão de que a permanência por mandatos seguidos seria reconhecimento ao trabalho e uma necessidade de continuidade das políticas implantadas. É necessário ter em mente que os bons projetos e políticas públicas deixadas em andamento, não podem e não devem ser interrompidas pelo prefeito que assume. O tiro sai pela culatra, interromper tais mudanças no meio do caminho, é na verdade, uma maneira de frustrar a alternância no poder. Por isso, insisto, compete a todos os setores da sociedade dotados de consciência política, prezar pela transparência para que se concretizem as transformações necessárias.

Bloco suprapartidário

Visando oferecer mais uma opção aos eleitores santoaugustenses, um bloco suprapartidário composto pelas siglas, Cidadania (ex-PPS), PTB, PSB e PSD, se organiza no sentido de viabilizar a formação de uma pré-candidatura própria na eleição para prefeito a se realizar em outubro deste ano. A intenção é, se chegar ao poder, implantar de verdade uma política viável de desenvolvimento, com foco no setor econômico, ações práticas, reais e eficientes para o desenvolvimento comercial, industrial e agropecuário, de modo a viabilizar e oportunizar a geração de emprego, atender as demandas sociais, inovar e realizar uma boa governança. Esse é o propósito, disseram os coordenadores do bloco, acrescentando que o que os motivou a iniciativa de criação do bloco foram as propostas e as linhas programáticas que têm em comum, similares e voltadas para o crescimento e desenvolvimento econômico. O bloco formado pelos quatro partidos conta com um vereador (Cidadania) e com a simpatia e apoio pessoal de outros dois vereadores de partido fora do bloco, e de vários segmentos da sociedade local.

Pensando com meus botões

É do meu jeito avaliar o comportamento político dos administradores do município e tentar vislumbrar o que as eleições seguintes poderão trazer de novo e para melhor. Polarizado entre os dois tradicionais segmentos políticos e sem nada ser feito para inovar, o momento atual em Santo Augusto é nebuloso, a ideia que dá é que tudo será o mesmo do mesmo, vença quem vencer as próximas eleições. Aí surge uma terceira opção, o bloco “Renova Santo Augusto”. Mas o que esse bloco pensa, quais serão seus objetivos, suas metas, para diferenciar-se dos tradicionais ocupantes do poder? Ora, não adianta falar em desenvolvimento econômico sem que seja feito estudo profundo e criar atrativos propondo condições para que as pessoas e empresas possam investir. É preciso incentivar e apoiar medidas concretas e de resultado, incluindo a saúde e a educação (setores básicos para a pessoa desenvolver). São questões a serem pensadas por partidos e políticos antes de querer ser prefeito. Também, é preciso que prefeitos e assessores deixem o apego pela cadeira e vão ao encontro das pessoas para escutá-las, olhar pela cidade e pensar juntos em soluções. Uma questão elementar, é criar e manter uma estrutura para promover o desenvolvimento econômico, definir uma equipe de planejamento voltada a uma gestão empreendedora. Seria essa a meta do bloco “Renova Santo Augusto”? Afinal, com que proposta eles virão? Aguardemos.

Pensando com meus botões (2)

Querer, disponibilizar-se e expor-se na busca de um mandato para administrar com competência, qualidade e dignidade o seu município, é ato nobre, digno de respeito e elogios. O bloco suprapartidário que está aí se organizando para lançar chapa à eleição majoritária em outubro poderá ser muito bem sucedido, desde que o faça em chapa pura, sem coligação com os tradicionais ocupantes do poder. Por quê? Simples. Porque pelo que se tem conhecimento, o bloco está surgindo com a proposta e sob o argumento de renovação, para mudar o sistema de administração arcaico que está aí e que há muito caiu no comodismo em Santo Augusto. Assim, na minha modesta opinião, se o bloco que ora está sendo criado vier coligar-se com um desses segmentos, sua credibilidade irá por água abaixo, caracterizando-se como mero oportunismo, velha praxe política. Se a disposição é renovar e promover o desenvolvimento e crescimento de verdade, tem que lançar a proposta de forma objetiva dizendo a que veio, e concorrer sozinho. E o momento é oportuno porque a população anseia por novos e eficientes métodos de gestão.

Credibilidade arranhada

No dia 7 de abril de 2015, em gabinete, o prefeito assinou o seguinte TERMO DE COMPROMISSO: O município de Santo Augusto, neste ato representado por seu prefeito José Luiz Andrighetto, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela Lei Orgânica Municipal, e para que surta seus efeitos legais e sob as penalidades da lei, firmo o presente Termo com apoio da Câmara Municipal de Vereadores, gestão 2013/2016, que “no caso de ser aprovado o Curso Superior de Agronomia para o Instituto Federal Farroupilha – IFF/Campus Santo Augusto/RS, o município de Santo Augusto adquirirá área de até 25 hectares, para realização das atividades acadêmicas do referido curso, devido a importância do mesmo para a sociedade e relevante interesse público”. Seguem assinaturas do então prefeito José Luiz Andrighetto; do então vice e hoje prefeito Naldo Wiegert; e dos vereadores: Horácio, João Carvalho, Ultramar, Margarete, Tânia Depiere, Carolina e Marcelo Both, hoje vice-prefeito. Como se vê, não foi qualquer um que assinou o termo de compromisso, foi o município de Santo Augusto, através do prefeito, do vice-prefeito e dos nove vereadores. Esse documento teve credibilidade e viabilizou a liberação do curso de agronomia. Só que para decepção e vergonha dos munícipes, o executivo não cumpriu (ainda) o compromisso assumido, e a credibilidade de Santo Augusto está arranhada junto ao MEC. Agora, dependendo da avaliação para reconhecimento do curso pelo MEC, não sendo satisfatória, poderá ser causa para a não oferta de novas turmas. Lamentável!