Em 1988, o PDT de Santo Augusto tendo na cabeça de chapa majoritária dois funcionários do Banco do Brasil, Darci Pompeo de Mattos (vereador na época) e Izilindo Sfredo Stival, venceu as eleições municipais, derrotando os tradicionais e poderosos opositores, como PP e PMDB. Por se identificar com as pessoas mais humildes, de condições financeiras pobres, “povão” mesmo, o PDT popularizou-se e passou a ser o maior partido em número de militantes no município. Isso inquietava os opositores. Para a eleição seguinte (1992), objetivando tirar o PDT do poder, as forças políticas representativas do PDS (hoje PP), PMDB e o PFL (hoje DEM), viram que a única forma seria se unirem, então criaram a coligação “Aliança Pró Santo Augusto”, que teve como slogan “Santo Augusto Levado a Sério”. Confirmando-se o dito popular de que “contra a força não há resistência”, de fato eles venceram as eleições com a maior diferença de votos já vista no município até àqueles dias: 1.015 votos a Aliança levou de vantagem sobre o PDT.

Slogan: “Levar Santo Augusto a Sério”. Ora, mesmo que sutilmente, e que a intenção não fosse essa, o slogan soava como insinuação discriminatória com relação ao adversário. Até por que, para ser sério não é preciso propagar. É obrigação de qualquer pessoa e principalmente do gestor público. Ser sério, segundo dicionários, é agir com dignidade, honradez, com austeridade e probidade, é ser verdadeiro, inspirar confiança. Isso tudo deveriam ser pressupostos indispensáveis para quem governa ou pretende gerir a coisa pública.  

Mas, o enfoque ao slogan de 1992, “Santo Augusto Levado a Sério”, tem a ver com as eleições do próximo ano (2016) aqui na cidade pérola. Por quê? Vamos à análise:

Os partidos que integraram a Aliança por Santo Augusto na eleição de 2012 (PP, DEM, PPS, PSB, PTB, PSDB) e que hoje representam a oposição, estão total e completamente desarticulados, restando com um pouquinho mais de vida o PP, DEM e o PSDB. Dos nomes competitivos e que ofereçam alguma possibilidade de vitória na próxima eleição, haja vista o enorme desinteresse pela causa entre aqueles que poderiam ter êxito, resta tão somente o ex-prefeito Florisbaldo Polo (DEM), porém, ele é taxativo em afirmar que não concorrerá. Afora ele, uma boa opção seria o também médico Mário Polo, mas é praticamente improvável. Claro que existem mais alguns nomes, embora poucos, dentro dessas siglas que reúnem boas condições para concorrer, mas por motivos diversos, principalmente pelo desinteresse e desilusão não se colocarão à disposição para concorrer.

Do lado governista (PDT, PMDB, PT), a União por Santo Augusto não se manterá. Não acredito que continuem juntos, tanto pelas divergências administrativas vivenciadas, como pela divergência na formação da chapa majoritária. O PMDB não abrirá mão da cabeça de chapa, até por que alega existir um acordo selado ainda em 2012 nesse sentido. Inclusive o vice-prefeito Naldo Wiegert já é tido como o candidato da sigla para prefeito. Contudo, enfrenta alguma resistência dentro do próprio PMDB.

Já no PDT, “o bicho vai pegar”. Lá tem segmento que sustenta existir, sim, o acordo com o PMDB e se manifesta favorável à manutenção da coligação; outro segmento quer que o prefeito José Luiz seja candidato à reeleição, embora ele ainda não tenha se manifestado a respeito, e, um terceiro segmento, presumo ser o mais forte, já espraia o nome do vereador Horácio Dorneles como o candidato a prefeito. Aliás, esse segmento afirma que o único acordo existente com o PMDB é que o candidato a prefeito, se continuar a união, sairá de uma pesquisa de opinião pública, o que certamente não agradará e nem será aceito pelo PMDB. Ressalte-se que Horácio consolidou ao longo dos anos sua força política e declara abertamente sua vontade de ser prefeito e que a vez será a próxima eleição, por isso, com coligação ou sem coligação, dificilmente será desbancado da pretensão, salvo que ele próprio decline.

Conjecturas

Conjecturando, são várias as possibilidades, embora algumas muito remotas, para formação das candidaturas a prefeito em Santo Augusto nas eleições de 2016. Eis algumas:

– Se mantida a União por Santo Augusto: Para prefeito Naldo Wiegert (PMDB), vice Dilmar Mationi ou Horácio Dorneles (PDT)

– Se rompida a União por Santo Augusto: Para prefeito Naldo Wiegert (PMDB), vice poderá ser buscado numa possível coligação com o PTB.

– Se rompida a União por Santo Augusto: Para prefeito José Luiz Andrighetto (PDT), vice poderá ser buscado no PT.

– Se rompida a União por Santo Augusto: Para prefeito Horácio Dorneles (PDT), vice …………..

– Aliança por Santo Augusto: Florisbaldo Polo (DEM), ou Mário Polo (PP). Há outros nomes como os vereadores Marcelo e Joel, mas nenhum deles têm condições de rearticular e aglutinar possíveis coligações e, terão dificuldades dentro de suas próprias siglas partidária.

– Reconciliação do PMDB, PP, DEM, com Naldo Wiegert candidato a prefeito (nos bastidores essa possibilidade já vem sendo tratada há tempo).

– Candidato único –mais do que nunca, essa possibilidade existe. Hoje, talvez até pela conjuntura política e econômica, as lideranças políticas partidárias estão cientes de que o foco tem que ser o município e sua gente, e não os interesses pessoais e políticos, e que disputas acirradas e caras só trazem prejuízos. Caso essa possibilidade seja buscada e debatida entre os partidos e a sociedade, será a grande oportunidade da mudança radical no sistema. Os nomes dos candidatos a prefeito e vice-prefeito poderão recair em pessoas com perfil técnico não envolvidos e nem comprometidos com a política tradicional, porém, dotados dos conhecimentos e demais pressupostos para, de forma harmônica e competente, promover satisfatoriamente a gestão pública. 

– Santo Augusto levado a sério –Digamos que a União por Santo Augusto se desfaça e o vereador Horácio Dorneles (PDT) se lance candidato. Ouve-se de um e de outro que Horácio não ganha eleição, inclusive na oposição tem quem festeje dizendo que será uma barbada ganhar dele. Ledo engano. Quem subestimar o potencial político de Horácio certamente vai ser surpreendido. Por outro lado, há entre as lideranças políticas locais uma clara visão dessa situação, e que ele será um forte candidato. Por isso, a última hipótese:

– Todos se unirem em oposição a Horácio – Sob o argumento de que “Santo Augusto tem que ser levado a sério”, as lideranças partidárias do PP, PMDB, DEM, e talvez outras, se mobilizarão a exemplo do que fizeram em 1992, para formação de uma aliança consistente e competitiva. Esse é o quadro político de Santo Augusto no presente momento. Horácio é o nome mais forte entre os nomes em evidência para concorrer a prefeito.

Responsabilidade dos partidos

De qualquer sorte, seja uma, duas ou três candidaturas, a maior responsabilidade estará com os partidos políticos que têm a incumbência de, mesmo à revelia do eleitor, indicar nomes e lançar os candidatos. Por isso, em qualquer município brasileiro, os partidos têm, sim, a obrigação e o dever de levar seu município a sério, e para que isso se concretize é imprescindível que os candidatos apresentados ao eleitor, tanto a prefeito quanto para vereador, sejam, efetivamente merecedores da confiança. Aliás, muito se fala que a culpa de termos maus representantes políticos é do eleitor que os escolheu. Mas não é bem assim, a verdade é que o eleitor, já que o voto é obrigatório, fica sem opções, tendo como alternativas tão somente os candidatos que lhe são apresentados. Portanto, é dos partidos a responsabilidade maior quando se tem maus vereadores, maus prefeitos, enfim.