Santo Augusto ontem

Há 42 anos, em 1977, quando aportei por aqui, Santo Augusto era bem diferente. O município era novo, tinha apenas 18 anos de existência. O prefeito era o Dr. Alecrides, que se empenhava na busca por melhorias ao município que era muito carente nos mais diversos setores, como na infraestrutura urbana (não havia nenhuma rua asfaltada, poucas ruas com calçamento de pedras irregulares, e apenas na área central; redes elétrica e hidráulica eram por demais deficientes; o sistema habitacional e saneamento básico nas vilas, Anísio, Santa Rita, São João, Tiradentes, era o caos, precário e desumano; o bairro Santa Fé estava prestes a receber dezenas de casas populares através de um programa do governo federal, e também, num loteamento novo, onde hoje é o núcleo do bairro Santo Antônio, era iniciada a construção de mais de cem casas do programa PROMORAR. Onde hoje é o bairro Petrópolis, na época era a chácara das Irmãs, totalmente desabitado, capoeira e macega, enfim, nem era loteado). Na saúde pública os serviços eram quase que inexistentes, pois contava apenas com um acanhado e improvisado postinho de saúde por conta do estado, atendido por duas funcionárias que davam expediente, e por um médico que atendia cerca de uma hora por dia; a assistência social não existia oficialmente, alguns serviços oferecidos pela antiga LBA eram geridos pela primeira dama do município. Telefonia era só a centralzinha municipal. O deslocamento para Ijuí e para Três Passos era por estrada de chão batido, não existia o asfalto, que só foi concluído em 1979. Enfim…

Santo Augusto hoje

Andando passo a passo, de prefeito em prefeito, desde seu nascedouro em 1959, verifica-se que o município de Santo Augusto evoluiu bastante. Apesar de alguns retrocessos aqui e acolá, de modo geral o município só melhorou nos diversos setores, hoje temos pavimentação asfáltica nas principais vias públicas, calçamento em praticamente todas as ruas da área urbana (centro e bairros), estradas transitáveis no interior; a saúde, educação e assistência social devidamente estruturadas para bem atender a população; o município, além das boas escolas municipais, estaduais e particular que possui,  tem o Campus do Instituto Federal Farroupilha que oferta além dos  cursos profissionalizantes, vários cursos de nível superior, entre eles, o de agronomia; os moradores do município têm acesso por rodovias asfaltadas para qualquer destino desejado; na área privada o comércio, indústria e agropecuária estão em constante ascensão e desenvolvimento. Esta síntese de como era Santo Augusto, e como se encontra hoje, visa refletirmos que nada nasceu pronto, o crescimento e desenvolvimento socioeconômico, cultural e político foi construído com muito trabalho e dedicação da sua gente e dos sucessivos prefeitos que, cada um ao seu modo e ao seu tempo, contribuiu para o progresso que está aí. Mas podia estar melhor, se houvesse “projeto de e para o município” de forma contínua e progressiva, com o devido comprometimento do prefeito que ascendesse ao cargo; enfim, se não houvesse a falaciosa mania de o prefeito que entre empurrar para o lado e abandonar todo e qualquer projeto em andamento deixado pelo antecessor, prática usual do fisiologismo político partidário na maioria dos municípios.

A propósito

Por que os prefeitos são tão egoístas? A maioria deles, ao assumir, não dá seguimento a eventuais projetos deixados em andamento pelo seu antecessor, mesmo que abandonar esse projeto signifique perdas financeiras e prejuízos à população e ao desenvolvimento. Aliás, se soubesse compartilhar méritos, seria poupado de muitos deméritos administrativos.

É apenas intenção

O eleitor, costumeiramente, cobra do prefeito no exercício do mandato, que cumpra as promessas de campanha, contidas no plano de governo. No entanto, alguns prefeitos negam terem prometido alguma coisa. Alegam que aquele plano de governo levado a público durante a campanha não tem nada a ver com “promessa de fazer isso ou aquilo”, é um simples “plano de intenções”. Portanto, bem diferente uma coisa da outra. É apenas uma intenção, quanto a realização são outros quinhentos. É bem coisa de político. Sendo assim, para não fazer o eleitor de otário, para a próxima eleição municipal (daqui a um ano), bem que os candidatos a prefeito poderiam especificar no projeto de governo: “Plano de Intenções de Governo” que, inclusive, tem que ser registrado na Justiça Eleitoral. Enfim, seja como for, o interessante é que deve valer o que está escrito e assinado. Os atuais prefeitos carregam consigo esse ônus, o de serem cobrados sobre suas promessas de campanha. E olha que falta apenas um ano e três meses para o fim do mandato, e a maioria das promessas ainda não foram cumpridas.