Pioneiros do Poder Judiciário em Santo Augusto

Primeira Escrivã Judicial titular concursada:

 – Sônia Weirich Machado – Ainda muito jovem, Sônia Weyrich, que era escrevente no Fórum de Panambi, sua cidade natal, prestou concurso público no Poder Judiciário para o cargo de Escrivã Judicial. Aprovada e classificada, no dia 22.12.1965, Sônia prestou compromisso e assumiu no Cartório Judicial do Fórum da Comarca não instalada de Santo Augusto, onde, passou a ser responsável pelo cartório cível e crime.

Até então, o cargo de Escrivão Judicial da comarca não instalada era ocupado por Walzumiro Silva, como designado, não concursado.

Como não era ainda comarca instalada, no início era atendida pelo juiz substituto, da comarca de Ijuí, Dr. Weimar Costa. Até 1971, quando foi instalada oficialmente a comarca, todas as semanas, a Escrivã Sônia ou o Oficial de Justiça Domício levava os processos à comarca de Ijuí para o juiz despachar.

Dona Sônia, como é chamada, foi um exemplo de servidora pública comprometida com a função, sempre enérgica e primando pela eficiência e correção, manteve durante seus longos anos de atividade excelente relação de respeito com seus pares, com os magistrados, promotores, advogados, setores da segurança pública, com autoridades e usuários em geral do Poder Judiciário. Hoje, dona Sônia está aposentada, e atualmente mora na cidade de Porto Alegre.

 

Primeiro Oficial de Justiça da Comarca

– Domício Antunes Rodrigues, primeiro Oficial de Justiça da Comarca de Santo Augusto. Em 1964 prestou concurso público e, naquele ano, em 27 de julho, foi nomeado pelo Tribunal de Justiça, tendo permanecido por 33 anos na função, até se aposentar em 1997.

Como primeiro oficial de justiça da comarca e mais de três décadas na atividade, o senhor Domício falou ao jornal O Celeiro/Atualidades:

“No início era comarca não instalada, depois, ainda nos anos 60, foi criada oficialmente a Comarca, tendo como primeiro juiz titular o Dr. Sidnei Simão dos Santos. O primeiro promotor de justiça foi o Dr. Carlos Artidório Alegretti. Eu como oficial de justiça vim pra cá quando era Pretoria, não era Comarca. A função de Oficial de Justiça era mais difícil do que hoje, porque Santo Augusto era uma Comarca muito extensa, pegava Coronel Bicaco, Campo Novo, Bom Progresso, São Martinho, São Valério do Sul, só estradas de chão, às vezes eu saía e levava dois ou três dias cumprindo mandados nesses lugarejos, nos distritos. Então, Oficial de Justiça era uma função muito sofrida na época, prá se locomover, andar procurando as partes nesses locais. No distrito de Coroados, por exemplo, era tudo mato e começaram a lotear parte da Área Indígena, onde se formou a Vila. Então o Oficial de Justiça tinha que entrar mato a dentro prá procurar pelos moradores e intimá-los para audiência. Hoje, está muito mais fácil o trabalho do Oficial de Justiça. Naquela época era difícil, mas se fazia. Lembro de certa vez, fui passar no rio Turvinho por cima de uns galhos, derrubei a pasta com os mandados e caiu tudo na água. Mas, era a função, tinha de desempenhar. Assim foi o começo e fiquei aí durante 33 anos, me aposentei e estou aqui, com saúde, curtindo a família maravilhosa que tenho, e os amigos que, felizmente, são muitos”.

Como fatos marcantes durante a carreira, Domício diz: “Muitas coisas boas me marcaram a trajetória, mas, infelizmente, o que mais me marcou foi algum acontecimento injusto dentro da própria Justiça. Às vezes, procedimento que eu tinha que fazer contra a minha vontade, vendo que aquilo ali estava se praticando uma injustiça”.