O governador Eduardo Leite anunciou, no início da noite desta sexta-feira (19), que onze regiões do RS estão em bandeira preta no mapa preliminar, incluindo Porto Alegre. O mapa definitivo deverá ser divulgado na segunda-feira (22) com validade a partir de terça (23), mas, segundo Leite, a margem para solicitação de recursos pelas prefeituras é pequena, devido ao agravamento do contágio e da transmissão do coronavírus no Estado. Por isso, o governo anunciou medidas emergenciais.

Uma das medidas adotadas pelo governo é a que suspende atividades gerais entre as 22h e 5h em todo o Estado, independente da bandeira vigente na região. A medida deve valer de 20 de fevereiro até 1º de março. Um decreto a ser publicado no sábado (20) deve detalhar a regra. O governador Eduardo Leite afirmou que não se trata de um toque de recolher.

 

Bandeira preta: o que muda na classificação de risco altíssimo

As atividades presenciais em escolas e universidades, tanto públicas quanto privadas, ficam suspensas nas regiões em bandeira preta. A regra deve passar a valer na próxima terça, quando entra em vigor o mapa definitivo. No entanto, o Estado recomenda que as atividades já sejam suspensas na segunda, quando estava previsto o retorno de atividades presenciais na maior parte das instituições privadas do RS. Já nas regiões em bandeira vermelha, as atividades presenciais de educação podem ocorrer. A prefeitura de Porto Alegre afirmou que irá decretar a suspensão.

— É um quadro bastante crítico que nós estamos vivendo. A educação é algo importante que nós prezamos e nós defendemos a volta às aulas. mas na situação crítica que estamos observando, especialmente nestas regiões, fica suspensa a atividade escolar presencial.

Na bandeira preta, estão as regiões de Caxias do Sul, Capão da Canoa, Taquara, Novo Hamburgo, Canoas, Porto Alegre, Palmeira das Missões, Erechim, Passo Fundo, Santa Cruz do Sul e Lajeado. Além das bandeiras pretas, outras 10 regiões foram classificadas em vermelho, com alto risco para a covid-19: Bagé, Pelotas, Santa Rosa, Ijuí, Santa Maria, Uruguaiana, Guaíba, Santo Ângelo, Cruz Alta e Cachoeira do Sul.

Isso significa que 68,4% da população gaúcha está em áreas com o mais alto risco possível na classificação do governo do RS. As regiões que discordarem da classificação preliminar podem enviar pedidos de reconsideração ao Estado. O mapa definitivo será divulgado na segunda-feira (22), e valerá a partir de terça (23) até a segunda seguinte (1º).

Para divulgar as mudanças, o governador Eduardo Leite realizou uma transmissão online na tarde desta sexta. Normalmente, as atualizações sobre o mapa do Estado são divulgadas no site do governo.

Há a possibilidade ainda de ser suspenso o sistema de cogestão, pelo qual as prefeituras de cada região podem chegar a um acordo e adotar protocolos da bandeira imediatamente anterior. O governo deve avaliar essa possibilidade em reunião com a Famurs prevista para a próxima segunda-feira (22).

O cenário atual é de aceleração do contágio e das internações, como mostrou reportagem de GZH. Em uma semana, as hospitalizações cresceram 43% em leitos clínicos e 22% em unidades de terapia intensiva (UTIs), conforme dados disponíveis até as 13h desta sexta (19). Em decorrência da piora dos índices da pandemia de coronavírus em Porto Alegre e no Estado, alguns dos principais hospitais da Capital estão estudando ou implementando medidas restritivas para o atendimento a pacientes.

Para o governador, é é possível que este seja o pior momento no RS desde o começo da pandemia:

– Esse pode ser sim o pior momento (da pandemia), dado ao fato de não termos visto antes esta curva tão inclinada de internações em leitos clínicos e também nos leitos de terapia intensiva no Estado – avaliou Leite.

Mudança de perfil nas internações

Durante a live, Leite afirmou ainda que o governo vem observando uma “mudança de perfil das pessoas que estão sendo internadas”, que não são classificadas no grupo de risco da doença:

— Ainda não temos estudos suficientes para poder afirmar categoricamente as causas para isso, se é nova cepa, se é a variante, porque está acontecendo muito rapidamente. Mas é uma realidade que está ocorrendo no estado. O aumento de internações, o aumento de ocupação dos leitos muito rapidamente e que tem significado internações de pessoas sem comorbidades e que estava fora da faixa de risco — afirmou o governador.

— A gente identificou que pessoas que não tem nenhuma doença, que sempre falamos que não se encaixavam como os com fator de risco, estão internando mais. Então dá para gente pensar que podem os jovens agora estarem em maior vulnerabilidade e isso acende um alerta — afirmou a diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Cynthia Molina Bastos.

Até hoje, o RS só havia apresentado duas rodadas com bandeira preta, mas com poucas regiões classificadas nesta cor: em dezembro, com duas regiões, e em janeiro, com uma bandeira preta.

GZH