Restrição aos celulares nas escolas é positiva no Estado

Maioria dos estudantes gaúchos segue favorável ao não uso dos aparelhos
Maioria dos estudantes gaúchos segue favorável ao não uso dos aparelhos
LUIZA PRADO/JC

Passado um ano e meio da sanção da Lei (15.100/2025), que proíbe o uso de celulares nas escolas, uma pesquisa realizada pelo Centro de Educação Baseada em Evidências (Cebe) e pela Assessoria Técnica do Gabinete da Secretária da Educação do Rio Grande do Sul (Astec) mostra que, aproximadamente, 87% dos professores e direção, acreditam que houve um impacto positivo sobre a restrição dos celulares. Mais da metade deles dizem que há uma melhora na concentração dos alunos.

Nesse cenário, também se percebe uma evolução comportamental dos estudantes e, conforme Raquel Teixeira, secretária de Educação do Estado, “o mundo inteiro mostra essa melhora no comportamento. Um dos grandes desafios mundiais hoje é a captura da atenção das pessoas, mas, com as redes sociais, houve uma mudança muito grande, causando uma perda de adesão no que realmente interessa”, afirma.

Prendendo o foco dos estudantes, as redes sociais são vistas como uma das grandes vilãs – algoritmos viciantes, perda de concentração, foco, dificuldade para engajar em ações da vida real, além da liberação excessiva de dopamina (neurotransmissor conhecido como hormônio do prazer). Isso ocorre por conta das políticas de quem controla as redes sociais, que são de texto e vídeo curto, para engajar com mais coisas por mais tempo. O oposto do que é dito necessário na educação.

“Se o aluno não desenvolve na escola a capacidade de concentração, foco, criatividade, imaginação e curiosidade, não vamos ter quem tenha ideias no futuro. Quem é que vai fazer as grandes inovações? Esse é o risco. A proibição do telefone não tem nada a ver com tecnologia. É o que o mundo todo está fazendo para preservar a capacidade criativa dos alunos, para que sejam adultos criativos”, explica a titular da pasta.

Conforme a professora de Ciências do Colégio Marista Ipanema, Lessandra Weber, a restrição do uso do celular causou um estranhamento bem grande entre os estudantes e a comunidade escolar, isso porque, o colégio, um ano antes da lei entrar em vigor, já havia proibido o uso dos aparelhos. “Haviam gavetas nas salas de aula, quando o estudante chegava. No início da manhã, no primeiro período, eles guardavam o celular na gaveta e, no final da manhã, retiravam”, explica.

Com tudo já adaptado, Lessandra diz que a escola decidiu dar um voto de confiança aos estudantes, abolindo a gaveta. “Agora eles deixam o celular na mochila. Em princípio, tudo está se dando super bem, estão respeitando bastante essa regra da escola. Durante os intervalos, é muito bonito ver a interação dos alunos, há uma socialização muito maior”.

Já na rede municipal de Porto Alegre, a professora de História da Escola de Ensino Fundamental Gilberto Jorge, Laura Galli, diz que, apesar de algumas reclamações, a comunidade escolar assimilou rápido a medida. ” A recomendação é de que eles nem tragam o celular para a escola. Trabalhamos no período integral, e os alunos passam das 8h às 17h conosco, em princípio, sem usar o celular. Não é permitido nos recreios e nem no intervalo do almoço”.

Laura ainda diz que, em termos de aprendizagem, se nota bastante a diferença, principalmente, na questão da atenção. “Eu não sou partidária, pessoalmente, da proibição total, mas é inegável que ajuda”.

No cenário da rede estadual, o professor de História da Escola Estadual Cecília Meireles, Vitor dos Santos, fala que o uso na sala de aula ainda está sendo adaptado. “Não podemos perder de vista que o nosso aluno hoje já é um nativo digital, tendo em vista que ele está inserido no meio tecnológico desde que nasce. Ou seja, a questão de aceitar ainda é uma imposição de regras no convívio” afirma.

Santos acredita que uma possível solução seria o investimento na conscientização do uso das telas. “A proibição na sua totalidade, no meu ver, é negar a própria existência do aluno que está inserido no ambiente digital. O uso do celular, através de campanhas de conscientização seria de mais valia, e de ferramenta junto ao professor”, ressalta.

Segundo a pesquisa sobre a restrição da utilização dos celulares:

A restrição do uso do celular na escola está sendo respeitada?

De acordo com:

Estudantes – 69%

Professores – 76%

Gestão escolar – 85%

Qual o procedimento adotado pela escola? 

De acordo com:

Estudantes – 32%

Professores – 39%

Gestão escolar – 40%

Dizem que os celulares são mantidos com os estudantes, com a recomendação de permanecerem desligados e guardados na mochila.

O impacto refletido nas aulas foi positivo? (sim)

De acordo com:

Estudantes – 59%

Professores – 84%

Gestão escolar – 90%

Fonte: Pesquisa sobre a restrição da utilização de celulares – Centro de Educação Baseada em Evidências (Cebe) e  Assessoria Técnica do Gabinete da Secretária da Educação do RS (Astec). Estudantes: 5.601 • Professores: 2.381 • Gestão escolar: 2.217 • Outros funcionários: 190.

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