Empossado ontem, o novo presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Gabriel Souza (MDB), demonstra de maneira acertada a preocupação em buscar meios para reverter a crise de representatividade enfrentada pela política. Não é um problema que deve inquietar apenas quem está na vida pública. Afinal, é uma desconexão que, nos últimos anos, abriu brechas inclusive para o surgimento e o fortalecimento de movimentos antidemocráticos. É preciso encontrar formas de reatar a relação entre representantes e representados.

Na situação específica do parlamento gaúcho, Gabriel Souza mostra a disposição de apostar especialmente nas ferramentas digitais como a forma mais adequada e ágil para reconectar os anseios da sociedade aos deputados. Na era digital, ficou para trás a época em que as demandas dos cidadãos e das forças produtivas eram expressadas apenas nas ruas. Da mesma forma, é insuficiente que a insatisfação possa se mostrar somente a cada eleição, pelas urnas. Uma maior interação por meio da tecnologia, como prega o novo presidente da Assembleia, pode de fato se transformar no melhor instrumento para parlamentares construírem uma sintonia mais fina com as necessidades da população e, assim, transformar de forma mais efetiva e célere as aspirações em ações do Estado.

Assim como no plano federal, 2021 terá de ser um exercício de intensa atividade do Legislativo do Rio Grande do Sul. Não apenas devido ao combate à pandemia, mas pela necessidade de evitar que temas espinhosos sejam jogados para 2022, quando o clima eleitoral tende a dificultar votações de pautas controversas. É importante, portanto, a promessa de diálogo feita por Gabriel Souza, comprometendo-se a criar um ambiente propício para o debate em torno de projetos de grande interesse do Estado. A PEC do teto de gastos, a reformulação da previdência dos militares e o projeto de reforma tributária são três temas que serão encaminhados pelo Piratini e demandarão uma discussão que leve em consideração, em primeiro lugar, os interesses do Estado, e não de corporações ou setores específicos, embora pressões também façam parte do jogo democrático. A agenda da competitividade, encampada pelo antecessor de Souza, Ernani Polo (PP), também é merecedora de continuidade.

Um dos pilares da democracia é a separação dos poderes, assim como a harmonia entre eles. E o Rio Grande do Sul, ao contrário do Brasil, vive um saudável período de convívio e debates assentados em bases civilizadas, embora sempre possam existir divergências. O bom convívio institucional é um ponto de partida promissor para que sejam encontradas as melhores soluções para recolocar o Estado no caminho do equilíbrio fiscal, da justiça social e do desenvolvimento.

Opinião RBS