Mais um policial assassinado

Nesta terça-feira (16), em várias regiões do Rio Grande do Sul, policiais prestaram homenagens ao colega Escrivão de Polícia Edler Gomes dos Santos, assassinado na manhã daquele dia em Montenegro. Ele foi baleado quando participava de uma operação de combate a crimes rurais e comércio ilegal de armas. Este foi o quarto assassinato de policial em ação no estado em menos de um mês, e o quinto neste ano, sendo este policial civil, enquanto que as outras vítimas eram da Brigada Militar. É preocupante. Não se pode tratar a morte desses policiais como mera fatalidade, por isso precisam ser investigadas profundamente. Aprendi nos longos anos que servi à segurança pública, que o sucesso da atuação policial não se mede por estatísticas, mas se mede pela segurança dos profissionais que estão na linha de frente do combate à criminalidade. Uma polícia que tem quatro de seus agentes mortos em menos de um mês, tem que repensar imediatamente sua atuação. Interesses políticos não se coadunam com interesses da “segurança pública”. Essa política do governo Eduardo Leite, de fazer mais com menos, é porta de entrada para sucessivas tragédias.

Refletindo

Há sete anos aposentado, não consigo me desvincular do senso corporativo. Quando um policial é morto no exercício de sua função, pelas mãos de bandidos, não tem jeito, aí bate o espírito da solidariedade, a indignação, a angústia, acompanhada de tristeza. Mas é assim, alguns homens e mulheres escolhem proteger o mais sagrado direito que é o da liberdade e da vida. E optam por se arriscar, todos os dias e noites, a combater com dignidade, sem liberdade de escolha, a todo e qualquer tipo de criminoso, mesmo que eles fiquem apenas um ou dois dias na cadeia e voltem mais informados e bem armados para cometer novos crimes. Mesmo que esses criminosos joguem na cara dos policiais serem amigos desta ou daquela personalidade. Mesmo que os salários estejam atrasados e parcelados e as dificuldades a cada mês sejam maiores. Nesta terça-feira ouvi um desabafo do delegado Adroaldo Schenkel, Regional de Passo Fundo, onde ele desafiou: Temos muita gente que não sabe o que fala quando fala em carreira policial sem a mínima noção, inclusive políticos do nosso estado, que tem que refletir muito, e “lavar a boca” antes de falar de privilégios na carreira policial.