FURTADA DURANTE GRAVAÇÕES, arma utilizada em O Tempo e o Vento foi resgata com morador de Cruz Alta, que comprou objeto em leilão virtual

Peça rara forjada especialmente para as gravações do filme O Tempo e o Vento, um punhal de aço damasco foi recuperado pela Polícia Civil em Cruz Alta, no Nordeste do Estado, depois de quase cinco anos de sumiço. A arma, usada no filme pelo personagem Pedro Missioneiro, foi esculpida artesanalmente pelo cuteleiro de Porto Alegre Cassio Selaimen. Ele diz que a sua criação deveria ir a leilão após as filmagens, com a reversão do dinheiro arrecadado para a Santa Casa de Misericórdia, na capital do Rio Grande do Sul.

Isso não ocorreu porque o objeto foi furtado. Não se sabe se o crime ocorreu na cidade cenográfica Santa Fé, instalada à época no interior de Bagé, ou no set de filmagens, no Rio de Janeiro. O tempo passou sem solução para o caso, mas, em abril deste ano, após receber uma informação de que o objeto estaria em Cruz Alta, Selaimen decidiu registrar boletim de ocorrência na cidade.

– A pessoa comprou no leilão recentemente, pagou R$ 1,9 mil. E agora estava tentando revender em grupos de colecionadores do WhatsApp. Printaram as telas e me avisaram. É uma peça que ficou famosa por ter sido furtada. Conheço a pessoa que estava com a peça, é de boa-fé. Avisei para que não vendesse porque iria se incomodar. E registrei o boletim de ocorrência – conta Selaimen, ortodontista que se dedica à cutelaria nas horas vagas.

Na sexta-feira, agentes da 1ª Delegacia de Polícia de Cruz Alta apreenderam a arma, que estava em posse de um morador da cidade gaúcha que havia adquirido o punhal em leilão virtual promovido por casa do ramo do Rio.

O delegado Josuel Muniz diz que o comprador não agiu de máfé. Ele não teria conhecimento, no ato do arremate, de que o objeto havia sido utilizado no filme:

– Não vejo como indiciá-lo. Estou certo de que não houve dolo. E não me parece que ele teve culpa porque comprou em uma casa de leilão famosa, tem a documentação da compra, tem nota fiscal.

HISTÓRICO E ESTÉTICA DÃO VALORES DA PEÇA

A Polícia Civil apurou, junto a especialistas e colecionadores, que o punhal vale aproximadamente R$ 25 mil devido a fatores como originalidade, estética, qualidade, fator histórico e autoria, já que Selaimen é um dos cuteleiros mais conhecidos do país.

O delegado pretende finalizar o inquérito em 30 dias. Ele irá expedir carta precatória para que a Polícia Civil do Rio ouça o leiloeiro. A intenção é esclarecer como a peça chegou ao local e verificar se a casa tem responsabilidade no caso.

– Vamos tentar identificar o furto, onde e como ocorreu. E, se possível, quem foi o autor – explica Muniz.

Enquanto perdurarem as investigações, o punhal ficará no cofre da 1ª Delegacia de Polícia de Cruz Alta. O destino da raridade ainda está indefinido.

– Provavelmente vá a leilão para beneficiar a Santa Casa de Misericórdia, como era o plano inicial, ou volte para o Cassio Selaimen – diz o delegado.

O criador da relíquia traça planos semelhantes.

– Certamente, essa peça vai ser devolvida para mim. Como estou sempre envolvido em leilões beneficentes, não vai faltar oportunidade para fazer uma festa e o leilão desse punhal para a Santa Casa de Porto Alegre – projeta Selaimen.

Gauchazh