Reeleição

Quando, algumas semanas atrás, o diretor do jornal, Renato Marodin, me sugeriu como pauta uma entrevista com alguns prefeitos da região questionando-os se concorrerão à reeleição no ano que vem, argumentei a ele que dificilmente teríamos resposta a essa pergunta específica. Não deu outra. Segui a orientação da direção e enviei via WhatsApp, a seguinte pergunta: Prefeito, o senhor pretende concorrer à reeleição em 2020? Por quê? Dos onze prefeitos destinatários, dois nem leram, oito leram e ignoraram, e um, o de Chiapetta, respondeu. A resposta foi exatamente como previ, já é praxe, é responder não respondendo. Na nossa interpretação, todos os prefeitos consultados pensam sim em concorrer à reeleição. Do contrário, seriam claros e abririam espaço para seu partido ou coligação articular com a antecedência devida um novo nome. Salvo que, para eles, candidato não precisa se preparar para ser prefeito. Aliás, esse é um problema crônico, candidatos sem perfil de gestor.

Do prefeito Eder Both

Em resposta ao nosso questionamento, o prefeito Eder, de Chiapetta, disse: “Por enquanto a gente não pensa isso, por dois motivos: O primeiro é que nós fomos eleitos para um mandato de quatro anos, e passamos pouco mais da metade desse período, então temos muitas outras coisas ainda, muitas demandas, muitos projetos, que a gente tem a obrigação de estar trabalhando e não projetos políticos. E segundo é que eu acredito que não fica bem nem para a administração e nem para a comunidade a antecipação demasiada do processo eleitoral. É um debate importante e que deve acontecer, mas que deve acontecer no momento certo, que é o período estabelecido pela legislação e vem lá no ano que vem quando acontecerá a abertura desse período”.

Eleições 2020

Tudo indica que em 2020 teremos eleições municipais com ambiente eleitoral muito diferente dos últimos pleitos e todo prefeito que não entender imediatamente o que está por vir corre o risco de ver sua reeleição afundar. Parte desse ambiente virá de mudanças na legislação eleitoral, outra parte pela mudança no comportamento do eleitor e, por fim, pelo crescimento no uso da internet e nas redes sociais.

Aliás

Ao contrário do que muitos pensam, quem busca reeleição está em uma situação não muito confortável, pois enfrentará como adversário a própria gestão e, na maioria dos casos, a insatisfação do eleitorado e o desejo por algo novo. Nestes casos, quem não quiser ser surpreendido, deve começar de imediato uma revisão de tudo que foi feito até agora, para compreender como a população percebeu a gestão até agora, e traçar correções que tenham impacto antes do ano eleitoral. Muitas vezes o poder sobe à cabeça impedindo que sejam enxergadas e reconhecidas as necessidades básicas do dia a dia da população desde a iluminação pública, limpeza, manutenção e organização dos espaços públicos, das ruas, passeios públicos, estradas do interior para escoamento da produção agrícola, enfim, são pontos fundamentais que o eleitor leva em consideração para decidir seu voto na eleição seguinte. E mais, o gestor público deve estar próximo da população, atento às necessidades e “em conjunto” buscar e tomar as melhores decisões para melhorar o município e a vida dos munícipes.

 A propósito

2020 já começou e é preciso estar cada vez mais preparado para os desafios dessas eleições que serão diferentes de todas as que você já disputou ou acompanhou.

 Fim das coligações

Na legislação eleitoral, uma mudança significativa que entra em vigor para 2020 é o fim do sistema de coligações para candidaturas proporcionais que, na prática, inviabiliza o uso de puxadores de votos para coligações. Com essa mudança, serão eleitos os candidatos mais votados apenas dentro dos seus partidos, desde que o partido consiga atingir o quociente eleitoral. Logo, partidos que quiserem ter uma chance maior de elegerem vereadores terão que se esforçar em lançar candidatos muito competitivos para vereança ou ter, no mínimo, um bom candidato à prefeito.