Suspeitas de improbidade administrativa envolvendo o prefeito Vladimir Vettorato, de São Valério do Sul, são assuntos polêmicos e temas de debates e discussões na Câmara de Vereadores e na comunidade, com encaminhamento ao órgão do Ministério Público. O prefeito é tido como suspeito de desviar, em proveito próprio, parte de 77 toneladas de adubo que seria destinado aos agricultores familiares indígenas do município e de ter usado dependências públicas (Parque Municipal de Eventos) para depositar esse adubo. Também, o fato de a empresa Ferramentas Mauá, em nome da esposa do prefeito, estar instalada, indevidamente, em um prédio público, do município, sem nenhuma autorização ou formalidade legal.

Nesta quarta-feira (17), o prefeito Vettorato procurou o blog para dar sua versão sobre os citados casos.

ADUBO

Com relação a polêmica do adubo, não tem nada de errado, a não ser o erro de eu ter depositado um material meu lá também (no Parque de Eventos). E quando fomos recolher, é que eu soube que o adubo dos índios tinha sido colocado lá, e aí um pessoal, tentando explorar politicamente aquilo, fez toda aquela encenação. No momento fiquei um pouco constrangido, chamaram polícia para me prender, apreender o material, mas a gente mostrou documento, notas fiscais. Eu não tinha espaço lá no meu (galpão), eu tinha comprado um outro volume muito grande de adubo, vinha a colheita, precisava armazenar semente, estava com pouco espaço, mas, foi provisório, por poucos dias.

O processo em si, onde gerou depois aquela polêmica com as notas, Cotricampo e todo esse troço aí, eu como prefeito até desconhecia, porque o prefeito não se envolve diretamente e eu nunca me envolvi naquela situação do projeto desse adubo. Eu não participei, não acompanhei, porque o prefeito delega poderes para as comissões e são elas que efetivamente fazem isso, então, nunca entreguei adubo, nunca recebi adubo, nunca participei de nada. Aí, procurei me aprofundar também, depois que as coisas aconteceram, e acabei vendo que esse material, hoje, está depositado, porque foi transferido, os índios transferiram lá para a Área Indígena, pro depósito deles, esse material que é o alegado. Então, está lá para quem quiser ver, dentro do depósito dos índios, tal qual foi o que diz que estava ali, tanto que os elementos são muito frágeis dessa situação toda, porque a polícia encaminhou ao Ministério Público, o Ministério Público, num primeiro momento, entendeu que não havia crime, mandou que mostrassem onde estava o crime. A partir desse momento, a única coisa que eles fizeram foi a entrega das notas. Com a entrega dessas notas, a Promotoria de Santo Augusto encaminhou isso para a Procuradoria de Prefeitos.

Até o momento, eu não fui intimado, nem citado, embora já tenha mandado ofício para a Promotoria, onde eu gostaria de conversar pessoalmente com a Promotora, através do meu advogado, e explicar esse fato. É uma situação em que nada disso é real e, como eu já provei com documento, o que estava lá era meu. O outro também se encontra lá e tem uma parte que a empresa falta entregar, e uma parte os índios já utilizaram, tanto que a comunidade indígena, através das suas lideranças, forneceram para a prefeitura uma declaração firmada em cartório, com firma reconhecida do cacique Adilson, do presidente do conselho, enfim, da liderança, dizendo que esse material se encontra lá, uma parte já foi usada por eles e outra parte está lá para ser usada. Essa seria a situação desse adubo. Então, eu gostaria de colocar isso, que é o meu lado.

USO DE PRÉDIO PÚBLICO PARA COMÉRCIO PARTICULAR

Quanto ao envolvimento da empresa Ferramentas Mauá, que está em nome da minha esposa, eu em momento nenhum invadi aquilo lá. Eu vim para São Valério fazem aproximadamente quinze, dezesseis anos e juntamente com minha família me estabeleci ali. Nós viemos a convite, no final do governo do Ari Barth. Essa empresa já gerou muita polêmica em São Valério, porque a gente está num prédio público, a gente veio para São Valério com a expectativa de que logo nos seria oferecido na época, que foi a promessa, uma área adequada para a gente construir e se instalar. Passaram vários prefeitos, vários mandatários, a gente sempre protocolou pedidos, providências, para que nos disponibilizassem uma área de terra, um terreno público, uma área industrial, porque a empresa iria construir e se adequar.

Sempre vivemos de promessa e foi um dos motivos, por exemplo, que esse grupo que hoje me acusa, no passado até usou essa empresa em palanque político para dizer das conquistas, mas, eu sempre fiquei muito chateado porque a gente perdeu oportunidade de crescer por não ter espaço adequado. Portanto, a nossa empresa, desde que se estabeleceu no município, ela usa esse prédio. E lógico, com o passar dos anos, apresenta, hoje, algum problema. Mas, a empresa está aí, gerando emprego e renda, hoje estamos com oito funcionários, mas já chegamos a ter doze. Para finalizar, informo que já estamos com um projeto próprio, adquiri uma área, e vou mudar a empresa pra lá.