“Eu me preocupo muito com essa área do empreendedorismo. Acho que o prefeito tem que estar sempre atento, incentivando e buscando soluções para esse setor”.

Lilian Fontoura Depiere (DEM), a primeira mulher eleita prefeita em Santo Augusto, elegeu-se com a proposta de inovar a gestão pública municipal. Nestes primeiros seis meses de governo, com ideias inovadoras, tem planejado e promovido ações relevantes nas áreas que envolvem o sistema econômico (comércio, indústria, emprego), social, infraestrutura, educação e saúde.

A prioridade número 1 da prefeita Lilian, segundo ela própria, é o desenvolvimento econômico do município, envolvendo e valorizando todo o setor produtivo gerador de trabalho, emprego e renda, e buscar o apoio e orientação dos segmentos técnicos existentes como o Instituto Federal Farroupilha, SEBRAE, SENAI, entre outros.

Na parte social, Lilian desenvolveu uma ação “pequena, mas grandiosa”, que foi a reforma básica de cem casas de pessoas carentes; na parte da infraestrutura resolveu e está resolvendo problemas crônicos em algumas ruas que, por falta de tubulações e drenagens adequadas, a inundação causava transtornos.

Conseguiu e está em fase de implantação a Escola Cívico-Militar, a ser inaugurada em setembro. Adotou o sistema do uniforme aos alunos de toda a rede escolar municipal, com distribuição gratuita dos uniformes. Está com projeto para adotar o turno inverso nas escolas municipais, com oficinas voltadas ao despertar interesses e habilidades, preparando as crianças para pensarem no futuro. Para breve funcionará uma incubadora, para auxiliar futuros empreendedores.

Tudo isso, e muito mais, o leitor encontrará na entrevista a seguir, que a prefeita Lilian concedeu ao jornal O Celeiro.

 O Celeiro – No quesito desenvolvimento econômico, como está o projeto da “nova Área Industrial”?

Lilian – Estamos organizando e está previsto para ser instalada num terreno de cinco hectares, de propriedade do município, situado em frente a UTAR, margem da ERS-155. A parte burocrática está sendo organizada pelos nossos técnicos, contando com o apoio do Conselho Municipal da Indústria e Comércio, um grande aliado nesse projeto e que se reúne mensalmente conosco para tratar da questão. A previsão é dividir a área dos 5 há em cinco lotes, de modo a abrigar empresas maiores. Inclusive, uma empresa, a construtora Carpenedo, de Santa Rosa, já definiu que vai instalar ali uma “Concreteira”. Tão logo oficializada e montada a infraestrutura necessária, essa empresa se instalará no local.

O Celeiro – Infraestrutura necessária, em que consistirá?

Lilian – Isso a gente ainda não conversou, mas em primeiro lugar a acessibilidade, ruas traçadas e devidamente pavimentadas, rede de energia elétrica, rede de abastecimento de água, de informática, entre outras.

O Celeiro – Para quando é prevista a instalação da Nova Área Industrial e início da ocupação por empresas interessadas?

Lilian – Eu queria muito este ano ainda, só que estou apavorada com o tamanho da burocracia dentro da Prefeitura. Precisamos desburocratizar nossos serviços e agilizar os atendimentos. Estou, numa parceria com o SEBRAE, trabalhando o projeto “Cidade Empreendedora”, para tentar desburocratizar. “O que tem que andar são os papéis dentro da Prefeitura, não as pessoas lá de fora ter de estar indo de setor em setor, protocola um documento num setor, tem de ir lá protocolar no outro, andar daqui para ali, voltar novamente repetidas vezes… Isso tem que terminar, protocola uma vez e o papel tem de sair pronto, ‘é a Prefeitura que tem que andar’, não as pessoas”.

O Celeiro – E quanto ao projeto da INCUBADORA, como está o andamento?

Lilian – A questão da incubadora já está um pouco mais adiantada. Se tudo correr bem, dentro do nosso cronograma, no fim de setembro vai ser inaugurada. É um projeto da Prefeitura, em parceria com o Campus do Instituto Federal Farroupilha e a Associação Comercial de Santo Augusto. Vai funcionar no antigo prédio da Prefeitura, situado em frente ao atual Centro Administrativo Municipal (o prédio vai ser totalmente reformado). A parte técnica da incubadora fica sob a responsabilidade do Instituto Federal, e os demais, cada um ficou com um tema e todos estão se organizando. Faremos um chamamento público às empresas interessadas, as quais receberão o apoio técnico, capacitação, viabilidade do negócio, enfim, toda a orientação desde a abertura da empresa.

O Celeiro – E como vai funcionar a incubadora?

Lilian – As empresas interessadas vão ter a pré-incubação, depois vão para a incubação, e ali criam-se ambientes de trabalho, vários, onde aquelas pessoas que ainda não têm estabelecido um endereço possam usar ali para fazer negócios, para construir ideias. Vai ser realmente um ambiente muito propício para o empreendedorismo. Nós temos que usar os recursos que, felizmente, temos, como o IFFar, que tem toda a orientação técnica necessária, e se dispõe a contribuir com o desenvolvimento do município.

O Celeiro – Na sua visão, para ser empreendedor, é preciso vocação ou preparação?

Lilian – Os dois. Mas para ambos tem que haver o despertar. Nesse sentido, ontem (02), fui ao SENAI, em Panambi. Voltei maravilhada. As Prefeituras, por força de lei, têm de gastar 25% do orçamento em educação. Os prefeitos andam apavorados porque não têm onde gastar todo esse valor. Mas tem que gastar. Então o que está acontecendo? O dinheiro está indo pelo ralo, as prefeituras estão repintando paredes de escolas, recolocando azulejo, coisas assim, absurdas. Então fui atrás, tenho na cabeça uma ideia que quero muito colocar em prática, que é o turno inverso para os alunos das escolas municipais. Só que eu não quero que que o turno inverso sirva para as crianças irem jogar futebol, dançar, eu quero que elas façam alguma coisa já se preparando para pensarem no futuro. Por exemplo: ensinar uma criança de oito anos a lidar com um martelo, com um serrote, a pintar, a cortar. São oficinas que tem que acontecer, em que vão lá profissionais de várias áreas, robótica, oportunizando que as crianças despertem a curiosidade, mexam, descubram, criem. Então, eu fui lá no SENAI conversar com eles, porque eu quero que eles desenvolvam esse projeto pra mim. Eu não quero gastar dinheiro em coisas que não têm necessidade, eu quero gastar dinheiro em coisas que eu sei que as crianças vão estar ali no turno inverso fazendo uma coisa que elas vão gostar de fazer e despertando, talvez, para o futuro. Temos de fazer alguma coisa, as crianças não podem viver só em frente do computador, do celular, perdendo o contato com os adultos. Eu falei pra minha secretária (da educação), vou ir atrás do SENAI pra eles desenvolverem esse projeto pra mim.

O Celeiro – E para adultos, pensas em trazer o SENAI para dar algum curso?

Lilian – Sim. Nós vamos trazer, no mês de novembro, dependendo da agenda deles, uma capacitação, aonde o SENAI vem com as carretas, ficam trinta dias, e nós vamos oferecer vinte bolsas profissionalizantes na área de solda MIG, que é onde tem muita demanda e muita procura de profissionais, e há muita falta de profissionais capacitados. Então, nós vamos oferecer essa capacitação, que é cara, R$ 27 mil para vinte pessoas, mas é coisa de fundamento.

O Celeiro – Há outros cursos do SENAI previstos para Santo Augusto?

Lilian – Já pedimos, e o SENAI respondeu positivamente, para a área da construção civil, cursinhos rápidos, de como assentar uma lajota, como fazer uma pintura, coisas básicas, tipo encanador, pintor, e outros, objetivando oferecer uma capacitação para essas pessoas que estão desempregadas.

O Celeiro – Mais alguma coisa sobre empreendedorismo, trabalho, emprego?

Lilian – Eu me preocupo muito com essa área do empreendedorismo. Acho que o prefeito tem que estar sempre atento, incentivando e buscando soluções para esse setor. Eu vou fazer isso durante todo o meu mandato. Me volto intensamente para o trabalho, emprego e o desenvolvimento. Por exemplo, já estamos com doze pessoas indo a São José do Inhacorá; esta semana já chamaram mais dez. A empresa vai chamar dez cada quinze dias, até fechar a lotação de um ônibus. E são pessoas que se profissionalizam lá. O que é bom. A iniciativa gerou críticas de alguns, porque a prefeitura patrocina o transporte, mas as pessoas que estão indo lá trabalhar, elas se profissionalizam pro mercado daqui depois.

O Celeiro – Reforma de casas de pessoas carentes, o que a levou desenvolver essa ação já nos primeiros meses de governo?

Lilian – Fizemos reformas e reparos em cerca de cem casas. E vou fazer mais um aporte de recursos para continuar essa ação de governo, que é precedida de levantamento prévio para definir a situação de cada uma. São pessoas que querem umas tabuinhas, umas cumeeiras, umas telhas, eles querem pouca coisa. Eles querem, e precisam, arrumar aquelas frestas da casa, aquele telhado que chove dentro. Ajudamos quase cem famílias a fazer um banheirinho, a arrumar as suas casas, porque, realmente, na campanha, isso me comoveu muito, crianças naquelas casas com assoalhos furados, dormindo entre bichos de noite. Eu sou contra o assistencialismo que a pessoa não precise trabalhar. A pessoa tem que trabalhar, mas a gente tem de ajudar as pessoas nesses momentos críticos, expostas ao frio rigoroso e à chuva. É o pouco que o Poder Público pode fazer por essas pessoas este ano. Para o ano que vem, eu quero adquirir um terreno, uma área, já estamos vendo isso, possivelmente no bairro São João, para construirmos um núcleo residencial de cem casas.

O Celeiro – Para isso, pretendes buscar recursos junto ao governo federal?

Lilian – Sim, estamos esperando um pouquinho para ver o que vai entrar de programa, possivelmente o “Minha Casa Verde e Amarela”. O inconveniente, nesse programa, é que não contempla essa população que realmente precisa, ele contempla aqueles com renda de R$ 1.800,00 por mês, excluindo quem ganha menos que isso ou que não tem renda. Para o ano que vem, a minha prioridade vai ser essas moradias. Agora, essas reforminhas, foram para resolver as questões mais graves, apenas.

O Celeiro – E o interior também vai ser beneficiado com as reformas de casas?

Lilian – Ainda não iniciamos no interior, mas eu defendo muito que o Poder Público ajude as pessoas do interior nas questões da moradia, até para evitar o êxodo rural. Nosso interesse é que eles permaneçam lá na propriedade deles.

O Celeiro – E a Escola Cívico-Militar, como está esse projeto?

Lilian – A Escola Cívico-Militar está oficializada e tudo devidamente encaminhado. O nosso desejo é de inaugurar em 20 de setembro deste ano. O único entreve está sendo a publicação do edital, por parte do Estado, para contratação dos monitores (policiais militares da reserva remunerada). Já temos os três monitores previstos, mas eles dependem do edital para poderem se inscrever e, a seguir, serem contratados. A Escola São João foi transformada, através de decreto, em Escola Cívico-Militar, assim todo o corpo docente e discente da escola permanece lá. Contudo, os pais têm a liberdade de escolher se seus filhos lá permanecerão ou não. Mas já temos uma fila de espera que poderia montar outra escola. Os monitores militares atuarão na parte externa das salas de aula, na orientação disciplinar, hierárquica e valores cívicos.

O Celeiro – Os alunos da escola deverão estar uniformizados?

Lilian – Sim. Esta semana deverá sair a licitação dos uniformes. Vamos dar uniforme para toda a rede de ensino municipal, incluindo tênis, casaco, calça, camiseta, tudo. E, para a escola cívico-militar, além daquele uniforme esportivo, como a gente chama, eles vão ter a farda militar.

O Celeiro – Na saúde, quando iniciará o atendimento 12 horas no Posto Central, prometido na campanha?

Lilian – No próximo dia 2 de agosto queremos iniciar, com médico presente durante as 12 horas, das 7 às 19h, com atendimento padrão durante todo o período. Estamos organizando as equipes, provavelmente serão equipes do mesmo quadro. A única coisa que vai aumentar são algumas horas do médico.