José Otávio Germano | Foto: Agência Câmara

Da Redação

O Progressistas divulgou nesta quinta-feira (28) uma nota anunciando a decisão do partido pelo afastamento do deputado federal José Otávio Germano. A decisão vem seis dias depois de um vídeo ser veiculado na imprensa local, onde supostamente duas mulheres transexuais estariam cobrando dívidas por programas e venda de drogas, feitas ao parlamentar, em frente ao prédio dele, no bairro Partenon, em Porto Alegre. O episódio chegou a ser intermediado pela Brigada Militar.

Na nota, o PP classifica o episódio como “lamentável no campo da moral e da ética” e pede perdão à comunidade, eleitores e filiados pelo ocorrido. O partido diz que “como instituição (…) não tem compromisso com erros individuais”, que “o parlamentar citado terá o direito de se defender e provar sua inocência”, como todo e qualquer cidadão brasileiro. “A nossa régua moral é a mesma para adversários e para correligionários. O Partido é uma instituição e preservar seu patrimônio é compromisso de todos”.

O texto comunica que, em uma reunião da Comissão Executiva, realizada na terça-feira (26), foi analisada como “de difícil justificativa o conjunto daquelas ocorrências, as quais – sempre resguardado o direito de defesa e a prova da verdade – por ora maculam a representatividade por si exercida, bem como atingem a dignidade da pessoa humana, no que tange à vida privada do Deputado”. Citando o estatuto, o partido anuncia que, “mesmo sendo doloroso”, decidiu afastar Germano das atividades partidárias e das funções exercidas na Comissão Executiva e no Diretório Estadual do Progressistas do Rio Grande do Sul.

O partido comunica ainda que os fatos serão submetidos à análise do Conselho de Ética do partido, que avaliará se oferece denúncia junto ao diretório nacional. O PP anunciou ainda que o caso deve ser discutido na convocação da Comissão Executiva Estadual, que tem reunião marcado para o dia 30 de julho, em Porto Alegre, para definir a lista oficial de candidatos indicada pelo Diretório a ser votada na Convenção Estadual do dia 4 de agosto.

Germano, que já projetava um quinto mandato parlamentar, pode ficar de fora da disputa em outubro. Em março, por decisão do Supremo Tribunal Federal, ele foi um dos quatro políticos do PP a virar réu na Operação Lava Jato, por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O único do Rio Grande do Sul.

Em setembro, os demais deputados gaúchos do partido convocaram uma coletiva após ter as denúncias contra eles arquivadas. Germano era o único ausente na mesa. Na ocasião, o presidente do PP/RS, Celso Bernardi, afirmou que “o partido não tem compromisso com o erro” e não seria “guardião de qualquer desvio de conduta”. A expulsão do deputado, porém, estaria nas mãos da executiva nacional do partido. Na época, Bernardi chegou a dizer que Germano já estaria afastado das funções internas da legenda. “É pesaroso, é desconfortável? Evidente que sim. Mas somos um partido de anos, um partido de homens que cometem erros. Quem comete erros tem que pagar por eles. Isso é muito claro”, declarou Bernardi.

Sul21