Camelôs vendendo camisas do Brasil. Ufa. (Foto: Paulo Polzonoff Jr)
Dizer que ninguém tá nem aí para a Copa do Mundo é um evidente exagero. Tem uns que estão “um pouco aí”. Procurando bem, é capaz até de você encontrar alguém que esteja “muito aí”. Mas não é como antigamente, quando as pessoas decoravam as ruas e sacadas e as bandeirinhas do Brasil eram onipresentes nos carros. A Copa do Mundo já foi um acontecimento que se aguardava ansiosamente de quatro em quatro anos. Hoje, meh.
Mas por quê, meu Deus?! Por quê?! O futebol da seleção brasileira não ajuda, eu sei. Não empolga. Mas apenas o futebolzinho limitado da nossa “Bolívia com grife” explica o desinteresse da população pela Copa do Mundo? A perda da mística? Duvido. Será que só gostávamos mesmo de ganhar? Mas ganhar nunca foi uma certeza absoluta. Estava mais para uma esperança assim beeeem forte. Além disso, caramba!, tem a memória afetiva das copas passadas. Da tragédia de 1982 à glória de 2002. Para onde é que foi tudo isso?
Gooooooool…….. do Brasil!
Muita gente diz que futebol é perda de tempo. Cortina de fumaça – sempre ela. Ópio do povo. Pão & circo. Pode ser, pode ser. Mas por que não nos darmos o prazer de perdermos um tempinho contemplando a cortina de fumaça? Por que não nos inebriarmos do ópio do povo? Por que não nos empanturrarmos de pão e circo? Afinal, são apenas dois meses e a vida não pode ser só preocupação, guerra ideológica, política, política, política. Ou até pode, mas que vida infeliz é essa, hein!
Dei uma voltinha pelo centro. Os camelôs estão cheios de camisetas do Brasil. Me deu certo alívio. Na praça, crianças trocam figurinhas em frente à banca. Ufa! É pouco, mas já ajuda. Porque não dá, gente, não dá para suportar a vida nesse estado permanente de medo de um futuro tenebroso. Não dá. Em algum momento a gente vai ter que voltar a apreciar as pequenas vitórias (mesmo que seja contra o Haiti) ou a suportar as derrotas. Nem que seja para aprender que elas não são – não são! – insuportáveis.
