Ezequiel seria o autor do disparo que matou o PM e líder do grupo    Polícia Civil / Divulgação

Em coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira (6), a Polícia Civil divulgou as identificações de mais dois suspeitos de envolvimento no ataque ao Banco do Brasil de Porto Xavier, no Noroeste. Um deles foi identificado como autor do disparo que matou um policial militar um dia após o roubo. O cerco aos assaltantes foi encerrado na sexta-feira (3). Quatro envolvidos com o crime foram presos, entre eles um sargento aposentado da Brigada Militar (BM), e um foi morto em confronto.

Segundo o delegado Heleno dos Santos, os dois foram identificados como Ezequiel David Trindade, 30 anos, e Luciano Aguilar de Mattos, conhecido como Lucianinho, 43 anos.

Trindade seria natural Erechim e morador de Passo Fundo, na Região Norte. Ele é um dos três presos que escapou pelo teto do Presídio Estadual de Cruz Alta em 19 de fevereiro.Conforme o policial, ele seria o autor do disparo que matou o soldado da BM:

— As provas são bem seguras nesse sentido. Ele tem vários antecedentes a roubo a banco. É apontado como um dos maiores assaltantes de banco no Estado. Está foragido desde fevereiro. Ele muda bastante de aparência.

Questionado sobre como Trindade foi identificado como sendo o autor do disparo, o delegado afirmou que não pretende detalhar a investigação. Mas disse que a perícia confirmou que o disparo teria partido do assaltante:

— A perícia mostra claramente, embora eu não possa detalhar como aconteceu, todo cenário descrito na prova pericial é bem claro para apontar o Ezequiel como autor do disparo fatal.

Lucianinho, conforme o policial, também está foragido. Ele teria envolvimento no assalto, mas não no disparo que atingiu o soldado. Ele é natural de Porto Lucena, na Região Noroeste, mas seria morador da Região Metropolitana.

— Ele tem envolvimento em vários roubos a bancos no RS. Estava envolvido no roubo ao banco, mas não na morte. Ele conhece bastante a região. Esse repasse de informações locais facilitou a ação deles — afirmou Santos.

Polícia Civil / Divulgação
Lucianinho, como é conhecido, estaria envolvido no crimePolícia Civil / Divulgação

O delegado afirmou novamente que o policial militar chegou a dar ordem para que os assaltantes se entregassem, mas acabou sendo morto:

— O Fabiano Heck Lunkes deu todos os comandos para quer os criminosos entregassem as armas e se rendessem. Ele acabou baleado em seguida.

Segundo o delegado, há mandado de prisão preventivcontra os dois suspeitos. Uma das hipóteses é que os criminosos possam ter escapado para outro Estado.

— Não há resultado investigativo que supere a perda de um colega, como no caso do Lunkes. Mas temos mandado de prisão preventiva para os dois. Como são criminosos contumazes, a localização deles será difícil. Mas a polícia não medirá esforços para que isso aconteça — afirmou Santos.

Ainda de acordo com a investigação, Trindade seria o principal líder do grupo criminoso. Já o policial militar aposentado, preso dias após o crime, é apontado como o responsável pelo apoio logístico.

— As provas indiciam que o principal articulador do grupo é o Ezequiel. Seria o líder desse grupo. Ele é suspeito de outros roubos a banco na região. O papel do aposentado também foi decisivo, com o levantamento dos bancos e da movimentação das duas polícias. Exerceu papel muito importante para esse crime — afirmou o delegado Santos.

Sobre o dinheiro roubado, o policial confirmou que parte da quantia ainda estaria com o bando. A Polícia Civil não confirma valores, mas em despacho judicial que converteu as prisões em preventivas consta que teria sido roubado R$ 1,1 milhão.

O tenente-coronel Alexandre Britte, comandante da Brigada na Fronteira Noroeste, afirmou que as buscas foram encerradas na última sexta-feira por conta dos indicativos de que esses dois não estariam mais embrenhados nos matagais. Uma das suspeitas é que os dois tenham fugido rastejando.

— Tínhamos cerca de 150 policiais envolvidos 24 horas por dia. Havia grande possibilidade de que esses dois restantes não estariam mais lá, mas já estavam devidamente identificados — disse.

Quem são os outros envolvidos

 

Delci Engers, 59 anos 

Três dias após o assalto, no sábado, dia 27 de abril, foram capturados três suspeitos do crime, entre eles o policial militar aposentado. O sítio do sargento da reserva, segundo a Polícia Civil, teria sido usado para planejar o crime e também como esconderijo do bando antes de o assalto ser cometido. Engers também teria sido responsável por fazer o levantamento nas proximidades do banco antes do crime. Levado à Delegacia de Polícia, o militar se manteve em silêncio.

 

Ivo Zimmer, 57 anos 

Foi preso na propriedade do policial militar da reserva, onde o grupo teria planejado o crime. Ele é apontado como um dos que teria prestado apoio logístico ao bando. A identificação dele, assim como do sargento aposentado, foi possível a partir da prisão de um primeiro suspeito.

 

Flávio Rogério Oliveira, 53 anos

Morador de Gravataí, na Região Metropolitana, foi detido em uma praça em Porto Lucena. Ele foi até o município de ônibus, desceu na rodoviária e tentou comprar alimentos e remédios. Neste momento, a BM foi acionada. Aos policiais, segundo o delegado Santos, confessou informalmente participação no crime.

 

Aleixo Gustavo Zelinski, 24 anos  

quarto preso negociou sua apresentação à polícia por meio de uma advogada e se entregou há uma semana, na segunda-feira, dia 29. Aleixo Gustavo Zelinski, 24 anos, era conhecido da polícia e estava entre os suspeitos investigados, segundo a Polícia Civil. O delegado Heleno dos Santos afirmou que o preso colaborou com “informações impactantes” para a investigação.

 

Ezequiel Martim de Souza, 32 anos

No dia 28, um domingo, houve novo confronto e um suspeito de envolvimento no assalto foi morto durante troca de tiros com policiais. Ele teria tentado furar o cerco no fim da manhã. Com ele, foi apreendido um fuzil, mas há suspeita de que o grupo tenha mais armamentos. A identificação do criminoso foi feita, segundo a polícia, pela família.

Entenda o caso 

Na tarde da quarta-feira (24) criminosos atacaram uma agência do Banco do Brasil em Porto Xavier, no noroeste do Estado. Os ladrões chegaram atirando contra os vidros da agência bancária. Em seguida, alguns deles obrigaram moradores a formar um cordão humano, enquanto outros seguiam em direção ao cofre e aos caixas.

Policiais ouviram os disparos e foram até o local. Quando chegaram, foram recebidos a tiros.Os assaltantes fugiram em dois veículos levando três reféns, que foram liberados em seguida, na saída da cidade. Ninguém ficou ferido. Iniciaram-se as buscas aos criminosos.

Os assaltantes conseguiram fugir para um matagal no interior de Campina das Missões. Por volta de 3h30min, o grupo teria tentado sair da mata e encontrou o cerco policial. Os bandidos portavam fuzis e atiraram contra os PMs. O soldado da Brigada Militar Fabiano Heck Lunkes, 34 anos, foi atingido por um disparo na região do tórax e morreu durante atendimento médico.