Líder evangélico extorquia dinheiro de empresário em Eldorado do Sul. Nos últimos meses, arrancou R$ 10 mil dele e queria mais. Polícia investiga estelionato contra fieis.

25/08/2014 | 07h03

Pastor falcatrua vai parar na cadeia Divulgação/Polícia Civil

Foto: Divulgação / Polícia Civil

"Ou tu paga o dinheiro, ou vamos acabar com a tua família".

Neste tom, com um sotaque castelhano, as ameaças comandadas por um pastor evangélico de Eldorado do Sul e executadas por um homem com antecedentes por estelionato transformaram em um inferno a vida de um empresário da construção civil, nos últimos meses. Eles arrancaram R$ 10 mil do homem de 46 anos e ainda tentavam mais dinheiro. Na semana passada, o empresário não aguentou a pressão e denunciou o caso à polícia.

O pastor Gideão Adonias de Oliveira, 40 anos, e seu comparsa, Wladimir Gonçalves da Silva, 25 anos, acabaram presos na última sexta-feira, quando recebiam um pagamento do empresário em uma agência bancária do Centro de Eldorado. Os dois foram autuados em flagrante e tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça. 

Agora, com os dois no Presídio Central, o delegado Alencar Carraro, da DP de Eldorado do Sul, investiga o que acredita ser um golpe que pode ter vitimado outros fieis.

– Ele se aproveitava da confiança das pessoas para convencê-los a criar sociedades em negócios. Era a isca para começar a aplicar golpes, desde a compra de imóveis e bens até empréstimos e contas bancárias em nome das vítimas – conta o delegado.

O empresário era frequentador da igreja Ministério Avivamento Apostólico Mundial, criada pelo próprio Gideão há pelo menos quatro anos, no Bairro Sans Souci. Ele teria sido convencido a alugar uma sala comercial no Bairro Petrópolis, em Porto Alegre, em seu nome. O objetivo anunciado por Gideão à vítima era ter na Capital uma sede onde o pastor seria consultor de outros evangélicos.

– A consultoria, até onde apuramos, é uma fachada – aponta o delegado.

Logo, as contas do escritório estouraram. Eram compras e ligações de celulares absurdas, além das compras de computadores e outros bens que o empresário desconhecia. Ele estima que tenha um prejuízo de mais de R$ 20 mil só com celulares. E ainda contabiliza o quanto ficou devendo em empréstimos bancários.

Quando tentou se afastar, o empresário passou a ser perseguido. O pastor exigia o pagamento de uma "indenização" de R$ 50 mil. E a cobrança, nos últimos meses, foi brutal. Com a família ameaçada, o empresário denunciou o caso.

Cobrança era feita por "profissional"

A polícia apurou que, para garantir o seu lucro, o pastor recorreu a um criminoso de Eldorado do Sul. Em seu depoimento à polícia, Wladimir da Silva explicou como funcionava a cobrança:

– Ele (pastor) disse que eu tinha um valor para cobrar. Se eu conseguisse o dinheiro, ficava com uma parte.

De acordo com o delegado, Wladimir, que já foi indiciado pela Delegacia de Roubo de Cargas, do Deic, por estelionato e tem antecedentes por ameaça e porte ilegal de arma, era quem fingia ser castelhano nas ligações gravadas pela polícia.

Na sexta, enquanto Gideão recebia uma quantia não revelada pela polícia – que representaria mais uma parte do valor extorquido do empresário -, Wladimir esperava em um Focus. Ao perceber a presença de policiais, ele fugiu. Acabou capturado horas depois na Ilha da Pintada, em Porto Alegre. Além das prisões, a polícia apreendeu dois celulares que tinham os registros de ligações para o empresário e entre os dois envolvidos no crime.

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Polícia investiga outras vítimas

O pastor Gideão não tem antecedentes criminais, mas a suspeita da polícia é de que tenha feito vítimas de golpes também em Porto Alegre e Guaíba. Uma denúncia feita à DP de Eldorado do Sul dá conta de que pelo menos dois frequentadores da igreja, de Guaíba, tenham sofrido um grande prejuízo ao comprarem um imóvel em outra parceria com o pastor.

– Estamos levantando todas as informações sobre golpes aplicados por este pastor. E a apuração sobre casos de estelionato pode ir longe – afirma o delegado Alencar Carraro.

Ele suspeita da participação de pelo menos outro homem nos casos de estelionato que agora serão investigados pela DP de Eldorado do Sul. Durante a semana, os investigadores locais devem buscar informações com delegacias de Porto Alegre, Guaíba e até da Polícia Federal. É que entre as informações já apuradas, estariam suspeitas de golpes bancários incluindo contas na Caixa Federal.

Nos últimos meses, a igreja liderada pelo pastor Gideão estaria com poucos frequentadores. Conforme o seu depoimento, ele estaria se dedicando mais ao seu projeto de consultoria. Só não explicou aos agentes que tipo de consultoria fazia.

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