Professor não é educador

Creio que por reflexo do politicamente (in)correto, “professor” passou a ser denominado “educador”, abandonando a honrosa terminologia que legitima e identifica o mestre. Nesse sentido, me deparei com o polêmico livro escrito pelo filósofo Armindo Moreira, que há mais de 40 anos é professor desde o ensino fundamental até o ensino superior, para o qual, educar e instruir são coisas muito diferentes. Moreira teoriza que educar é promover, na pessoa, sentimentos e hábitos que lhe permitam adaptar-se e ser feliz no meio em que há de viver, enquanto que, instruir é proporcionar conhecimentos e habilidades que permitam à pessoa ganhar seu pão e seu conforto com facilidade. O professor não deve ser educador de seus alunos, pois a verdadeira função do professor é instruir. A missão de educar cabe à família. Assim, e por isso, cruzamos na vida com pessoas instruídas e mal-educadas; e conhecemos analfabetos com esmerada educação. Educar é missão própria dos pais. Tanto quanto o pão, os pais devem dar educação aos seus filhos. O livro traz um alerta: Os frutos resultantes das campanhas em massa dizendo que o dever de educar cabe à escola e, ao mesmo tempo, desautorizando os pais e a família da responsabilidade de educar seus filhos, estão visíveis por aí: aumento de analfabetos funcionais, aumento de vagas de mão-de-obra pelas empresas por falta de capacitação, entre outras tantas.

Chega a ser nostálgico!

Sou da época em que professor era mestre e despertava sentimentos como respeito, admiração e até temor. Antes de tudo era uma das autoridades que desde cedo aprendíamos a respeitar, assim como os pais, avós e tias, a quem pedíamos “bênção”, bem como respeitávamos a todos os adultos e mais velhos. Ato gravíssimo era desrespeitar, gritar e quase impensável agredir, uma pessoa mais velha, os pais ou um professor. Eram atos intoleráveis, e uma sequência de punições inevitavelmente seria imposta, sem que houvesse necessidade de estatutos, conselhos tutelares, ou qualquer entidade semelhante, fora o antigo “juiz de menores”, que raramente era preciso ser acionado.

A propósito

Família educa, professor ensina, conselho tutela, polícia prende, autoridade se impõe e existe para ser respeitada. A solução está onde os problemas começam. Família e escola têm que repensar e assumir seus papéis.

Valores

No passado havia uma ética, uma moral, uma sociedade em que determinados valores eram transferidos de geração a geração e crescíamos com pais severos e provedores e mães presentes, bravas ou afetivas, e professores com vocação e estimulados, impondo respeito e transferindo conteúdo, dando “bomba” para os maus alunos e passando os dedicados e capacitados. A fórmula era simples, não havia o psicologismo dos anos 80 “não puna seu filho”, nem o passar de ano automático e por decreto. Pais educavam, impunham limites, regras, valores, crenças. Nem sempre corretas, às vezes autoritárias, que à medida que envelheciam iam afrouxando, se tornando mais afetivos e próximos. Mas antes de qualquer coisa, mantinham as regras e rédeas curtas, criavam filhos educados e respeitosos.

O professor

O professor exigia, cobrava, se doava, dedicava para aquilo que era treinado: ensinar. Transferir conteúdo, conhecimento da maneira mais pedagógica e didática possível, se pudesse mesclado com o lúdico e afetivo, mas sem perder a hierarquia e o papel de autoridade. Veio os anos 90, os anos 2.000, internet, celular, separações, famílias em mosaicos, mulheres provedoras e sem tempo para exercer a maternidade, pais acomodados e separados, distantes. E para piorar, professores doentes física e psiquicamente, arrasados, mal remunerados, ainda sendo cobrados para a função de educadores, para “dar um jeito” nos semianalfabetos “passados por decreto”, deseducados, em meio ao bullying, violência e desrespeito, um clima ameaçador, tenso, pesado, longe de ser ambiente escolar, de ensinar, de aprender.