O Brasil está se desfazendo moralmente

Por Franklin Ferreira – Gazeta do Povo


O tecido social brasileiro está se esgarçando, por vários motivos. (Foto: Imagem criada utilizando Google Flow/Gazeta do Povo)

O Brasil continua sendo um país de riquezas extraordinárias, de um povo trabalhador e de uma criatividade reconhecida em todo o mundo. Ainda assim, cresce a impressão de que algo profundamente errado está acontecendo. Basta olhar além das manchetes ou conversar alguns minutos com pessoas comuns para perceber uma sensação cada vez mais difundida: a de que o país está se desfazendo.

Não se trata apenas de uma crise econômica ou política. O problema parece mais profundo. É como se o tecido social estivesse sendo lentamente rasgado. Valores que sustentam uma civilização, como confiança, honestidade, responsabilidade, respeito pela autoridade legítima e amor ao próximo, parecem ceder espaço ao cinismo, à desconfiança e à indiferença.

Poucas imagens ilustram esse fenômeno de forma tão clara quanto o sucesso dos vídeos de violência nas redes sociais. Entre os conteúdos mais assistidos estão perseguições policiais, assaltos registrados por câmeras de segurança e confrontos que terminam com criminosos mortos. Evidentemente, o Estado tem o dever de combater o crime, e policiais e cidadãos possuem o direito de agir em legítima defesa quando necessário. O problema não está na existência dessas situações, mas no fato de que elas passaram a ser consumidas como entretenimento. Milhões assistem, compartilham e comemoram cenas de morte não porque a justiça tenha sido restabelecida, mas porque a violência, em si, tornou-se espetáculo.

Uma sociedade saudável deseja segurança, justiça e instituições capazes de proteger os inocentes. Ela reconhece a necessidade do uso legítimo da força quando as circunstâncias o exigem, mas não encontra prazer na morte, ainda que seja a de um criminoso. Quando a violência passa a ser consumida como diversão, revela-se um preocupante endurecimento moral: a vida humana perde valor, a compaixão se enfraquece e a morte deixa de causar espanto.

Nenhuma democracia pode florescer quando a confiança pública deixa de sustentar a ordem institucional

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