A ginasta Daiane dos Santos falou sobre atos de racismo que sofreu na seleção olímpica brasileira de ginástica. Em entrevista à revista Maria Claire, ela contou que algumas pessoas se recusavam a usar o mesmo banheiro que ela.

“Acho que não existe uma pessoa preta que não tenha sofrido racismo na vida. O que acontece é que muitas pessoas não entendem o que estão passando, não sabem diagnosticar. No meu caso, sempre foi tudo muito sutil: um olhar diferente, um tratamento diferente, uma levantada de voz”, disse ela à revista.

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“Comigo, houve situações na seleção, nos clubes, de pessoas que não queriam ficar perto, que não queriam usar o mesmo banheiro! Aquele tipo de coisa que nos faz pensar: opa, voltamos à segregação. Banheiros para brancos e banheiros para pessoas de cor. Teve muito isso dentro da seleção. E além da questão da raça, tem a questão de vir do sul, de não ser do centro do país, de ter origem humilde. Ou seja: ela é tudo o que a gente não queria aqui”, continuou.

Primeiro ouro na ginástica brasileira em campeonatos mundiais, a atleta disse que essa representatividade repercute por todo o mundo.

“Quando a gente vê uma pessoa preta em um lugar, ela representa todas as pessoas pretas. Mostra que é um lugar possível. E ainda mais em esportes que não são os que as pessoas estão acostumadas a ver uma pele escura. E a repercussão foi mundial, porque eu não fui a primeira negra brasileira, fui a primeira ginasta negra do mundo a ganhar uma medalha de ouro”, afirmou.

Em 2018, a ex-atleta também relatou casos de racismo e situações racistas como do banheiro. “Se fala sobre preconceito racial na semana da Consciência Negra, no mês de novembro, que a gente tem um dia. Desculpa, eu não sou negra um dia, eu sou negra todos os dias”, disse na ocasião.

UOL/FOLHAPRESS