Lula diz ter convocado delegados da PF que estão “fingindo trabalhar”; categoria reage

Por Gazeta do Povo

Lula diz ter convocado delegados da PF que estão “fingindo trabalhar”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (23) que mandou convocar todos os delegados da Polícia Federal cedidos a outros órgãos que, segundo ele, estão “fingindo trabalhar”. O petista disse que o governo pretende “derrotar o crime organizado”.

“Só vão ficar fora aqueles que forem secretários de Estado. Mas aqueles agentes, ou delegados, que estão aí em outro lugar, fingindo que estão trabalhando e não estão trabalhando, todos vão ter que voltar, porque nós vamos derrotar o crime organizado neste país. E nós precisamos de todos os delegados, todos os agentes trabalhando para prender bandido neste país”, disse Lula.

Em resposta, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) afirmou que “o enfrentamento ao crime organizado exige menos propaganda e mais ações concretas”.

“Declarações que desqualificam policiais não contribuem para esse objetivo e fragilizam o debate público sobre segurança”, disse a entidade à GloboNews. Para a ADPF, o presidente “simplifica indevidamente o tema segurança pública e o combate ao crime organizado”.

Segundo a associação, 53 delegados estão cedidos a outros órgãos, onde “exercem funções estratégicas e de alta relevância para o Estado brasileiro”. A categoria destacou que não há “qualquer fundamento para questionamentos generalizados sobre sua dedicação ou desempenho”.

“Esse número representa menos de três por cento do total de Delegados de Polícia Federal em exercício. Portanto, não se deve induzir a sociedade a acreditar que a anunciada medida de retorno será o que irá vencer o crime organizado”, diz a nota da ADPF.

A associação voltou a cobrar que Lula cumpra a promessa de criar o Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC). No final de março, a categoria aprovou o movimento “82 horas sem a PF” diante da “ausência de encaminhamento” da proposta.

O projeto, apresentado pelo Ministério da Justiça em novembro do ano passado, visa destinar recursos confiscados do crime — que somaram R$ 16,4 bilhões entre 2024 e 2025 — para o financiamento da segurança pública e modernização tecnológica da corporação.

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