Lúcio Steiner – 50 anos de jornalismo

Existem profissionais do jornalismo impresso que passam pela redação e existem aqueles que se tornam a própria redação.

O momento é de celebramos um marco que desafia o tempo e honra a nossa profissão: os 50 anos de carreira ininterrupta do nosso colega Lúcio Steiner, na atividade jornalística.

Manter-se relevante por cinco décadas no jornalismo não é apenas um exercício de resistência; é um ato de amor à verdade e de respeito ao leitor. Do som das máquinas de escrever ao silêncio dos teclados modernos, o Lúcio atravessou eras tecnológicas sem nunca perder o que é essencial: o faro do repórter, a clareza do redator e o olhar clínico do revisor.

Como repórter, gastou a sola dos sapatos em busca do fato, ensinando-nos que a notícia está onde as pessoas estão. Como redator demonstrou exímia habilidade dando forma ao caos das informações, com textos precisos, fluidos e cheios de alma. Com clareza e objetividade, respondeu às perguntas fundamentais do jornalismo – o quê, quem, com quem, quando, onde e por que – guiando gerações através das páginas. E, como revisor, foi o último baluarte, o guardião da norma e do detalhe, salvando colegas e protegendo a credibilidade do veículo com uma vírgula bem colocada.

Mais do que as matérias publicadas e as edições fechadas, o que fica nestes 50 anos é o legado de integridade, de transparência e de autenticidade com a notícia e com a verdade.

Ter o Lúcio ao lado é ter uma enciclopédia viva do jornalismo e um exemplo de que a ética não envelhece.

O estilo jornalístico de Lúcio, não só na competência linguística, mas no resgate do ancestral e na abordagem de cenas impactantes e autenticidade ao relatar os fatos, construíram sua identidade diante do público.

Nesse contexto, vale destacar dois dos estilos peculiares de Lúcio como jornalista:

1º) O fascínio pelo “resgate da ancestralidade” – a reconexão com as raízes, pessoas, histórias e saberes dos antepassados, visando honrar a trajetória de existência dos que vieram antes, com a capacidade de “ver o que não está mais visível”, permitindo que a reportagem vá além do fato e toque na espiritualidade e na raiz da identidade. Para o colega Lúcio, o jornalismo não é apenas o registro do “agora”, mas um ato de resistência histórica que assegura que as gerações futuras valorizem a sua herança cultural.

2º) O registro de cenas fortes – Até a década de 90, quando não havia tanto rigor e vedações às coberturas jornalísticas, Lúcio mantinha faro apurado quando se tratava de ocorrências policiais violentas. Em casos de assassinatos, desastres ou acidentes trágicos, ele era um dos primeiros a comparecer ao cenário do fato, registrando em fotos os pontos chaves, por vezes macabros, e anotando detalhe por detalhe, o que depois traduzia em notícia jornalística. Na edição seguinte lá estava a matéria circunstanciada relatando as minúcias do ocorrido, identificando pelo nome as pessoas envolvidas, independentemente se vítima ou autor – ilustrada com fortes e impactantes imagens. Esse era o estilo profissional do nosso homenageado que, com suas matérias jornalísticas circunstanciadas, satisfazia plenamente a curiosidade do público leitor – embora, algumas fossem de arrepiar.

Caro Lúcio, parabéns por este “jubileu de ouro” no jornalismo. Que a tua caneta continue inquieta e o teu olhar continue atento. Estamos todos de pé te aplaudindo.

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