Impactos “invisíveis” do feminicídio entram em destaque

Até junho, feminicídios tem aumento de 13,88% em relação a 2025
Até junho, feminicídios tem aumento de 13,88% em relação a 2025
Tânia Rêgo/Agência Brasil/JC
Nesta sexta-feira (07), a Lei Maria da Penha completa 20 anos desde sua criação, a norma criou mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Mesmo com tal lei, o Brasil ainda é um dos países que mais mata mulheres no mundo. Apenas no ano passado, foram contabilizados mais de 1500 casos. No Rio Grande do Sul, em 2025, o número de feminicídios chegou a 80. Somente até junho deste ano, foram relatados 41.
A lei configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial.

Segundo dados do Departamento de Planejamento e Integração e Observatório da Segurança Pública do Estado, até junho deste ano, foram tentados 122 feminicídios no RS, e 41 consumados. Em comparação ao ano passado, houve diminuição de 8,9% – ante os 134 tentados em 2025. Já os casos que, infelizmente, foram consumados, há aumento de 13,88% – ante as 36 fatalidades até o mesmo período do ano passado.
Em indicadores de violências gerais (feminicidio tentado, feminicidio consumado, ameaça, estupro, lesão corporal) contra as mulheres no Estado, o número até junho de 2025 era de 27.022, em comparação com este ano, o número diminuiu 6,75%, com 25.196 casos.
Nesse cenário, a agência Moove, juntamente ao Comitê Gaúcho Eles por Elas (HeForShe) lançou uma campanha que alerta para os impactos invisíveis do feminicídio, especificamente, na vida das crianças. Nos últimos quatro anos, mais de 660 crianças acabaram ficando órfãs por conta do feminicídio, em que a mãe é morta pelo pai, que acaba preso. “Optamos por não representar a violência em si, mas sim para dar visibilidade ao vazio que essa violência produz. O feminicídio não termina na vítima, ele também continua na vida de quem ficou”, explica Cado Bottega, head de criação da Moove.
Bottega ainda diz que “se conseguirmos salvar uma mulher ou centenas, ou milhares, já estamos cumprindo o nosso papel porque, do jeito que está a situação hoje, principalmente aqui no Rio Grande do Sul, é muito preocupante. Pensamos que devemos fazer a nossa parte, e esperamos que a campanha realmente surta efeitos”.
Nas redes sociais, a campanha diz que o feminicídio interrompe uma vida, mas seus efeitos permanecem todos os dias na vida de crianças e famílias que aprendem a conviver com uma dor permanente. Romper o silêncio pode impedir que essa história se repita.
Monitoramento dos Indicadores de Violência Contra as Mulheres no Estado do Rio Grande do Sul no Ano de 2026: (até junho)
  • Feminicídio tentado – 122
  • Feminicídio consumado – 41
  • Ameaça – 15.541
  • Estupro – 1.001
  • Lesão corporal – 8.491
Fonte: Departamento de Planejamento e Integração e Observatório da Segurança Pública do Estado

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