Para rememorar o pioneirismo do esporte santoaugustense, as gloriosas atuações no cenário local, regional e estadual, elevando o nome do lugar, e que continuam sendo o orgulho de colorados e gremistas e da comunidade como um todo, o jornal O Celeiro inicia nesta edição uma série de reportagens destacando um pouco da história dessas e outras entidades esportivas do município, seus fundadores, diretorias, atletas, enfim, sua história.

Nesta edição, como primeira reportagem, inserimos matéria produzida sobre o Grêmio Esportivo Santoaugustense. O Grêmio, apesar de ter sido criado em 1956, oficialmente tem como data de fundação o dia 08 de março de 1960. Com a pujança de seus fundadores e das sucessivas diretorias e colaboradores, o GESA (sigla oficial) proporcionou muitas alegrias aos seus torcedores, elevando o nome de Santo Augusto, participando com galhardia, organização e bravura das competições locais e regionais, com brilhantes e inúmeras participações nos Campeonatos Estaduais de Amadores, do qual conquistou o título, em 1968.

Foram fundadores da entidade os seguintes santoaugustenses, muitos deles ainda vivem e moram por aqui, outros foram embora e vivem em outros estados por este país, e outros, infelizmente, já faleceram. Eis a relação: João Kovalski, Lucídio Sperotto, Domício Antunes Rodrigues, Elmo Valdemiro Junges, Carlos Depiere, Darci Simczak, José Cícero Marodin, Alfredo Rigon, Idalino Speroni, Dilmar Sperotto, Neri Sperotto, José Sperotto, Dorival Fucilini e Antelmo Andrighetto; Luiz Carlos Closs, Hilário Bertollo, João Ribeiro Lucas, João Nicanor Prates, Paulo Martins, Arnaldo Macagnan, Edmundo Simczak, Estanislau Simczak, Ramiro Torres Fernandes, Wenceslau Richter, Egon Appel, Luiz Sperotto, João Perusatto, Cirilo Sperotto, Domingos Serafini, Romalino Torres, Balduino Wottrich, Agenor Fernandes, Rainard Bock, Urbano Braitenback, Vicente de Oliveira, Geraldino R. Xavier, José Richter, Emilio Kovalski, Plinio Bertolo, Guilherme Kettner, Walzumiro Silva, Alfredo Seifert, Edmundo Stadler, Daindo Quintana, Manoel Schwening, Ernesto Schwening, Agenor Zimermann, Nilo Postay, Boleslau Megier, José dos Santos, Francisco Vieira, Democratino Mayer (Mulato), Paulo Maraska, Liberato Mattioni, Vergilino Baraldi, João Camargo, João Napoleão, Felício Richter, José Serafini, Osvaldo Denis.

Primeira Diretoria:

Presidente de Honra – Ildefonso Silveira Lucas

Presidente – Agenor Zimermann

Vice-presidente – Arnaldo Macagnan

1º Tesoureiro – Dorival Fucilini

Segundo Tesoureiro – Hugo Michels

1º Secretário – Romalino Torres Fernandes

2º Secretário – Manoel Schwening

Direção Técnica – Daindo Bueno Quintana e Severino Machado

Guarda Esporte – Luiz Carlos Closs

Conselho Fiscal – Adão Correa, Alberto Marchioro, Nelson Schwening, Paulo Martins, Pedro Martins, Bortolo Francescato, João Clovis Copati, Lino Berlezi, Edmundo Simczak, Thadeu Zientarski, José Vicente Silva, Ângelo Serafini e Manoel dos Santos Dutra.

Presidentes, vices e secretários subsequentes, até 1969:

1957 – Presidente: Edmundo Simczak; Vice: João Kovalski; Secretário: Romalino Torres

1958 – Presidente: João Kovalski; Vice: Lino Berlezi; Secretário: Romalino Torres

1959 – Presidente: Wazulmiro Silva; Vice: Carlos Depiere; Secretário: Romalino Torres.

1960 (ano da fundação oficial) – Presidente: Arnaldo Macagnan; Vice: Egone Appel; Secretário: Romalino Torres.

1961 – Presidente: Venceslau Richter; Vice: Urbano Braitembach; Secretário: Romalino Torres.

1962 – Presidente: Venceslau Richter; Vice: Urbano Braitembach; Secretário: Romalino Torres.

1963 – Presidente: João Carlos Ribeiro Lucas; Vice: Urbano Braitembach; Secretário: João Rotili Teixeira

1964 – Presidente: Venceslau Richter; Vice: Agenor Zimermann; Secretário: Norival Souza Moura.

1965 – Presidente: Egon Appel; Vice: João Kovalski; Secretário: Agenor Zimermann.

1966 – Presidente: Paulo Martins; Vice: João Perussatto; Secretário: Ervino Stival

1967 – Presidente: Venceslau Richter; Vice: Reinardt Bock; Secretário: José Sperotto 1968 – Presidente: Agenor Fernandes; Vice: João Perussatto; Secretário: Elson Rigon.

1969 – Presidente: João Kovalski; Vice: João Perussatto; Secretário: José Sperotto.

Primeiros atletas do Grêmio Santoaugustense:

Olido Pozzobom, Guilherme Ketner, Pedro da Rosa, Carlos Heller, Luiz Carlos Closs Paulo Martins, João Carlos Ribeiro Lucas, Jurani Machado, Joaquim Marques de Oliveira, Frederico Sandoval Brair, João Nicanor Prates, Carlos Fucilini, Nelci Langner, Lucídio Sperotto, Antônio Brandão, Antônio Quintana, Júlio Zanetti, Felício Guess Carvalho, Orélio Radin, Alberto Radin, Luiz Radin, Arlindo Radin, Izaltino Speroni.

Atletas inscritos na Fundação Gaúcha de Futebol (FGF) Campeã Estadual de Amadores em 1968:

Antônio Ausani, Sinibaldo Andrighetto, Ivanir Bernardi, Wanderlei Camargo, Vilson Donadel, Altamir Torres Fernandes, Vilmar Torres Fernandes, Vitor Torres Fernandes, Sadi Jordão Gentilli, Daltro Maroso Lorenzon, Davi dos Santos Oliveira, Avelar Panenbech, Balvês Panenbech, Odilar Perussatto, Geraldo Richter, Antônio Alves da Silva, Elois Carlos H. da Silva, João Carlos H. Silva, Clóvis Sperotto, José Sperotto, Deoclécio Stival, Herton José Torres Fernandes.  

Títulos conquistados de 1964 a 1968:

1964

Campeão Citadino

Campeão Regional

Campeão da Chave Amarela

Vice Campeão Estadual

1965

Bi Campeão Citadino

Bi Campeão da Chave Amarela

1966

Tri Campeão Citadino

1967

Tetra Campeão Citadino

Campeão da Chave Amarela

1968

Penta Campeão Citadino

Campeão Regional

Foi Campeão Estadual de Amadores nesse ano.

Bens Patrimoniais nos primeiros anos da entidade:

– Estádio próprio, numa área adquirida de Luiz Sperotto em 15 de outubro de 1957 pela importância de “cento e setenta mil cruzeiros velhos”.

– Uma infraestrutura construída nos primeiros dez anos, consistindo em “muro de tijolos em altura de cerca de dois metros cercando toda a área, alambrado de tela de arame, vestiários, mictórios, copa, luz, água encanada, casa para o zelador, canchas de bochas”.

Palavras de um dos remanescentes fundadores e ex-presidente do Grêmio, “João Kovalski”:

Com 94 anos de idade, o senhor João Kovalski lembra com orgulho da história do Grêmio Esportivo Santoaugustense desde os primórdios de existência da entidade, criada/fundada em 1956. Conta de sua participação na diretoria como vice-presidente, em 1957, ano em que foi adquirida de Luiz Sperotto a área destinada à construção do estádio. A seguir, em 1958, Kovalski diz ter sido eleito presidente, em cuja gestão deixou marca histórica, onde juntamente com seus companheiros de diretoria, Lino Berlezi (vice-presidente) e Romalino Torres (secretário), com o apoio e colaboração do quadro social, foi construído o alambrado e o muro com altura de mais de dois metros em todo o entorno da área que abriga o complexo do clube, cujas estruturas são mantidas na originalidade até os dias de hoje. Também, na sua gestão, foram construídos vestiários, mictórios, copa, casa do zelador (como era dito na época), cancha de bochas, e instalada água e luz.

Surgindo como uma avalanche, já nos primeiros momentos do clube foi formado um grande quadro social, todos com carteirinha de sócio que a exibiam com orgulho, e colaboravam fielmente não só com a mensalidade, mas com doações extras e mão de obra gratuitamente, o que somado com recursos provenientes de rifas (prêmios doados por patrocinadores de Ijuí), permitiu a aquisição da área e a construção do estádio e toda a infraestrutura. A torcida era aguerrida de tal forma que transmitia confiança e garra aos jogadores nas competições não só em nível local, mas regional e estadual, participando ativamente dos momentos de glórias do clube, levando a conquistas importantes como um título de campeão estadual de amadores em 1968.

Atleta do passado: “Vitor Torres Fernandes”:

Vitor, 74 anos, tem uma história bonita no futebol, atuando nos áureos tempos, dos anos 60 e 70, do Grêmio Esportivo Santoaugustense, jogando em várias posições, com destaque na posição de volante ganhando notoriedade pela forte marcação que exercia sobre os meio campistas e atacantes adversários, assim como na precisão ao distribuir a bola para seus companheiros e remeter o time para jogadas ofensivas sempre que necessário fosse. Vitor relembra com saudades, inclusive os nomes dos seus companheiros de time e que tiveram participações importantes e vitoriosas em competições de nível local, regional e estadual, culminando com a conquista do título de Campeão Estadual de Amadores, em 1968.

Entre as inúmeras histórias contadas por Vitor, selecionamos a seguinte: Em 1970, classificado para as semifinais do Estadual de Amadores, cumprindo um regulamento muito rígido e uma tabela apertada, no dia 22 de maio, com equipe desfalcada, se dirigiram à cidade de Bento Gonçalves, onde jogariam duas partidas, uma naquela mesma data e a outra no domingo (24). A equipe, formada por Paraguai, Carlinhos Silva, Caminhão, Vitor, Vanderlei Camargo, Antoninho Ausani, Sadi, Balvês Panebeck, Keller, Zeca Panebeck, Daltro Lorenzon e Alcides Jaques, apoiada pelos dirigentes Miro Papo (Elmo Valdemiro Junges), Vasco Richter, João Perusatto e Agenor Fernandes, além do cansaço da viagem e o desfalque, jogou abaixo de chuva, campo embarrado, contra a qualificada equipe do Belém Novo, da capital do Estado. Apesar de toda a adversidade, com muita garra e determinação, o Grêmio empatou o jogo em 2 x 2, saindo vencedor na cobrança de penalidades.

No jogo de domingo, no caso de vitória estaria classificado para a disputa do título. Porém, sucumbiram frente a equipe do Santa Tereza, de Novo Hamburgo, uma vez que o desgaste físico do jogo na sexta-feira abaixo de chuva debilitou os atletas de tal forma que levaram 4 x 0, restando-lhes a terceira colocação.

TIME DO GRÊMIO EM 1966Da esquerda para a direita (fardados): Em pé – Vitor, Camargo, Zebu, Caminhão, Neném, Pinga e Paraguai.

Agachados – Tamita, Nelson, Benites, Odilon, Sadi, Balvês, Antoninho e Bugio.

ATUAL PRESIDENTE DO GRÊMIO

Conversando com a reportagem, o atual presidente do Grêmio Esportivo Santoaugustense, Paulo Patz, comentou sobre o atual momento do clube. Hoje o Grêmio trabalha em cinco frentes, disse. Primeiramente o futebol, que proporciona o congraçamento. Temos a categoria livre, que não fica em atividade o ano inteiro, praticamente durante o campeonato municipal que dura cerca de três ou quatro meses por ano; nosso time de veteranos é muito forte. No 35, nós temos um calendário anual de jogos, integrando-se com as demais agremiações do município, com jogos desde a primeira semana de janeiro até a primeira semana de setembro, época em que começa o campeonato municipal. O 43, é a mesma coisa, são feitos alguns torneios aqui e integração com demais clubes, geralmente de janeiro a março; participa do campeonato municipal de abril em diante, e no segundo semestre participa de algum outro torneio quadrangular realizado pelas equipes do município. No ano passado iniciamos uma tentativa de resgatar a velha guarda do Grêmio, que é o time dos 50 anos.

Curiosamente, hoje está mais fácil fazer time de 43 e de 50 anos, do que livre. Cito o Valdez como exemplo, 49 anos e ainda joga em todas as categorias. Também, há seis ou sete anos, o Grêmio participa do campeonato municipal “modalidade bolão”, com vários títulos já conquistados.

Quanto a infraestrutura, há cinco ou seis anos, estamos melhorando em todos os sentidos, construção dos muros, a reestruturação do campo, temos um dos melhores gramados da região, com uma drenagem fantástica, o alambrado melhorado. Mas a maior evolução dos últimos anos foi a ampliação e reestruturação/remodelação da sede social nos últimos três anos. Com a ajuda de todos os associados e colaboradores praticamente dobramos o espaço físico da sede, elevando dos cerca de 148m² para 310m². E estamos a cada dia melhorando com novos projetos. O próximo projeto, agora para 2017, é a reforma e reestruturação dos vestiários.

Outra meta, esta provavelmente para breve, é a oficialização do nome do estádio, que deverá chamar-se “Estádio João Kovalski”, em homenagem a esse sócio fundador que hoje conta com 94 anos de idade, e está entre nós.

Pretendemos, também, construir a galeria dos ex-presidentes, cujo resgate teremos de buscar aos poucos junto a familiares, haja vista que documentos se perderam ao longo do tempo,   

Estádio do Grêmio hoje

ATLETA DO PRESENTE: VALDEZ ASSUNÇÃO

Indicado pela direção para representar os atletas gremistas do momento, Valdez Assunção, assim falou à reportagem: A gente se sente prestigiado por estar representando os atletas do presente e dos últimos anos do Grêmio, assim como é um orgulho participar das diretorias, inclusive como presidente. Vim para o Grêmio em 1991, ainda muito jovem, e sempre jogando, até hoje, e colaborando com o clube. O futebol, aqui no nosso município, se faz mais com colaboradores do que com atletas. E graças a eles o Grêmio tem evoluído. E a gurizada nova, além de atletas, bota a mão na massa, trabalham, ajudam tanto na parte financeira quanto de trabalho braçal. O Grêmio hoje está nesse patamar, bem estruturado devido a ação conjunta de todos que são vinculados à entidade.

Na parte esportiva, propriamente dita, dá para dizer que o Grêmio vem sendo bem-sucedido. Somos campeões na categoria 35, campeões na categoria veteranos, 43; participamos do campeonato municipal de bolão, somos tricampeões de bolão, isso com atletas exclusivamente do quadro social, o que é motivo de alegria e até de motivação para participar de outras competições. O Grêmio participa, também, do campeonato de bocha. Voltando ao futebol, Valdez enfatiza que a categoria de veteranos, a máster, está muito bem representada; a equipe principal vem batalhando desde 1991 ou 1992 em busca do título. Curiosamente, “perdemos três campeonatos seguidos invictos”, perdemos nos pênaltis. Esse, da categoria principal é o único título que ainda não temos, disse. Mas não vamos desistir dele. Nós temos o privilégio e o orgulho de sermos “campeão estadual da categoria amador”.