Clube foi julgado nesta quarta-feira e vai recorrer

Presidente Koff acompanhou o julgamento
Foto: Leandro Behs/ Agência RBS

Grêmio foi excluído nesta quarta-feira (3) da Copa do Brasil. O clube foi julgado peloSTJD no Rio de Janeiro e, após votação em evento que durou pouco mais de quatro horas, a decisão de retirar o time da competição foi confirmada. O presidente Fábio Koff se manifestou logo após o término da sessão.

"O Grêmio respeita a decisão, embora discorde tecnicamente dela. Não é que houve injustiça, mas a gente acredita que houve exagero na compreensão jurídica. O Grêmio identificou os torcedores e fez o possível. Acho que o Grêmio foi punido duas vezes por um ato só", lamentou.

O relator do STJD, Francisco Pessanha, iniciou a votação a favor da exclusão do Grêmio da Copa do Brasil, multa de R$ 54 mil (R$ 50 mil pelas injúrias raciais, R$ 2 mil por papel higiênico arremessado ao gramado e R$ 2 mil por atraso na entrada do campo) e que os torcedores acusados sejam impedidos por 720 dias de entrar na Arena ou qualquer outro estádio que o Grêmio seja mandante. O segundo voto foi de Ricardo Graiche, procurador do STJD, e acompanhou o primeiro relato. O terceiro voto, de Ivaney Cayres, selou a exclusão do Tricolor. Cayres acompanhou os dois primeiros votos. O quarto voto foi do auditor Gustavo Teixeira e acompanhou os outros três votos. No quinto e último voto, Fabrício Dazzi, auditor presidente, decretou as punições. O árbitro Wilton Peireira Sampaio foi suspenso por 90 dias e punido em R$ 1600. Os auxiliares e o quarto árbitro foram punidos por 60 dias e R$ 1000. O Santos foi punido em R$ 4 mil.

O julgamento no STJD estava marcado para às 14h desta quarta-feira e começou com cerca de 15 minutos de atraso. O Grêmio iniciou sua defesa mostrando as campanhas que o clube tem feito sobre racismo e vídeos foram apresentados aos auditores do STJD.

A defesa do Grêmio colocou como base de afirmação, as campanhas e matérias veiculadas na imprensa, com as ações que o Grêmio promoveu antes e depois dos fatos ocorridos neste caso com o goleiro Aranha.

Após a apresentação da defesa, o presidente Fábio Koff foi chamado para depor como parte das provas e afim de reforçar algumas informações.
Fábio Koff tomou a palavra e começou sua fala mostrando o valor do julgamento: “O prejuízo causado a imagem do clube é irreparável. Se a pena ocorrer, deve ter sentido pedagógico e não ultrapassar limites”

O presidente citou as campanhas que o Grêmio faz com categorias de base, envolvendo crianças carentes onde, segundo o presidente, tem sua maioria com pessoas negras.

O presidente gremista auxiliou na defesa do clube, mostrando a clara prática de ações para evitar atos racistas e para que os auditores fossem informados que o clube não tem ligações com as torcidas organizadas. Esse fator foi citado pelo presidente: "O Grêmio hoje não subsidia torcida, não dá ingresso pra ninguém, não paga ônibus de ninguém".

Wilton Pereira Sampaio, árbitro da partida, também estava presente no julgamento e foi questionado sobre as anotações da súmula, que em um primeiro momento, não colocou na súmula a acusação feita pelo goleiro Aranha, de que gritos racistas estavam sendo proferidos.
Wilton Pereira explicou que só fez o acréscimos no hotel, após a partida: "Assisti ao jogo e olhamos as manchetes da internet. Fiquei assustado e fiz esse adendo posterior na súmula".

Durante a fala do árbitro Wilton Pereira Sampaio, os auditóres do STJD insistiram na questão súmula, onde a colocação deste adendo (com as afirmações do goleiro Aranha) foi feito somente após a entrega da súmula: "Nenhum membro da arbitragem ouviu nada do que o goleiro me relatou e no campo de jogo não vi, fui ver somente depois". O auxiliar Carlos Berkenbrock também foi chamado para depor e confirmou que nada foi constatado durante a partida.

Após o depoimento do auxiliar, um intervalo foi concedido a todos os presentes no julgamento. Na volta da pausa, o Procurador Rafael Vanzin iniciou a acusação. Vanzin ressaltou o canto da torcida do Grêmio na partida contra o Bahia, os tuítes do vice-presidente Adalberto Preis, que alegou não ter havido racismo, e pediu a exclusão da equipe gaúcha da Copa do Brasil, além de multa pecuniária. Ele também alegou que o quarteto de arbitragem deveria ser punido.

O advogado do Grêmio, Gabriel Vieira, iniciou a defesa do Tricolor. Afirmou que o racismo é um problema social e que o Grêmio trabalha de forma expressiva no combate às diferenças: "O racismo é um problema social, não é algo específico do Grêmio". Depois, foi a vez de Michel Assef Filho, advogado contratado pelo clube gaúcho. Assef Filho destacou que as cinco pessoas que se direcionaram a Aranha com palavras ofensivas "devem ser punidas", mas que elas "não podem representar os 30 mil torcedores que estavam no estádio". Após a defesa, o ato foi julgado e o clube, punido.

Alberto Franco, procurador-geral do Tribunal de Justiça Desportiva do RS fala sobre a punição:

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