Por Guilherme Grandi – Gazeta do Povo
Senador e candidato à presidência da República é alvo de apuração por envolvimento no financiamento do filme “Dark Horse”. (Foto: Isaac Fontana/EFE)
O senador e candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), está sendo investigado pela Polícia Federal desde o mês de julho por envolvimento no financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia da trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A apuração foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da corporação.
A informação de que Flávio passou a ser alvo pela Polícia Federal foi divulgada nesta sexta-feira (11) e consta nos documentos da investigação do Banco Master tornados públicos pelo magistrado na véspera. O senador é suspeito da prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e “outros delitos correlatos”.
“Autorizo […] a instauração de procedimento investigatório vinculado ao INQ 5026 para apuração da hipótese criminal delineada pela autoridade policial”, escreveu Mendonça na decisão.
Flávio Bolsonaro reconheceu a cobrança e disse que se tratou de um financiamento privado para uma produção privada, negando irregularidades. Dias depois, outra apuração apontou que ele visitou Vorcaro após o empresário deixar a prisão pela primeira vez, em novembro do ano passado.
Apuração da Gazeta do Povo com fontes a par da investigação aponta que o conteúdo mais detalhado deste inquérito segue sob sigilo, e novas fases de operações relativas ao “Dark Horse” podem ser realizadas em breve. A Polícia Federal afirma ter encontrado, em maio, mais conversas de Flávio com Vorcaro.
Uma das frentes de investigação apura a origem, a destinação e a eventual existência de irregularidades nas operações financeiras relacionadas ao filme e qual teria sido o papel do senador nessa articulação.
Sobre esta operação, Mário Frias a classificou como “cortina de fumaça” e com viés político por ter sido autorizada a menos de um mês da eleição.
“Se há alguma nota que a CGU quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição, cortina de fumaça”, disse o parlamentar, em vídeo divulgado nas redes sociais.
No entanto, o senador nega e afirma que tudo já foi esclarecido e considerou como um assunto encerrado. Ele ainda diz que Dino faz uma “tentativa de interferência política”.
“Pode revirar do avesso, de cima para baixo, de trás para frente, de um lado para o outro, de ponta-cabeça, que não vai ter nada”, completou.