Fiergs avalia que megaprojeto da CMPC beneficiará indústrias gaúchas

Em visita ao Jornal do Comércio, dirigentes da Federação das Indústrias do Estado celebraram avanço de empreendimento bilionário
Em visita ao Jornal do Comércio, dirigentes da Federação das Indústrias do Estado celebraram avanço de empreendimento bilionário
Nathan Lemos/JC
Após a multinacional chilena CMPC receber a licença ambiental prévia para instalar uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro, a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) avaliou a iniciativa como benéfica às empresas gaúchas. “Vai mexer com toda a indústria, comércio, gerar empregos e novas possibilidades de negócios. Isso é fundamental para o Rio Grande do Sul”, destacou o presidente da Fiergs, Claudio Bier, em visita ao Jornal do Comércio na manhã nesta sexta-feira, 23 de outubro.

O dirigente destacou ainda que o projeto é o maior investimento já anunciado por uma empresa privada no Rio Grande do Sul. Com R$ 27 bilhões em aportes, a iniciativa inclui, além da planta fabril com capacidade de produzir 2,5 milhões de toneladas de celulose ao ano – será a maior do Estado –, um terminal de celulose no Porto de Rio Grande, obras de infraestrutura logística e projetos de preservação ambiental.
A Fiergs trabalha, junto à CMPC, para viabilizar que indústrias gaúchas atuem como fornecedoras durante a construção da fábrica. “Estamos fazendo isso para que, desses R$ 27 bilhões, a grande maioria fique aqui, para que a economia gire localmente, os impostos fiquem aqui e os empregos também”, destacou Bier.
Uma das áreas que está sendo trabalhada pela instituição é o fornecimento de barcaças para o transporte da celulose a partir do Porto de Rio Grande. “A CMPC vai precisar muito de barcaças e não temos o suficiente para atender no Estado. Isso é mais um investimento que queremos ver se fica aqui no Rio Grande do Sul”, exemplificou Bier.
O presidente da entidade relembra que uma iniciativa semelhante já havia sido liderada pela Fiergs. Em 2013, quando a então Celulose Riograndense, hoje CMPC, trabalhava na instalação de uma nova planta no complexo industrial em Guaíba, a Federação das Indústrias e o governo estadual contribuíram para uma movimentação bilionária de valores na indústria gaúcha. O aporte total na ampliação da produção de celulose em Guaíba, realizada entre 2012 e 2015, foi de R$ 5 bilhões, e boa parte dos recursos foi aplicada na contratação de empresas do RS.
Bier também destacou que os investimentos da CMPC em infraestrutura e logística deverão beneficiar como um todo a indústria gaúcha. “É uma área fundamental para esse investimento. E logística vai ser fundamental para que o Estado tenha uma competitividade melhor quando a reforma tributária for implementada. Vão acabar os incentivos fiscais e o estado que tiver uma logística mais adequada certamente vai sair na frente”, avaliou o dirigente.
Outros dirigentes da Fiergs celebraram o empreendimento no âmbito das indústrias gaúchas. Caso do vice-presidente do Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Ciergs) e presidente da Construtora Sultepa SA, Ricardo Portella, que destacou a relevância de criar um ambiente favorável aos negócios a fim de atrair novos investimentos.
“É um investimento importante, mais de R$ 20 bilhões, geração de mais de 12 mil empregos durante a construção e de 5 mil depois da operação. Traz um impacto enorme para o Rio Grande do Sul. Precisamos ter capacidade de fazer mais investimentos deste porte. Temos que ser business friendly aqui no Rio Grande do Sul. Isso está melhorando, o ambiente melhorou, mas ainda temos muito a fazer”, pontuou Portella.
A perspectiva é compartilhada pelo vice-presidente da Fiergs e diretor da construtora Joal Teitelbaum, Claudio Teitelbaum: “É uma amostra da segurança jurídica, do desenvolvimento do Estado, de geração de empregos e de tributos. Vai gerar todo um desenvolvimento daquela macrorregião e o fortalecimento da economia gaúcha“, destacou.
O vice-presidente do Ciergs da Fiergs e presidente do Conselho do Grupo Panvel, Julio Mottin, relembrou a demora para a obtenção do licenciamento ambiental prévio. Anunciado em 2024, o Projeto Natureza apenas foi liberado nesta quinta-feira (22) pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), após um longo embate ambiental. Ainda serão necessárias as licenças de instalação e de operação.
“É um projeto sensacional esse da CMPC. Uma pena que demorou muito tempo. Mas agora teve a conclusão (da primeira etapa do licenciamento). O Rio Grande do Sul está necessitando urgente ter cada vez mais esse tipo de projeto, porque caímos muito no percentual do PIB (Produto Interno Bruto) nacional e estamos tentando recuperar”, destacou Mottin.
Por: Jornal do Comércio

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