Alaides Garcia dos Santos

 

Terra dos deputados

Santo Augusto, definitivamente, pode ser considerado a terra dos deputados. Com população aproximada de 14 mil habitantes, o pequeno município se destaca no cenário político estadual e nacional por ter, há décadas, representantes no Legislativo Estadual e na Câmara Federal. Iniciou-se nos anos 70 e 80 com os ex-prefeitos Waldir Walter e Alecrides Sant’Anna de Morais, respectivamente, eleitos deputados estaduais. Em 1990 foi eleito deputado estadual o ex-vereador e ex-prefeito Pompeo de Mattos, sendo reeleito em 1994. Em 1998 ele foi eleito deputado federal, e reeleito em 2002 e 2006. Em 2010 concorreu a vice-governador (sem sucesso); Em 2002, Santo Augusto volta a ter represente na Assembleia Legislativa, elegendo deputado estadual o jovem político Jerônimo Goergen, descendente de políticos locais, o qual foi reeleito em 2006 e, em 2010 foi eleito deputado federal; outro representante da cidade pérola foi Ernani Polo que na condição de suplente, assumiu em 2011 uma cadeira de deputado junto à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

 

Agora são três deputados

Com o resultado da eleição do último domingo, aumentou a representatividade política da nossa pequena Santo Augusto nos parlamentos rio-grandense e brasileiro. Com expressiva votação, foram reeleitos os deputados Jerônimo Goergen (federal) e Ernani Polo (estadual), além do retorno de Pompeo de Mattos que foi eleito deputado federal. São três políticos renomados e de valor, verdadeiros trabalhadores, que até agora bem representaram seus eleitores. Porém, dado a proporcionalidade, aumentou também a expectativa com relação às conquistas públicas para o município e região.

 

PDT precisa ser menos PT

Com o resultado das eleições para governador, em Santo Augusto, observa-se uma discrepância se considerarmos alguns detalhes: Tarso Genro (PT), 3.186 votos; José Ivo Sartori (PMDB), 2.199 votos; Ana Amélia Lemos (PP), 2.805 votos; Vieira da Cunha (PDT), 523 votos. E aí, qual é o problema? O problema é o PDT recusar seu candidato a governador Vieira da Cunha. Ele foi rejeitado, substituído por Tarso Genro. Olha só! O PDT daqui sempre estimou ter mais de três mil eleitores fieis ao partido, mas agora tão somente 523 votinhos sobraram para o seu candidato ao governo. Isso evidencia quão descaracterizados estão os partidos políticos. Diante dessa conduta do eleitorado pedetista, o deputado federal eleito e presidente estadual do PDT Pompeo de Mattos, com duras críticas aos correligionários disse: “o que o PDT precisa é ser menos PT”. 

 

Deputado Jardel

A eleição do ex-centroavante Jardel evidencia que boa parte do eleitorado está mesmo desiludida com a política e com os políticos. Votar no Jardel é dose. Veja como ele se saiu numa entrevista ao ClicRBS quando ainda era candidato sobre seus projetos, caso fosse eleito: “Cara. Ainda estou em análise. Não posso responder agora”. Perguntado se seguia a ideologia de esquerda ou direita, ele brincou que se considera de direita por ser uma pessoa correta. O ex-jogador ainda deu a sua definição do que seria a “nova política” defendida por Marina Silva, e apontou os goleiros Danrlei, também eleito deputado federal, e Dida como alvos de possíveis “gols” na política. E acrescentou: “Eu me considero de direita porque sou um cara direito demais, bom demais. Levo por esse lado (…)”. Foi eleito com 41.227 votos. Esperar o que dele!

 

Lágrimas de crocodilo

Os protestos, bloqueios de estradas, manifestações públicas, palavras de indignação pelo descaso do governo estadual se repetiram inúmeras vezes nos últimos anos por parte de políticos, empresários, motoristas, agricultores, estudantes e população em geral aqui na nossa Região Celeiro clamando por reparos e reconstrução de estradas e construção de acesso asfáltico em algumas cidades que ainda não possuem. Foi pura lágrima de crocodilo. Chegou o dia da eleição e a região aprovou o governo Tarso.