Alaides Garcia dos Santos

 

Fazendo o diabo

No mês de agosto do ano passado, em ato administrativo misturado com campanha eleitoral antecipada, em João Pessoa, na Paraíba, durante discurso a presidente Dilma afirmou: “Nós podemos fazer o diabo quando é hora da eleição”. Dilma Rousseff, todo mundo sabe, não tinha muito traquejo, mas aprendeu. Somou ao desassombro do vale-tudo discursivo o repertório lulista, e aí escapam revelações como essa. Ela estava entregando um conjunto residencial no âmbito do programa “Minha Casa Minha Vida” quando atirou: “Nós podemos disputar eleição, nós podemos brigar na eleição, nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição”. De fato ela externou o que demonstra a sua índole. Chegou o tempo de eleições, e ela está sim fazendo o diabo, com mentiras, insinuações, maldades e humilhações por cima dos adversários.

 

Interpretando…

Tentando interpretar, pela conduta demonstrada por Dilma Rousseff, para ela, “fazer o diabo” pode ser: artimanha do terrorismo psicológico contra adversários; enganar os brasileiros com inverdades; pagar pistoleiros morais para manchar a reputação alheia; mentir descaradamente sobre a biografia dos adversários e sobre a sua própria; construir patrimônios milionários sem ter fonte de renda compatível; alardear, mentirosamente, que seu governo combate a corrupção e a impunidade. Isso tudo pode ser incluído em “fazer o diabo”. O “diabo”, aliás, é pau para toda obra. O coisa-ruim, o rabudo, o cão-miúdo, o futrico, o pé de gancho, o tinhoso e tantos outros sinônimos que o dicionário reserva para o sarnento (incluindo este), pode fazer qualquer coisa. A única ética do sapucaio é não ter ética nenhuma. Ou melhor, ele costuma cumprir a sua palavra com quem faz acordo com ele. Desde, é claro, que se pague o preço. Nesse particular, o diabo é que precisa ter cuidado ao fazer pacto com esse tipo de políticos.

 

É o vale tudo

Veja só. Dilma disse que “faz o diabo” para vencer uma eleição, e o que se destacou de sua fala e merece ser lembrado, é o fato de que ela assegurou que não discrimina ninguém. Até parece! Levada a fala a sério, e convém que se leve, a presidente está demonstrando que no processo eleitoral vale tudo. O PT faz o diabo. E acabou! E acha legítimo que se faça o diabo.  No poder, o mensalão já o demonstrou, também imperou o espírito do grão-tinhoso. Ou será que a pessoa que faz “o diabo” para se eleger renuncia ao excomungado na hora de governar? Creio que não. Não se desgrudam mais.

 

Pesquisas eleitorais

Nunca um instrumento foi tão prejudicial ao processo eleitoral e ao país quanto às pesquisas! Para que elas servem ou no que contribuem afinal para o aprimoramento das eleições e da democracia? São dados que no ato da coleta evidenciam uma posição inconsistente, posto que ocasional, com margens de acertos e erros questionáveis. Elas servem mais como instrumento de manipulação para induzir eleitores indecisos e inseguros a fazer o jogo dos interessados, em especial o da idiotizacão coletiva: Votarei neste porque ele está ganhando nas pesquisas e para não perder o meu voto! Não é, pois, um voto consciente baseado no histórico, postura ética ou propostas dos candidatos. É, sim, um desvirtuamento pernicioso e que não é coibido pela Justiça Eleitoral.

 

O momento é de reflexão

Caro amigo leitor e eleitor. Pare, analise, pense cuidadosamente em quem você irá votar nestas eleições, principalmente para Deputado Federal e para o Senado da República. Não se quer voltar ao tempo das masmorras e da justiça com as próprias mãos. O brasileiro quer e precisa, é de uma legislação penal justa, rápida, eficaz, que valorize o trabalho daqueles que defendem e prestam segurança à população, no caso, as instituições policiais, e o Ministério Público como guardião da sociedade. Que se permita, sim, o amplo direito de defesa, mas se impeçam as manobras protelatórias e as chicanas jurídicas. A maioria dos deputados federais e senadores são benevolentes com os bandidos, as mudanças nas leis penais tendem, sempre, favorecer o criminoso, em detrimento da sociedade ordeira e trabalhadora.  No entanto, querem se eleger ou se reeleger, e para isso mendigam o nosso voto. Portanto, reflita e vote no candidato certo.