“As maiores dificuldades são a burocracia e a gestão de pessoas”

A prefeita Lilian Fontoura Depiere (DEM), ao nos conceder entrevista discorreu sobre seu primeiro ano de governo. Falou das dificuldades iniciais, da falta de experiência na gestão pública, da adaptação dos servidores ao perfil dos novos gestores e, principalmente, da grande burocracia existente na administração pública. Falou ainda da gestão de pessoas, vez que cada cargo tem suas atribuições específicas, o que impede o remanejo e redistribuição para adequar às necessidades dos setores mais carentes. Mas, festejou e enalteceu as conquistas obtidas, muitas delas inéditas no município, em prol dos interesses da comunidade.

A chefe do Poder Executivo santoaugustense esclareceu os motivos de não ter cumprido promessas como a Rua Coberta e a inauguração da Escola Cívico-Militar, ambas prometidas para ocorrer até o final do ano passado.

Entre as metas previstas para serem levadas a efeito no ano corrente, Lilian disse que vai ser dado mais ênfase ao interior (estradas, pontes, açudes), que, no setor habitacional, serão construídas 35 novas casas e reformadas outras tantas para famílias carentes, que uma nova área industrial será desenvolvida e que melhorias virão também na educação e na saúde. Veja a entrevista:

O Celeiro – Como foi, no cômputo geral, o seu primeiro ano de governo?

Lilian – Foi bom. Por ser o primeiro ano de mandato, levamos bastante tempo para colocar a casa em dia. A princípio, fizemos coisas que todos os prefeitos que passaram até hoje não conseguiram fazer, buscamos serviços que, talvez, há muito tempo Santo Augusto já deveria ter. Eu acho isso de grande importância. Um deles, o INSS que agora está vindo é um ganho pra nossa cidade e pra nossa Região. O CRVA e o CFC estão encaminhados, e com grande chance de se instalar no município este ano. Então, são conquistas diárias, acontecendo.

O Celeiro – Quais as principais realizações do seu governo no período?

Lilian – As principais realizações foram: atendimento no posto de saúde 12 horas ininterruptas; a doação de dentaduras a pessoas carentes, fazendo com que muitas pessoas estejam sorrindo novamente; a compra da área de terra rural do IFF; a compra da área de terra urbana onde serão feitas 35 casas; aquisição de um micro-ônibus novo para a educação e de uma Van para a saúde; reconstrução de estradas e açudes em grande parte do interior; na educação houve avanços importantes, apesar da pandemia; na SEHAS, mais de oitenta reformas de casas; a vinda do INSS; atendimento nas creches durante o período de férias escolares (visando auxiliar os pais que não tem férias agora e não têm condições de pagar babá pra ficar com as crianças. Então, nós implantamos creche agora nas férias); limpeza da UTAR (relevante ao meio ambiente); aprovação do projeto PAVIMENTA, para calçamento da Rua Bom Fim até a Santinha; foram contratadas mais duas médicas para atendimento da saúde pública; aquisição, via doação do Corpo de Bombeiros Militar, de um caminhão de bombeiros equipado, e que conta com dois servidores treinados; pleito junto à Secretaria Estadual da Segurança Pública para a designação de um delegado titular, no que fomos atendidos; criação da escola cívico-militar já consolidada, faltando apenas nomeação dos monitores militares; estímulo a empregos e auxílio no transporte, entre outros.

O Celeiro – Quais as principais dificuldades enfrentadas?

Lilian – Depois da burocracia, a inexperiência foi a maior dificuldade. No início, ao entrar, era tudo novo, então até conhecer o processo, ganhar os servidores, porque eles trabalham de um jeito, se você quer que eles trabalhem de outro, você tem de conquistar eles. Se não fosse a burocracia, teríamos feito muito mais nesse primeiro ano. Não foi falta de recurso financeiro, foi por falta dessa questão do conhecimento, de pouca gente pra trabalhar. Fala-se que temos quinhentos e poucos servidores, que é muita gente. Mas na verdade é pouca gente. Remanejar, distribuir melhor os servidores de acordo com as necessidades, não pode, é vedado por lei, porque cada concursado para tal cargo, tem suas atribuições definidas. Isso que complica, pode se configurar desvio de função. Enfim, a maior dificuldade é a burocracia e a gestão de pessoas.

O Celeiro – A Rua Coberta, a inauguração da Escola Cívico-Militar, entre outros, eram promessas para serem concretizadas até o final do ano, e não aconteceram.

Lilian – No caso da Rua Coberta, o dinheiro, oriundo de emenda do deputado Marcelo Brum, foi repassado para a CAIXA, porém, por questão burocrática, não foi liberado ainda. Também, estamos terminando o projeto, cortesia de engenheiros da sociedade civil da cidade. Gostaria que se concretizasse até a metade deste ano, mas, eu tenho medo de prometer também.

O Celeiro – E a liberação dessa verba vai acontecer?

Lilian – É fato concreto. Deixa-me explicar melhor: essa verba veio como pavimentação e a gente a colocou como pavimentação daquelas ruas que nós queremos fazer, das 25 ruas, só que o projeto esbarrou que nós tivemos de aumentar o perímetro urbano em 100 metros. Os vereadores aprovaram no final do ano e agora está tudo certo e vamos encaminhar para a CAIXA novamente e aí vai liberar. Ele não veio pra Rua Coberta e sim pra pavimentação, então, nós vamos pegar do livre e vamos fazer a Rua Coberta. Só que, como isso tudo ocorreu ali por outubro, novembro, eu pensei não adianta começar uma obra no fim do ano, ficar toda bagunçada a praça.

O Celeiro – E o local já foi definido?

Lilian – Foi definido. Vai ser na Avenida do Comércio, defronte a praça central, e vai pegar da frente do ponto de táxi até a frente do palanque oficial. Não vai ser 100% daquela rua. Foi feita uma estruturação para que fique uma coisa bonita e que não pese. Vai ficar lindo.

Lilian – Quanto a questão da Escola Cívico-Militar, em outubro foi aberto o edital para contratação dos monitores (PMs inativos), porém, ninguém se inscreveu para Santo Augusto. Esbarramos nisso, não temos os profissionais para atuar ali. O mais está tudo pronto, inclusive a licitação das fardas já foi feita e gostaríamos de abrir agora, no início do ano letivo, mas, não tem os profissionais e é isso que estamos conclamando.

O Celeiro – Por que o desinteresse por parte de militares inativos?

Lilian – No início tinha três interessados para Santo Augusto. Porém, eles não querem trabalhar 40 horas e desistiram. Agora estamos vendo se eles trabalham 20 horas, aumentando o número do efetivo, de 3 para 6. É difícil, porque quem já se aposentou não quer voltar a trabalhar com tanto compromisso. Mas a gente faz um apelo a eles.

O Celeiro – Quais as metas para o segundo ano de seu governo?

Lilian – Pretendemos dar mais ênfase ao interior; construir 35 casas, que é a nossa meta daqui pra frente, 35 casas por ano;  pavimentar as 25 ruas que faltam; desenvolver uma nova Área Industrial; dar incentivo para novas empresas se instalarem na Área Industrial; e, na questão da educação, tentar melhorar, trazer mais tecnologia, agora nós vamos começar com o projeto de robótica nas escolas; na saúde, pretendemos fazer a reforma do Posto Central e uma nova UBS no Bairro Petrópolis, que vai custar em torno de R$ 900.000,00; na assistência social, continuar com as nossas reformas, que nós possamos reformar mais umas 80 casas este ano; e queremos arrumar a questão das associações no interior, tem muito equipamento que está parado em algumas associações e outras precisando, vamos dar uma manejada nisso aí; e melhorar a questão da água no interior. Vamos fazer quatro pontes importantes, de concreto, que ligam o interior e a cidade, já está indo pra licitação, R$ 300.000,00. Temos 11 projetos de obras que irão agora à licitação. Tenho de falar do CRAS também lá perto da rodoviária, o novo CRAS, pra atender aquela comunidade; vamos tentar iniciar o ano com as 12 horas nas creches, aquelas que nós prometemos. E o projeto do pavimento que já é uma conquista e brevemente estará calçada a rua Bom Fim até a Santinha, Costa do Turvo. Ainda para este ano queremos construir uma nova creche que inicialmente estava para ser na área industrial, mas estamos pensando em construir no novo loteamento, no alto do Glória, bairro residencial. Seriam essas as principais metas para este ano.

O Celeiro – E a questão da liberdade econômica como está?

Lilian – A liberdade econômica nós estamos trabalhando pesado em cima. Ainda não encaminhamos o projeto à Câmara porque temos uma comissão formada por representante da Indústria e Comércio, com os setores da tributação e de finanças, que estão visitando cidades que já implantaram o sistema e ver na realidade como acontece. Porque não adianta nós primeiro fazer a lei e depois ver os problemas que pode dar. Então, eles mesmos estão construindo essa lei, e acredito que até março esse projeto de lei já esteja na Câmara.

O Celeiro – Como está a limpeza urbana (ruas e praças) da cidade?

Lilian – O maior desafio para este próximo ano é a questão dos resíduos sólidos. É um problema que não conseguimos resolver no ano passado e precisamos resolver, que é a questão dos entulhos, essa lixaiada (restos de construção, podas de árvores, móveis em desuso, etc,) que o pessoal vai atirando em qualquer lugar, ruas, beira de estradas, nos matos. Isso tem que partir da prefeitura, porque, se eu não ofereço um local pra eles colocarem, eu não tenho como cobrar o contrário. Então, tem de partir de mim e esse é o nosso grande desafio para este ano, criar um local próprio e adequado para descarte dos resíduos sólidos. Quanto ao lixo urbano, o recolhimento está sendo feito satisfatoriamente. Nessa linha, uma outra meta vai ser a construção de um galpão e lá colocar uma prensa à disposição dos catadores de lixo reciclável.

O Celeiro – E as estradas, há reclamações. Como está a Secretaria de Obras?

Lilian – A Secretaria de Obras é bem complexa porque os maquinários são todos antigos e em número reduzido, há poucos servidores para trabalhar e há muita demanda. São centenas de quilômetros de estradas no território municipal, quando arruma um lado o outro lado já estragou, vem a chuvarada. Eu acho que nós vamos ter de começar a tomar medidas mais eficientes, porque só ir lá com as máquinas, arrumar, colocar cascalho, não é o suficiente. Isso já é histórico, vem de gestão em gestão. Nós temos de ter mais maquinários e mais pessoas pra atender o interior e isso esbarra na questão financeira e na questão burocrática, uma simples troca de peça, por exemplo, pode deixar um caminhão meses parado, já que é preciso licitar, e isso enlouquece qualquer um.