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Entrevista – Enio Felipin – Lançamento do livro “NO MESMO BARCO”

“Cada obra que se conclui tem um gosto de realização diferente. Sinto que essa é a mais gratificante de todas. Pois traz um pouco de mim e de todos os meus parentes”.

Enio Felipin, natural de Santo Augusto, reside atualmente na cidade de Ijuí-RS. É casado com Lia Beloni Pattat Felipin, formado em Direito pela Unijuí e em Teologia pela Universidade Católica Dom Bosco – Campo Grande-MS. Mestre em Direito pela URI – Santo Ângelo-RS. Ministrou aulas na Pós-Graduação da IMED – Passo Fundo-RS. Mediador de Conflitos nas diversas áreas do Direito. Missionário Leigo do MEAC-SP (Missionários para Evangelização e Animação de Comunidade). Autor do livro “Dízimo e Ofertas na Igreja Católica”, além de outras obras. Colunista Semanal do Jornal O Celeiro de Santo Augusto-RS desde o ano de 2000. Editor do Calendário do Dízimo da Editora Dízimo Católico.

Buscando resgatar a memória de seus ancestrais Antônio Filippin e Ângela Milani, que deixaram a Itália e vieram para o Brasil em 1884, bem como revelar os descendentes desse casal até os dias de hoje e que não conhecem suas raízes, Enio Felipin, depois de 10 meses de pesquisas está com o livro “No mesmo barco”, pronto para ser editado, cujo livro conta um pouco da história da família de Antônio Filippin e Ângela Milani, além de trazer a árvore genealógica dos ascendentes  de Antônio desde 1756 e dos seus descendentes até os dias de hoje. 

Capa do livro

 Antônio Filippin chegou no Brasil no dia 29 de dezembro de 1884, com 11 anos de idade, trazido pelo seu tio Giuseppe Filippin, que o criou, já que seu pai, de mesmo nome, havia falecido 4 meses antes dele nascer. Antônio deixou na Itália sua mãe Luigia e mais 5 meios-irmãos, pois sua mãe havia contraído novo matrimônio com Paolo Stangherlin.

“No mesmo barco”, Navio Cenísio, veio a família de Ângela Milani, ela com 8 anos de idade. Ambas as famílias vieram morar no município de Ivorá-RS.  Dez anos depois, os jovens italianos casaram, mais precisamente em agosto de 1894. Em janeiro do ano seguinte, Antônio adquiriu 25 hectares de terras em Ijuí, na localidade de Alto da União.

Dessa união nasceram 8 filhos. Porém, ainda muito jovem, com apenas 34 anos de idade, no dia 24 de dezembro, véspera de Natal de 1906, Antônio faleceu, deixando a jovem esposa com todos esses filhos muito pequenos. A mais velha (Luíza, avó de Enio) com 11 anos de idade e a caçula (Cândida) com 1,5 anos.

Passados mais de 120 anos, hoje a descendência desse casal conta com mais de 750 integrantes. Ainda existem 14 netos de Antônio e Ângela vivos. Todos com mais de 80 anos. Na Itália ainda vivem alguns sobrinhos (pela parte da mãe Luigia). Segundo o livro, surpreendentemente, esses parentes da Itália, conseguiram localizar, justamente o bisneto de Antônio, autor do livro (Enio Felipin).

Para falar sobre essa brilhante obra, o escritor Enio Felipin concedeu a seguinte entrevista:

– O que te motivou a fazer a pesquisa e editar essa obra?

 Tudo começou quando no início do mês de fevereiro, eu e minha irmã Inês, fomos visitar em Ijuí, um primo de nosso pai, chamado Odorico Ribas, que certa vez me disse que tinha alguma coisa para nos passar referente ao nosso bisavô Antônio Filippin.  Na conversa que tivemos com ele, ficou mais claro um pouco da história, inclusive como ele chegou no Brasil, no ano de 1884, vindo com um tio dele chamado Giuseppe Filippin. Essa narração está no livro “Duas Vidas” do Padre Jovino Filippin, que fez uma pesquisa muito bem elaborada, lançando a obra em 1998. Além dessas informações, eu trazia comigo, muitos dados, histórias que cresci ouvindo meu pai Arlindo Felipin e minha tia Amábile Filipin, com relação aos imigrantes italianos. Quinze dias depois do encontro com esse parente de Ijuí, tomei a decisão de começar a escrever um livro.

– Quanto tempo de pesquisa e como foi esse trabalho?

Faz dez meses que estou pesquisando. É um trabalho que exige dedicação. Foram muitas horas em busca de dados, fatos, fotografias, informações das mais diversas. Em muitos momentos foi uma verdadeira investigação, onde a partir das informações fui montando o quebra-cabeça. Devido ao longo período que se passou entre os acontecimentos e agora a pesquisa, muitos dados se perderam, muitas informações foram para dentro do túmulo, com as pessoas que já faleceram. Pessoas “chaves”, pois o quanto mais retrocedermos no tempo, mais próximo chegaremos dos personagens principais, no caso o Antônio Filippin e sua esposa Ângela Milani Filippin. Nesse período consegui conhecer e conversar com alguns netos de Antônio, e que me passaram informações preciosas e que com certeza deixaram a obra mais rica.

– A obra já está pronta para ser editada. Qual é a tua avaliação em termos de resultado da pesquisa?

Diria que a obra estará sempre incompleta, pois haverá sempre mais e mais dados para serem registrados, ou seja, fatos que não foram narrados, pessoas que por um ou outro motivo não estão no livro. Enfim, mas o livro precisa de uma conclusão, pois sinto que há uma certa expectativa por parte de toda a família descendente desse casal de imigrantes. São mais de 750 pessoas que formam a árvore genealógica a partir de Antônio e Ângela até os dias de hoje.

A avaliação que faço é positiva, diante de tantas descobertas e por poder resgatar a memória de nossos antepassados, nossas raízes, que saíram de um país longínquo, a Itália, que atravessaram o Oceano Atlântico, a bordo de um navio, com 1028 pessoas, passando por toda espécie de medos, mas mantendo sempre a esperança de trabalhar em novas terras, poder construir uma vida melhor para si e para seus filhos. Aqui chegaram e foram praticamente jogados às feras em meio ao mato, com nada de recursos. Foi com muito trabalho e fé, devoção das mais diversas, que gradativamente foram vencendo os obstáculos e transformando o ambiente.

– Se sente realizado ao concluir esse trabalho? Por quê?

Cada obra que se conclui tem um gosto de realização diferente. Sinto que essa é a mais gratificante de todas. Pois traz um pouco de mim e de todos os meus parentes. Muitas pessoas que eu nem conhecia e que com isso descobrimos o grau de parentesco. Com a edição da obra, o número de pessoas que irão se aproximar será muito grande, pois muitos não conhecem a história, e nem os parentes. Diante disso me sinto realizado. Porém um sentimento que me acompanha é de não ter conseguido localizar ou obter informações sobre alguns parentes, inclusive uma filha de meu bisavô, que ninguém soube me dar notícia, seja dela ou de seus descendentes, sem falar no sentimento de meu pai não estar vivo para ler e também ouvir as descobertas que fiz, com relação  aos seus avós, Antônio e Ângela.

– E quanto ao lançamento do livro?

O livro será lançado no dia 27 de janeiro de 2019, na Paróquia Cristo Rei de Ijuí, quando nessa data estaremos realizando o 1º Encontro dos Descendentes de Antônio Filippin e Ângela Milani Filippin. Será um momento importante para a família toda. Iniciaremos o encontro com uma missa as 10hs da manhã. Logo após, acontecerá a apresentação da Árvore Genealógica da Família Filippin desde o ano de 1571.  São dados que consegui através de parentes nossos que vivem na Itália, e que tem como “hobby” pesquisar sobre a família. Ao meio dia será servido almoço. Na parte da tarde apresentações diversas e tribuna livre no sentido de integrar a família. No final do encontro formaremos uma comissão que irá trabalhar no sentido de organizar o próximo encontro, se for o desejo dos presentes.

 

 

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