“Planejamento pode não garantir as coisas, mas sem projeto não acontece nada”. 

Engenheiro Eugênio Frizzo, Assessor de Projetos e Captação, pasta ligada diretamente ao gabinete da Prefeita Lilian Fontoura Depiere, na Prefeitura Municipal de Santo Augusto, profissional de competência técnica extraordinária, com larga experiência em gestões públicas municipais, um visionário do futuro, idealista e trabalhador, foi nosso convidado de hoje para dar entrevista e falar sobre projetos em andamento e projetos futuros para o município pérola.

O Celeiro – Consta que o governo anterior deixou algumas obras em andamento. Quais são essas obras, e em que fase de execução se encontram?

Frizzo – Ao assumir, em 01 de janeiro, a administração Lilian/Vanderlei recebeu em andamento, as seguintes obras: a) Reperfilagem asfáltica e melhorias na Avenida do Comércio, Júlio Pereira dos Santos e Rio Branco – O valor inicial dessa obra era R$ 1.123.968,18. Mas houve um aditivo de R$ 273.420,06. Resultando no custo total da obra, em R$ 1.397.388,24. Está em andamento, com 70% já concluído; b) – Rede de abastecimento de água na Rua Inhacorá – Valor total R$ 71.910,96. Está em andamento, com 40% já concluída; c – Cobertura de quadras poliesportivas e banheiros – Valor total, R$ 1.091.359,16. Estão em andamento, com 46% já concluído; d – Ampliação da EMEI VAGA-LUME – Valor inicial, R$ 259.967,46. Houve um aditivo de R$ 6.526,38. Custo total, R$ 266.493,84. Está em andamento, com 50% já concluído; e – Iluminação da Praça Pompilio Silva – Valor total, R$ 66.404,22. Está em andamento, com 25% já concluído; f – Estruturas e sistema de abastecimento de água – Em Rincão Fagundes e Moreira. Valor total da obra, R$ 47.621,04. Obra ainda não iniciada; g – Reforma na EMEF. Antônio Liberato – Valor total, R$ 306.329,92. Está em andamento, com 50% já concluído; h – Reforma no Centro de Cultura – Valor total, R$ 136.324,78. Está em andamento, com 15% já concluído.

O Celeiro – Tem obras atrasadas, que já extrapolaram prazos de serem concluídas. Qual o motivo?

Frizzo – As empresas que operam na construção civil prestando serviços para o nosso município estão muito fracas economicamente e são de fora, de outros municípios, então não se encontra o engenheiro, não encontra o dono da empresa para conversar. E com isso as obras vão atrasando, tem obra que já faz dois anos que foi começado e não foi terminado, e isso resulta em obras que não têm a qualidade desejada e geralmente acabam em aumento de custos, as empresas querem reajustar valores, e o município às vezes é obrigado a fazer para poder ver concluída.

O Celeiro – Isso quer dizer que se fosse contratada empresa daqui do município seria melhor, facilitaria contatos e evitaria, em tese, demora na conclusão e aumento de custos. É isso?

Frizzo – Sim. Aqui da cidade não tem nenhuma empresa prestando serviço à prefeitura. Por quê? Porque a lei de licitações meio que engessa a situação, tem um roteiro fixo para cumprir. É claro que esse roteiro te dá a oportunidade de melhorá-lo, desde que não fira os princípios básicos da lei. Mas agora, a responsabilidade é nossa e vamos concluir essas obras que recebemos em andamento.

O Celeiro – Tem algum projeto aguardando licitação ou ordem de início?

Frizzo – Tem sim. Aguardam licitação ou ordem de início, os seguintes projetos: a) – Banheiros arquibancada no Parque de Rodeios, com valor estimado em projeto, de R$ 85.645,49; b) – Reforma revestimento cerâmico parede refeitório EMEI VAGA-LUME, com valor estimado em projeto, de R$ 1.661,65; c) – Drenagem na Rua Stefano Bahry, com valor estimado em projeto, de R$ 50.804,95.

O Celeiro – O que o levou a aceitar o cargo de Assessor de Projetos da Prefeitura?

Frizzo – Minha grande meta é o futuro. E o futuro, na minha visão, o foco, é o futuro econômico do município. Analisando o nosso município agora, eu entendo que atuo com outra visão e, nessa visão, para planejar o futuro, tem-se que conhecer o presente. São apenas dois meses que assumimos. Já trabalhei bastante e estou trabalhando, a parte do que Santo Augusto é hoje, qual é a leitura que se tem hoje e o que queremos daqui a trinta anos, o nosso projeto é pra trinta anos. E a partir disso, tomar atitudes, tomar ações para que, em 2050, Santo Augusto tenha aquele desenho que nós estamos imaginando. Isso é uma coisa que provavelmente não vai acontecer como se imagina, porque tem tantos fatores que influenciam, que podem mudar todo o cenário, mas se nós não determinarmos um rumo, será igual sessenta anos atrás.

O Celeiro – E como o senhor vê o cenário de Santo Augusto, hoje, com vistas ao futuro, no tangente ao desenvolvimento econômico?

Frizzo – O cenário de Santo Augusto, hoje, eu vejo por quatro ângulos, quatro andares. Em síntese, o primeiro andar é a área social, como está o cidadão, como está a saúde, como está a educação do cidadão, como está a assistência social; o segundo andar, é onde essas pessoas moram, cidade ou interior. A cidade, na nossa avaliação, está satisfatória, não tem grandes deficiências, não é grave a situação social está tudo mais ou menos administrado. Tem que melhorar a drenagem, a arborização, a pavimentação, sinalização, energia elétrica, tudo isso tem que ser feito, mas temos uma base satisfatória. No setor de educação, melhorar a gestão, melhorar sua infraestrutura na cidade e no interior, enfim, melhorar a gestão e investimento; terceiro andar: se temos gente sadia, com educação, conhecimento, moram mais ou menos, o que fazem essas pessoas? Ou trabalham aqui, ou vão embora trabalhar fora. Então, vem o quarto andar: a fase do desenvolvimento econômico, que no meu entender, vai ser um marco. Nós temos a matéria prima, nós temos o alimento pra ser produzido, o que é a coisa de maior valor no mundo de hoje. Por isso, precisamos aumentar nossa participação. A grande agricultura está bem. Nós temos que entrar nas cadeias regionais, na suinocultura, aumentar a participação, na área da produção de leite, na questão de aves. Temos um plano bem importante aqui na cidade, que está sendo estudado, que é fundarmos uma cadeia local na área de piscicultura, para a qual temos aqui duas pontas da cadeia: mercado (interno e externo), e temos mais de mil açudes no município, os quais terão de passar por um processo de adequação para essa finalidade. Então, nós temos a ponta, que é o produtor, e temos o mercado. E o município fará o meio, incentivar a estruturação da cadeia (abate, alimentação, assistência técnica). É oportunizar renda mínima do produtor, embora não seja garantida. Os hortigranjeiros, agroindústrias, terão o incentivo do poder público. Vamos trabalhar no projeto de calçar alguns trechos de estradas, como essa até lá em cima na Costa do Turvo para facilitar o escoamento da produção. Na área urbana, também nossa corrida para participar das cadeias, se inserir nas cadeias regionais urbanas, por exemplo, na parte metalmecânica, discutir, debater e ver se conseguimos participar no mercado das grandes empresas do setor.

O Celeiro – Isso, se concretizado, visaria tornar Santo Augusto uma cidade mais atraente?

Frizzo – Sem dúvida, se conseguirmos esse impacto no desenvolvimento econômico, vai motivar as pessoas da região a virem morar aqui. É uma coisa de longo prazo, mas perfeitamente possível. Temos também o projeto do hospital, não vai ser UTI, porque não pode ser UTI devidos as exigências do sistema de saúde, mas o projeto planeja o hospital pra trinta anos, apresentar serviços em quantidade e qualidade e assim, ser também mais um fator de atração às pessoas para virem morar em Santo Augusto. Então, o trabalho na prefeitura é destinado pra isso, eu estou focado nisso. Eu diria que, “planejamento pode não garantir as coisas, mas sem planejamento não acontece nada”.

O Celeiro – Para viabilizar essas ações todas, vai haver alteração na legislação municipal?

Frizzo – Sim, já estamos trabalhando nisso, numa revisão da legislação. E não legislação de gabinete, legislação do cidadão. Aquilo que o cidadão sofre, com lei, lei, lei. Então a nossa prioridade é revisar o plano diretor, que tem uma série de coisas que não são adequadas para Santo Augusto. Também vamos reformar a legislação ambiental e a seguir, a reforma patrimonial. O município tem o absurdo de 534 matrículas em seu nome, e isso nós pretendemos regularizar e enxugar dentro dos padrões legais.

O Celeiro – Outros projetos?

Frizzo – São vários itens a serem analisados e resolvidos. Tem a questão do terreno para o IFFar; tem um projeto do ex-vice-prefeito Marcelo, de um matadourozinho municipal, e que nós vamos dar continuidade (mas não é um matadouro que vá competir com outros); tem uma casa de passagem para animais; um campo para o cemitério; tem uma nova área industrial, que a prefeitura tem que comprar o terreno; tem a criação de mais um grupo habitacional para pelo menos 150 casas, para o que a municipalidade tem que comprar o terreno; e vários outros.