Projeto básico (CETRUD) – Centro Ecológico de Tratamento de Resíduos Sólidos Domiciliares, da Construção Civil e Podas

A Unidade de Tratamento de Resíduos (UTAR), inaugurada em 30 de maio de 1997, patrimônio do município de Santo Augusto, foi uma obra pioneira e inovadora, dotada de fundamentos básicos como separação doméstica, coleta separada de resíduos e tratamento de resíduos na usina, o que perdurou com sucesso por cerca de dez anos operando nos moldes técnicos oferecidos, dando fim ao depósito de lixo a céu aberto existente até então. Mas, devido à má gestão, a partir de 2007 a Utar começou a degringolar, culminando com o seu fechamento definitivo em 2011.

A administração municipal, nos governos subsequentes ao fechamento, sempre demonstrou preocupação quanto a recuperação da Utar, mas nada de concreto aconteceu. Já a atual administração, Naldo/Marcelo, decidiu o óbvio, mandou elaborar um projeto técnico consistente e capaz de receber a devida aprovação, cujo projeto foi protocolado no pretérito mês de março junto à FUNASA.

No último sábado (10/08), o presidente da FUNSA, Ronaldo Nogueira de Oliveira, visitou Santo Augusto e, em presença do prefeito Naldo, de dezenas de munícipes e de  prefeitos de municípios circunvizinhos, inspecionou a inativa UTAR, local onde deverá ser instalado o futuro Centro Ecológico de Tratamento de Resíduos Sólidos Domiciliares, da Construção Civil e Podas (CETRUD), e deu sinal verde, prometendo de viva voz, que no próximo mês de setembro estará liberando a verba para concretização do projeto.

O prefeito Naldo Wiegert falou ao blog sobre o projeto da Utar:

– Retrospecto

 A Usina de Tratamento do Lixo foi uma coisa que sempre me preocupou, tanto que lá em 1995, quando eu era presidente da câmara de Vereadores, recebemos no gabinete do prefeito Alvorindo, um prospecto falando a respeito de usinas de tratamento do lixo e, desde aquela época, nós batalhamos por isso. O prefeito Alvorindo, na época, me deu todo o apoio e fomos atrás e fizemos o projeto, conseguimos a área e instalamos uma usina que foi inclusive exemplo na América do Sul de como tratar resíduos sólidos urbanos em pequenas cidades. Lamentavelmente, com o tempo, não houve o acompanhamento adequado do funcionamento da usina e agora, há pouco tempo, nós recebemos uma usina interditada.

Durante o governo passado, quando eu era vice-prefeito, fizemos várias tentativas de conseguir recursos prá recuperar a usina, porque ali existe um investimento público grande, financiado pela FUNASA e pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Mas, estava desativada e, por conta disso, inclusive com processos na FEPAM e tal por poluição do meio ambiente. Apesar das várias tentativas de conseguir recursos e não conseguimos, tivemos uma coisa positiva: o prefeito Zé, na época, fez uma licitação e foi adquirida mais quatro hectares anexos à instalação da Utar. Não houve evolução, não houve aproveitamento embora a prefeitura tivesse elaborado um projeto e protocolado na FUANASA em 2017 solicitando recursos.

– Projeto atual

 Em março deste ano, protocolamos junto à FUNASA um novo projeto que prevê a recuperação da usina de lixo, cujo propósito é fazer dela, novamente, um exemplo de tratamento. Esse projeto prevê energia fotovoltaica, aproveitamento das águas da chuva, compostagem da matéria orgânica, transformando em adubo, recuperação, reciclagem de todo o material que é possível reaproveitar, assim como retomarmos a coleta seletiva. O projeto prevê, também, que nesse complexo, o tratamento, recuperação e aproveitamento do entulho de modo geral, ou seja, reaproveitar praticamente tudo que é descartável e levar para um aterro sanitário apenas o absolutamente necessário.

É um projeto audacioso, moderno, feito por uma empresa especializada, o Canova, ali de Três Passos, que tem caminhada nessa área, e prevê um investimento de R$ 2.200.000,00, quase R$ 2.300.000,00.

– Visita do presidente da FUNASA

Presidente da FUNASA, Ronaldo Nogueira e o prefeito Naldo Wiegert

Para nossa satisfação, no último sábado (10), o presidente da FUNASA, Ronaldo Nogueira, ao vistoriar e inspecionar a Utar disse o seguinte: “na segunda quinzena do mês de setembro, agora mês que vem, está aberto prá nós o SICONV (Sistema de Convênio). Isso, indiretamente, significa dinheiro liberado. É uma notícia alvissareira”. Logicamente, a partir disso tem toda a tramitação e o recurso, provavelmente, como é um recurso nacional, deve entrar via Caixa Econômica. “A minha esperança é de que a gente consiga iniciar a execução desse projeto ainda neste ano”. Mas, isso não é uma garantia porque tem-se os percalços, burocracia, dificuldade legal, enfim.

Pretendemos, com a recuperação da nossa infraestrutura do tratamento do lixo gerar, diretamente, em torno de vinte a trinta empregos. Essa é a nossa expectativa e, daqui prá frente, o Ronaldo Nogueira tem um espinho no pé, porque, até agora estávamos só pedindo dinheiro, mas, no momento em que ele diz “vai ter o dinheiro”, nós vamos cobrar a liberação.

Temos uma grande expectativa também, já tivemos até sinal positivo de alguns prefeitos, de nós retomarmos o Consórcio Celeiro Sul, que existia no ano 2000. Ele foi extinto e nós pretendemos retomar, porque, quanto maior a quantidade de lixo que é levada até a usina, mais viável ela fica.

– Coleta seletiva

 Nós vamos começar pelas escolas. Nós temos que ensinar a criança de que é importante que se faça a separação do lixo. Isso funcionou muito bem em 1997, 1998, 1999, 2000. Com o tempo, se parou de fazer a coleta seletiva e, evidentemente, deseducamos o povo. E essa conscientização de educação ambiental, através das escolas, nós vamos iniciar antes mesmo de termos o projeto executado.

– Entulho

Hoje, nós já temos uma melhora significativa na questão do entulho. Até pouco tempo tínhamos o problema de estar coletando o entulho que o pessoal jogava em frente de casa e tal. Eu diria que 80% desse problema está resolvido com a implantação dos containers e fazendo uma pequena divulgação. Temos ainda em torno de 15% a 20% que não estão respeitando a determinação legal, de sempre pedir o container. Ajustes estão sendo feitos para facilitar a coleta de pequenas quantidades de entulho, poda de uma pequena árvore, por exemplo.

– Multa

A partir de agora ou o cidadão chama o container e bota dentro o entulho, porque, se ele botar na rua, o município vai recolher sim, mas, vamos notificar o cidadão, que ele pode não ter ouvido a notícia, nós damos ampla credibilidade para o que esse cidadão nos disser, ele vai dizer que não ouviu a notícia, que não estava em casa, que não houve rádio, que o panfletinho que chegou lá prá ensinar ele não leu, tudo bem, pode acontecer, então, ele botou o entulho, nós vamos coletar e ele vai ser notificado: “nós estamos retirando o entulho que o senhor devia ter chamado o container”. “Na próxima vez que ele botar entulho na rua, ele vai ser multado”.

– Expectativa e certeza

Agora sim eu posso dizer “estou na expectativa e na certeza de que, antes de eu terminar o meu mandato, eu ter recuperado a usina de tratamento do lixo, que, quando eu saí do governo do ano 2000, era um exemplo de tratamento do lixo na América do Sul. Então, eu tenho essa expectativa de voltar a entregar pro meu sucessor a mesma situação, aliás, melhorada em relação à realidade do ano 2000.