-
Por Leonardo Desideri – Gazeta do Povo
Após vitórias no primeiro turno, Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato se mobilizam agora pela eleição de Flávio Bolsonaro. (Foto: Sebastião Moreira/EFE / Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados / JeanFrancoZ/Wikimedia Commons / Victor Chagas e Bruno Koressawa/PL)
A vantagem obtida por Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno não está sendo vista pelas principais lideranças da direita como suficiente para baixar a guarda e tratar a eleição como resolvida. Governadores reeleitos, parlamentares que quebraram recordes de votação e até adversários do primeiro turno iniciaram uma mobilização que envolve viagens estratégicas nas menos de três semanas restantes até o segundo turno.
Flávio terminou o primeiro turno com 56,1 milhões de votos, contra 53,9 milhões de Lula (PT). A diferença de apenas 2,2 milhões de votos tem feito lideranças da direita repetirem um discurso de cautela: não baixar a guarda e evitar clima de vitória antecipada antes da votação decisiva, marcada para 25 de outubro.
“Eu não estou trabalhando com a eleição já ganha”, disse nesta quarta-feira (7) à GloboNews o deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG), mais votado da história do país, ao detalhar parte da estratégia. Segundo ele, a intenção é distribuir as principais lideranças pelo país, em vez de concentrá-las numa mesma região, e direcionar esforços tanto ao Nordeste quanto aos estados que registraram grande quantidade de votos brancos, nulos e abstenções.
Na quarta, Flávio e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reuniram em Brasília parlamentares e governadores eleitos pela legenda e outras figuras políticas para discutir o segundo turno. O partido saiu das urnas com 121 deputados federais e 19 dos 54 senadores eleitos neste ano, além de cinco governadores.
Nikolas prepara giro pelo Nordeste e mira votos brancos, nulos e abstenções
Um dos principais articuladores dessa mobilização será Nikolas Ferreira. O deputado participa da montagem de uma agenda nacional para o segundo turno e indicou duas frentes prioritárias: avançar no Nordeste e buscar eleitores que não escolheram nenhum dos dois candidatos no primeiro turno.
Em entrevistas recentes, Nikolas cita ainda Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul entre os estados em que pretende intensificar a campanha por causa do volume de votos brancos e nulos. O objetivo é atrair pessoas indecisas.
A estratégia passa também por espalhar as lideranças da direita pelo país, em vez de concentrá-las nos mesmos palanques. Os diversos aliados já eleitos no primeiro turno devem aproveitar as próximas semanas para ampliar o alcance territorial da candidatura de Flávio.
No Ceará, André Fernandes já anunciou que se dedicará especialmente à disputa presidencial, com “três semanas de motocarreata de ‘tchau, PT’, ‘tchau, Lula’” e de “Bloquinho do 22”. “A partir de agora é que nós vamos vestir a camisa para o nosso único candidato, para libertar o Brasil do PT, para libertar o Brasil do Lula, o Lula da mentira, da enganação e da farsa”, contou pelo Instagram.
Na ofensiva pelo Nordeste, Flávio também recebeu na quarta, em Brasília, o apoio de dois candidatos derrotados a governos estaduais: ACM Neto (União Brasil), na Bahia, e Efraim Filho (PL), na Paraíba, que estiveram com o presidenciável e se comprometeram a mobilizar suas bases no segundo turno. Neto anunciou que colocará seu grupo político para trabalhar pela candidatura de Flávio, enquanto Efraim afirmou nas redes que a reunião marcou o início das “ações e mobilizações” da campanha na Paraíba.
Tarcísio e Michelle também vão focar na campanha de Flávio
Tarcísio é outro dos nomes chamados a atuar fora de seu próprio estado e garante que vai “mergulhar de cabeça” na campanha de Flávio.
Na terça-feira (6), Tarcísio acompanhou Flávio a Goiânia no ato que formalizou os apoios do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e do governador reeleito Daniel Vilela (MDB).
O evento reuniu prefeitos e outras lideranças políticas. Vilela declarou que a base que sustentou sua reeleição trabalhará no segundo turno, enquanto Caiado afirmou que entraria “de corpo inteiro” na campanha.
Deputado eleito com a maior votação da história em São Paulo, Lucas Pavanato também anunciou que pretende deixar São Paulo para participar diretamente da campanha para o segundo turno.
Outra novidade da quarta foi a entrada mais visível de Michelle Bolsonaro na campanha. A ex-primeira-dama, eleita senadora pelo Distrito Federal, participou ao lado de Flávio da reunião com os parlamentares e governadores do PL em Brasília.
Michelle é uma aposta do PL no segundo turno para ajudar a atrair o eleitorado feminino a Flávio. “Temos menos de 21 dias agora para intensificar o trabalho nas ruas e dizer: as mulheres estão juntas, as mulheres estão acreditando neste projeto”, afirmou.
A senadora eleita já prepara sua primeira viagem desta etapa eleitoral, ao Amazonas, onde ajudará a campanha de Professora Maria do Carmo (PL) ao governo estadual e pedirá votos a Flávio.
Após vitórias no primeiro turno, Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato se mobilizam agora pela eleição de Flávio Bolsonaro. (Foto: Sebastião Moreira/EFE / Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados / JeanFrancoZ/Wikimedia Commons / Victor Chagas e Bruno Koressawa/PL)