Uma incoerência explícita na política brasileira é a defesa de um estado mínimo e um fundo eleitoral de cerca de R$ 5 bilhões ao mesmo tempo. Por mais incoerente que possa parecer, é isso o que acontece no País.

Não há como defender que dinheiro público, arrecadado do contribuinte empobrecido e de tantos outros miseráveis, vá parar nas mãos dos partidos políticos. O financiamento público das campanhas, defendido por alguns, está oficializado. E, para piorar, atende especialmente aos caciques e candidatos majoritários dos grandes centros urbanos.

O mesmo se aplica quando o assunto é fundo partidário – parte do recursos do Tesouro destinado para a manutenção das agremiações políticas.

Nesse cenário, nenhum partido está salvo da crítica. Em alguns casos, a gravidade é maior. Uma nata de dirigentes vive, e muito bem, com essa fortuna. Um caso emblemático foi noticiado por ISTOÉ em outubro deste ano. A reportagem revelou que a presidente do PTBGraciela Nienov, desviou boa parte da verba do fundo partidário para custear mordomias como o aluguel de uma mansão e uma cirurgia bariátrica.

O discurso de que as campanhas eram muito caras e deveriam ser limitadas perdeu a validade na política real.

É sabido que eram apenas palavras soltas e parte de uma demagogia. E não tem como ser diferente. Na lógica da disputa profissional e selvagem que está por vir, em 2022, o dinheiro para a compra de votos vai falar bem alto.

IstoÉ