Momento para refletir

O turbilhão de notícias ruins, o clima de pânico que se instalou em todo o mundo e a neurose quase histérica com as notícias alarmantes chegando de várias partes do mundo, preocupam sobremaneira. O coronavírus chegou ao Brasil, e é o único assunto possível nas duas últimas semanas. Talvez de todo o mês e de todo o ano. É impossível prever o alcance dos danos que a pandemia ainda causará no país e no mundo. O melhor que se tem a fazer é refletir sobre os temas da vida, especialmente sobre as razões da nossa existência e o sentido que devemos dar a ela antes e depois disso. Todos, políticos, empresários, imprensa, trabalhadores, aposentados, líderes e o povo em geral, devemos alimentar a esperança, pensamento positivo, para que saiamos desta situação difícil, em melhores condições “humanas e solidárias” do que tínhamos antes. Num momento de isolamento e reclusão, vemos que não somos melhores do que ninguém e a partir disso basearemos nossa conclusão, esperar que seja para o bem geral do nosso Brasil. Alguns perderão emprego, outros perderão empresas, só não podemos perder é a motivação. Quando a tempestade passar, estaremos todos cheios de esperança num futuro melhor. Pelo tempo de convívio maior com os familiares, melhoraremos. Com o descanso forçado por este isolamento, melhoraremos. Assim teremos novas ideias, novos planos, novos objetivos e novas metas. Uma vida nova nos espera e o bom é que por não termos passado por isso antes, não sabemos como será. De certo, é só que o mundo nunca mais será o mesmo. Nunca mais seremos como antes. Mas com pensamento positivo, com tudo de ruim que originou isso, após a tempestade, virá a bonança. Se Deus quiser. Ele há de querer.

A propósito

A crise está instalada. À população só resta seguir (sem negligência) as orientações dos profissionais de saúde, e manter a fé e altruísmo, “para que possamos sair engrandecidos da pandemia”. Só depende de nós. Vale lembrar o otimismo do ministro Sergio Moro, que disse: “Sairemos juntos, fortes, como a China já está saindo, sem pânico, com prudência e solidariedade”. “A única coisa que devemos temer é o próprio medo, o inominado, o irracional, o terror injustificado que paralisa os esforços necessários para converter recuos em avanços” (Roosevelt).

Lado bom

Onde está o lado bom? Difícil, mas não impossível, enxergá-lo. Apesar de tudo, devemos torcer para que o coronavírus nos sirva de lição. Dolorosa, claro, mas transformadora. Que seja uma chance de valorizarmos os serviços públicos de saúde, e cobrarmos isso dos governantes. Que seja uma oportunidade de exercer a solidariedade, o bem-querer, pensar no outro, no vulnerável, não só em si mesmo. Na Itália, o lema é: “Jovens, seus avós foram para a guerra. A vocês, só pedimos que fiquem em casa”. A agitação da vida cotidiana, como reuniões, festas, por exemplo, está suspensa. É tempo de se isolar, refletir, buscar o autoconhecimento, aproveitar o silêncio, ler mais, repensar escolhas, imaginar. Lave bem as mãos, não saia de casa, proteja seus pais e seus avós. Cuide-se para cuidar de todos. Apesar dos pesares, como já dito antes, podemos sair engrandecidos da pandemia, como seres humanos, como sociedade. Só depende de nós. Acredite e tenha paciência, vai passar.

Falando em solidariedade…

Num mar de ganâncias em que vivemos, principalmente com relação aos ganhos e gastos do dinheiro público, este momento de reflexão pode estar começando a mudar o modo de pensar das pessoas, inclusive dos políticos. O deputado Jerônimo Goergen está se empenhando para viabilizar a liberação do fundo eleitoral, também das emendas parlamentares, assim como é favorável à redução dos salários dos deputados federais, tudo a ser destinado ao combate ao coronavírus. Vereadores (de outros municípios, não do nosso) estão destinando todo ou metade de seus salários em prol da saúde pública. O presidente da Assembleia Legislativa do nosso Estado anunciou na quarta-feira (25) a suspensão de diárias e da emissão de passagens aéreas para viagens regionais, nacionais e internacionais pelo período de 90 dias, prorrogáveis por igual período, valendo para deputados e servidores. Outra medida foi o contingenciamento de 30% das verbas de custeio de gabinetes parlamentares, lideranças de bancadas, lideranças parlamentares, comissões, diretorias, departamentos e superintendências da Casa. Com a medida, a Assembleia devolverá R$ 30 milhões para ações do governo do Estado na linha de frente do controle da pandemia de coronavírus. Também foi aprovado pela Mesa Diretora o apoio ao redirecionamento das emendas parlamentares de R$ 55 milhões previstas no orçamento (R$ 1 milhão a cada deputado), para a saúde, especificamente ao coronavírus. Bem que o Tribunal de Justiça, que dispõe de R$ 1 bilhão em poupança, poderia usar esse valor para salvar vidas; o Tribunal de Contas do Estado, o Ministério Público, a Defensoria Pública, todos podem reduzir seus vultosos gastos e destinar a essa causa desesperadora provocada pelo coronavírus. Tudo depende do senso de humanidade de cada um.

Redução de salário

Em contato à coluna na manhã desta quarta-feira, o deputado Jerônimo Goergen disse que vota favoravelmente à redução do salário dos deputados que está para ser votada esta semana. O Projeto prevê redução da remuneração de ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autarquia e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos no âmbito federal, todos eles em serviço público ativo, com base nos seguintes percentuais: de 10%, para agentes que percebam remuneração ou subsídio superior a R$ 5 mil e inferior a R$ 10 mil; o mínimo de 20% e o máximo de 50%, para os agentes que percebam remuneração ou subsídio superior a R$ 10 mil. Tudo visando auxiliar no combate ao coronavírus.

Insensatos e gananciosos

Como não bastasse o coronavírus que preocupa a todos, os santoaugustenses foram agraciados com um ingrediente local digno de irritação e indignação, presente dos vereadores que insensatos e gananciosos, na calada da noite, se autoconcederam aumento de salário, ao contrário do que a população, ansiosa, esperava, que era a redução dos salários. Sem a presença de público e sem transmissão radiofônica (graças a pandemia do coronavírus), votaram e aprovaram aumento de seus próprios salários e criaram o 13º salário para vereadores, a vigorar a partir de janeiro de 2021. Mas não houve unanimidade, foram 6 votos a 2. Votaram favoravelmente ao projeto os vereadores Josias, Ultramar, Douglas, Janete, Joel e Neri Bidinha. Votaram contra o projeto, os vereadores Horácio e Valdez. O vereador Irani não votou, porque o presidente só vota em caso de haver empate. Horácio sustenta que votou contra porque considera o salário do vereador muito alto, pelo trabalho que faz; Valdez diz que votou contra porque o momento não é propício para aprovação de projeto dessa natureza. Simplisticamente, os vereadores que votaram favoravelmente ao projeto se defendem dizendo que o aumento é previsto em lei e que não cometeram nenhuma ilegalidade. Ora, ninguém está questionando a legalidade, mas sim a imoralidade. A população esperava redução, e não aumento. Foi tapa, ou cuspida, na cara do povo.

Não foi falta de aviso

O leitor mais atento deve estar lembrado das inúmeras vezes que a coluna reportou a indignação da população para com os altos salários (subsídios) dos vereadores de Santo Augusto, e o baixo desempenho e eficiência dos mesmos. Frequentes foram os contatos do leitor para que a coluna enfatizasse que os vereadores deveriam reduzir seus salários. E não foi falta de aviso. Inúmeras abordagens foram feitas sobre o assunto aqui na coluna. Mas como sempre, as pessoas gostam é de reclamar, mas não gostam se agir e muito menos de se expor. Nenhum eleitor, e nenhuma entidade se mobilizou para pressionar os vereadores e exigir que reduzissem seus salários. Deu no que deu. Em vez de diminuir salários como era esperado pela população, os vereadores aumentaram, em total desconsideração e desprezo para com a vontade do eleitor. Agora é tarde, não adianta entrar em polvorosa via redes sociais. Já deram a tacada. As pessoas têm que aprender a agir, a tomar atitude em tempo hábil, a não negligenciar, falar “olho no olho”. Até…

Reeditando

Lamentavelmente, o que se tem observado nos últimos 15 ou 20 anos, é uma inversão de valores, onde grande parte dos candidatos a vereador busca eleger-se unicamente para ganhar bom salário, e não para exercer a nobre missão e oportunidade de servir a comunidade, sem ser servido. O que deveria ser cargo social, passou a ser cargo para satisfazer ambição financeira para boa parte dos detentores desse cargo, com salários vultosos e desconexos em relação à média de salários dos servidores públicos do seu município. Mas nem tudo está perdido, o país vem passando por mudanças, que tal voltarmos a ter candidatos a vereadores efetivamente comprometidos com a sua comunidade. Sou de opinião que o salário do vereador não deve ser maior que a média salarial dos servidores públicos de seu município. Chega desse oportunismo, de com o pretexto de eleger-se vereador, atingir seu alvo predileto: bom salário.

Jornal O Celeiro