Uso de câmera corporal por policiais

 Há um ano sob experiência, iniciada em abril de 2021, com 14 militares, a Brigada Militar aos poucos vai ampliando o número de policiais usando a “câmera corporal”, acoplada ao uniforme, já atingindo em torno de 250 entre a Capital, Osório e Canoas. Os equipamentos também foram usados nos quatro Gre-Nais do Campeonato Gaúcho e na decisão entre Grêmio e Ypiranga, cujo propósito é “gravar e registrar em áudio e vídeo, em tempo real, toda a ação daquele policial em serviço”. Atualmente, além do Rio Grande do Sul, outros sete Estados testam o uso dos equipamentos. Doze (12) unidades da federação estudam o assunto e mais duas estão em processo de aquisição das câmeras. Como se trata de prática recente, ainda são escassos os estudos sobre seu efeito na rotina policial. Porém, um levantamento feito por universidades em cinco municípios de Santa Catarina, envolvendo 450 policiais, constatou queda de 61% no uso de força pelos agentes. Em São Paulo, o governo já implantou 2,5 mil câmeras em 18 batalhões a partir de junho de 2021. No mesmo período, a PM teve o menor número de agentes mortos em serviço em 31 anos – queda de 78% em relação ao ano anterior.

A propósito

O uso de câmeras por policiais em serviço é uma inovação interessante, traz mais garantia e segurança para os policiais em ação e às partes envolvidas, assim como dá transparência à atuação. O dispositivo, que grava independentemente de ser acionado pelo policial na rua, foi uma bela iniciativa de quem o criou. Vai inibir as habituais artimanhas de certos indivíduos e seu defensor que costumam distorcer a abordagem, alegando que não fez nada, estava desarmado, não portava droga, que a arma e/ou a droga lhe foi enxertada, que não reagiu à abordagem; que o policial foi truculento e chegou agredindo e atirando. Porém, não esqueçamos que vai servir, também, para identificar a real ação policial, se o agente agiu dentro ou fora da lei. Excelente medida.

Pré-candidatos pró e contra câmeras

O emprego de câmeras de vídeo acopladas aos uniformes policiais em serviço divide opiniões entre os pré-candidatos ao governo gaúcho, segundo noticiou a GZH, em sua edição de 29 de abril. Dos 10 postulantes, cinco são favoráveis à medida, três defendem mais estudos e dois são contra. Eis as opiniões dos pré-candidatos:

Beto Albuquerque (PSB)

“O RS tem os menores índices de conflito entre polícia e cidadão, menor número de mortes de cada lado. Tratar com cuidado para não criar crise onde não existe. Vamos avaliar com muito diálogo.” 

Edegar Pretto (PT)

“Importante iniciarmos o teste de câmeras corporais pela BM. A adoção dos equipamentos é recente e sua avaliação precisa considerar diversas questões, em diálogo com a sociedade e agentes de segurança.”

  Gabriel Souza (MDB)

“A instalação das câmeras nos uniformes dos policiais é uma medida válida e importante, pois usa a tecnologia a favor da segurança da sociedade e dos agentes da área. Sou favorável a iniciativas como esta, que, além de contribuir com a proteção dos próprios policiais, podem facilitar a identificação de suspeitos e criminosos, agilizando a elucidação de casos.”

  Luis Carlos Heinze (PP)

“Sou a favor. Trará proteção ao próprio militar. Porém, antes de gastos com câmeras, a Brigada Militar deveria ser equipada com novas viaturas semiblindadas, coletes, armas, tasers, entre tantos outros equipamentos necessários para a segurança da população e dos policiais.”

Marco Della Nina (Patriota)

“Não tenho dados completos, mas irei revogar essa medida. Sou contrário. Não vejo melhoria nenhuma na segurança.”

 

Onyx Lorenzoni (PL)

“A BM tem regulamento disciplinar muito rígido. Presta serviço de alta qualidade. Confio na polícia gaúcha. Se eu for governador, isso não vai acontecer.”

 

Pedro Ruas (PSOL)

“É imprescindível (o uso de câmeras). Apresentei projeto nesse sentido quando era deputado estadual e foi rejeitado. A polícia brasileira é a que mais mata e que mais morre no mundo. Os resultados em São Paulo mostram o acerto da medida, com a redução nas mortes.”

Ranolfo Vieira Júnior (PSDB)

“A implantação das câmeras corporais é caminho sem volta e extremamente relevante para qualificar ainda mais o trabalho das polícias. Essa iniciativa, que nosso governo implanta enquanto política de Estado, coloca nossas instituições no patamar do que há de mais moderno em termos de técnica policial.”

Ricardo Jobim (Novo)

Sou a favor da instalação das câmeras de forma gradual e avaliando indicadores. Vários países vêm adotando essa política com bons resultados.”

 

Roberto Argenta (PSC)

“Toda e qualquer ação que vise aumentar a segurança de quem exerce sua função policial e de quem recebe uma abordagem terá o nosso apoio. Mas é preciso governar dialogando sempre.”

Para Lula, policial não é gente

Em sua fala, na semana passada, em reunião com militantes petistas, o ex-presidente e ex-presidiário Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não tem outro discurso senão falar mal de adversários, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (PL) “não gosta de gente, gosta é de policial”. A expressão discriminatória contra policiais repercutiu de imediato e negativamente em todo o país, via redes sociais. A afirmação, o dito, indesculpável de discriminação e desumanidade verbalizado publicamente por Lula, dando o policial como um “nada”, chegando ao extremo de “não o considerar gente”, extrapola até a lógica de que “bandido não gosta de polícia”. Está no campo dele. Todo mundo sabe que bandido não gosta de polícia, mas insinuar que policial não é gente, aí já é demais.

Aliás

A emenda ficou pior que o soneto. Depois do ato discriminatório contra policiais, ao discursar para seus seguidores em 1º de maio, Lula disse que na verdade, queria dizer que Bolsonaro gosta de “milicianos”. Que escolheu o mês dos trabalhadores para pedir desculpas aos policiais que “por acaso” se sentiram ofendidos com o que ele falou. Ensaiou, mas não pediu desculpas. Como é do seu feitio, sem escrúpulo algum, em vez de pedir desculpas, o que o ex-presidiário fez foi cobrar pedido de desculpas. Ele disse: “Nesse país não é habitual as pessoas pedirem desculpa. Eu, por exemplo, estou esperando há seis anos que as pessoas que me acusaram peçam desculpas”. Como assim? O sujeito usando do cargo de presidente e influência política comandou o maior esquema de corrupção no país e ainda quer que alguém lhe peça desculpas? É isso? Esse corrupto, ex-condenado e ex-presidiário não está devendo pedido de desculpas só aos policiais, mas ao povo brasileiro.