O Brasil é um país corrupto?

Não digo que chegaríamos a tanto, mas, infelizmente, carregamos essa pecha. De alguma forma, os brasileiros se relacionam com a corrupção, quer seja na política, no mercado de trabalho ou em pequenas situações do cotidiano. Até porque a corrupção está relacionada ao percurso histórico do Brasil. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, houve um período de encantamento muito longo com as riquezas naturais dominadas pelos índios. Logo, os colonizadores europeus desenvolveram um método bem simples para usufruir das riquezas brasileiras: o suborno. Era um espelho em troca de um quilo de ouro. Alguns vestidos em troca de uma carga de madeira Pau-Brasil. Um pouco de arroz branco em troca de aves selvagens. Nesse período, o conceito de corrupção começou a ser enraizado na cultura brasileira, isto é, “nossa educação e formação cultural baseou-se em atos de corrupção desde o processo civilizatório”.

Onde está a corrupção?

No Brasil, os principais casos de corrupção estão relacionados à política e à economia. São bilhões de reais furtados ou desviados dos cofres públicos por meio de licitações falsas, superfaturamento, subornos, sonegação, entre outros. E essas são as razões de o país estar em crise financeira. Se todo o dinheiro desviado fosse aplicado nos fins necessários, certamente a economia pública estaria estável e muito mais qualidade de vida seria oferecida aos brasileiros. Se aprovamos ou desaprovamos uma prática corrupta, é uma análise pessoal. Todos ou quase todos diriam ser contra a corrupção. Que ironia! Se reprovamos a corrupção, então por que a praticamos? Paremos para refletir. É mais ou menos aquela ideia: “eu sei que é ilegal, eu sei que é errado, mas todo mundo faz então não tem problema”. É quase sempre assim. O cara pensa, mas logo repensa: eu não vou querer ser o Joãozinho do passo certo. E entra na jogada. Mas não estou generalizando. É uma questão de princípios, quem tem por princípio ser honesto nunca vai se dobrar. O Brasil é considerado corrupto porque tem a corrupção intrínseca nessas regras não faladas. Ela não é aceita moralmente nem legalmente, mas é praticada em maior ou menor grau por boa parte da população. E é preciso se opor a isso. Não podemos continuar transferindo a nossa responsabilidade.

A propósito

Precisamos demonstrar que não aceitamos mais a corrupção, que não vamos mais fechar os olhos para essas práticas, sejam elas cometidas por políticos ou por nossos vizinhos, familiares e amigos. E, sobretudo, não a praticarmos nós mesmos. E lembre-se, a corrupção não está relacionada apenas à política e à economia. Muito pelo contrário. São os pequenos atos do cotidiano que tornaram a prática tão comum aos brasileiros.

É a cultura brasileira

Somos um país onde quando fazemos a coisa errada achamos que está tudo bem, que não dá nada, que não vai atrapalhar ninguém e, para piorar, que quando somos chamados a atenção por uma pequena atitude errada ou ilícita ainda achamos ruim. Não temos a cultura de falar a verdade. De aceitar que chamem nossa atenção quando erramos. Um país que confunde educação com ensino, que confunde seriedade com responsabilidade, que confunde educação com simpatia não tem a mínima condição de se tornar país de primeiro mundo, nunca. E a culpa não é do político é do brasileiro, porque o político é um homem ou mulher que um dia saiu do povo, que pensou como o povo pensa e que, como a grande maioria dos brasileiros se acha acima das regras de convívio e respeito social. Lamentável dizer, mas pelo jeito, o que falta à maioria dos brasileiros é a oportunidade de roubar grandes quantias como fazem os políticos, pois se tivessem essa oportunidade o fariam, já que só ele não fazer em nada mudaria.

E não estou exagerando

Comprovando a conduta corrupta espalhada e encalacrada na população brasileira, muitos desonestos, se valendo da pandemia, botaram a mão no auxílio emergencial sem direito e de forma criminosa, entre eles, parentes de prefeitos, de vereadores e de secretários municipais, filhos de grandes produtores rurais, mulheres que recebem pensão generosa, servidores públicos municipais, estaduais e federais. Entre os identificados pelo GDI/Grupo RBS como beneficiários do auxílio (que varia de R$ 600 a R$ 1,2 mil, conforme o caso) estão um arquiteto de renome, um sócio de imobiliária, uma dentista, donos de empresas e políticos, nutricionista, uma mulher que está com casamento marcado para acontecer em Punta Cana, na República Dominicana, um dono de vinícola, o marido de uma magistrada e sócio de uma fábrica, dentista, arquiteto, médico, empresários, filhas de prefeito. Foram identificados entre os que sacaram o auxílio emergencial: 86.632 proprietários de veículos com valor superior a R$ 60 mil; 74.682 sócios de empresas que possuem empregados ativos; 22.942 beneficiários com domicílio fiscal no exterior; 21.856 proprietários de embarcações de alto custo; 17 mil mortos em cujo nome foram feitos pagamentos do benefício. Esse é o Brasil corrupto. Se é dinheiro público tem que abocanhar (surrupiar). Que ganância!

Dar um jeito no Jeitinho

Em Fortaleza, no Ceará, o Procurador do Ministério Público do Trabalho, Antônio de Oliveira Lima, está elaborando um projeto intitulado: “Dê um jeito no Jeitinho”, que consiste na mobilização da sociedade para a prevenção primária da corrupção, a partir da comunidade escolar, órgãos públicos, entidades da sociedade civil, igrejas e cidadãos (enquanto pessoas físicas) para atuar como multiplicadores da implantação e disseminação de boas práticas de prevenção da corrupção. É uma excelente ideia e de fácil desenvolvimento. Que tal “dar um jeito no jeitinho” por aqui também. Ainda temos pessoas e instituições do bem. É uma iniciativa que vale a pena. Ou não?

Aliás

Aí vale lembrar o dito: O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons. (Martins Luther King)

 

Coleta seletiva de lixo

A Prefeitura de Santo Augusto adotou, a partir de junho, a coleta seletiva dos resíduos sólidos urbanos. É o procedimento correto e a população deve colaborar e separar. Porém, a administração municipal “errou” na definição do roteiro para coleta do lixo orgânico quando vinculou com o descarte pelos moradores. Pela sua natureza, o lixo orgânico domiciliar precisa ser descartado diariamente. No entanto, a prefeitura estabeleceu que nos bairros a coleta é feita apenas dois dias por semana e nas Avenidas Central e do Comércio quatro dias por semana. O recolhimento do lixo é uma obrigação da prefeitura, e quem banca esse recolhimento é o contribuinte que paga a taxa de limpeza pública, incluída no IPTU. A prefeitura não tem poderes para determinar em quantos e em quais dias o morador vai descartar o lixo orgânico de dentro de sua casa. É um erro crasso da administração municipal. É impraticável e não terá efetividade. O recolhimento do lixo é obrigação da Prefeitura. Se não recolher…

Falando em lixo, e a UTAR?

Maquete do projeto de recuperação e ampliação da UTAR (CETRUD)

A UTAR, que deverá ceder o nome para CETRUD (Centro Ecológico de Tratamento de Resíduos Sólidos Domiciliares, da Construção Civil e Poda) teve um projeto aprovado ainda no ano passado e, no final de dezembro o presidente da FUNASA confirmou em visita que fez a Santo Augusto, a destinação e liberação de mais de dois milhões de reais para execução do projeto de recuperação e ampliação da Usina. O anúncio foi motivo de festa e aplausos, só que já se passaram sete meses e as obras não foram iniciadas. Provavelmente a anunciada liberação da verba não se concretizou. Assim, o que se prenuncia é mais um projeto de recuperação da UTAR parando no caminho. Enquanto isso, o prefeito Naldo vai acumulando promessas não cumpridas.