Assunto maçante

Sei que o assunto é maçante, ninguém mais aguenta ouvir falar em coronavírus. Só que não adianta querermos fugir dessa realidade que vivemos. O negócio é encararmos de frente e cada um fazer um sacrifíciozinho e sujeitar-se aos protocolos, sem aglomerações, sem reuniões, sem festas, sem praia, sem visitas, usar máscara e higienizar as mãos adequadamente. Se fizermos isso, associado à vacina que aos poucos vai sendo realizada, em poucos meses nos desvencilharemos do covid-19. É só termos vontade e persistência. Mas o objetivo da minha abordagem é dar a devida e justa ênfase ao trabalho das equipes linha de frente do combate ao coronavírus, profissionais que devem ser incentivados e reconhecidos pela população.

 Coronavírus

É real, não é brincadeira, o coronavírus teve um aumento explosivo e bombástico de infectados nos últimos dias em todo o Rio Grande do Sul, resultando em bandeira preta (risco altíssimo) em 11 regiões, enquanto as demais regiões estão todas em bandeira vermelha (risco alto). Entre as regiões em bandeira preta está a região de Palmeira das Missões, a qual abrange 10 municípios aqui da Região Celeiro, quais sejam: Três Passos, Barra do Guarita, Bom Progresso, Braga, Coronel Bicaco, Derrubadas, Miraguaí, Redentora, Tenente Portela e Vista Gaúcha. Em razão disso, o governo do Estado decretou “a vedação de abertura para atendimento ao público de todo e qualquer estabelecimento (lojas, restaurantes, bares, pubs, centros comerciais, cinemas, teatros, auditórios, casas de shows, circos, casas de espetáculos e similares, dentre outros), durante o período compreendido entre 20h e as 5h da manhã; e a vedação da realização de festas, reuniões ou eventos, formação de filas e aglomerações de pessoas nos recintos ou nas áreas internas e externas de circulação ou espera, bem como nas faixas de areia das praias, calçadas, portarias e entradas dos prédios e estabelecimentos, públicos ou privados, durante o horário compreendido entre 8h da noite e 5h da manhã, de 22 de fevereiro até 2 de março.

A propósito

Chegamos em uma situação de colapso, de um lado os leitos de enfermarias e UTIs para pacientes Covid-19 estão no limite de suas ocupações, e de outro, se aumentar o número de leitos e UTIs, faltarão profissionais para atender. O crescimento acelerado de casos de Covid-19 nos últimos dias é o mais violento já visto nesta pandemia. No Estado, já estamos chegando a 612.191 casos confirmados, 580.427 recuperados e quase 12.000 mortes, nos 497 municípios. A bem da verdade, só existe um jeito para cessar essa onda assustadora de infecções pelo covid-19: é as pessoas seguirem os protocolos, pararem com as aglomerações, deixar as festas e confraternizações para depois, usar máscara e higienizar as mãos como mandam as recomendações sanitárias.

Profissionais de saúde

O Covid-19, demonstrado tanto cientificamente quanto pelo que a população vivencia há um ano, é um vírus de elevada transmissibilidade e letalidade para qualquer indivíduo, principalmente para idosos e portadores de doenças crônicas. Essa situação evidenciou o papel crucial dos(as) profissionais de saúde para a garantia da vida das pessoas afetadas. Pandemias exigem prontamente que serviços de saúde respondam às demandas. Trabalhadores e trabalhadoras da saúde, como médicos(as), enfermeiros(as), fisioterapeutas, técnicos(as) de enfermagem, pessoal de limpeza e atendentes de serviços de saúde que estão na linha de frente de combate ao coronavírus, estão em contato direto, face-a-face, com pessoas infectadas, consequentemente, expostos a contrair a Covid-19. Apesar de serem fundamentais para a garantia da vida de populações inteiras, ações de atenção à saúde e segurança desses(as) trabalhadores(as) nem sempre são incorporadas às medidas de enfrentamento do problema, cuja dimensão precisa ser problematizada e medidas específicas e urgentes devem ser priorizadas para minimizar a insegurança desses(as) profissionais, seres humanos dotados de sentimentos, que convivem diuturnamente com o sofrimento e/ou morte dos pacientes, desespero das famílias e um volume de trabalho que não dá sinal de arrefecer. Tudo isso mina as forças de quem abraçou a missão de salvar vidas. Eles(as) merecem e precisam da solidariedade e reconhecimento da população. Muito se fala de empatia. Que tal retribuirmos a esses(as) abnegados(as) profissionais, a empatia deles para com o(a) paciente.

Exaustão é a palavra certa

Conversei, nesta terça-feira (23), com o médico Florisbaldo Polo coordenador da equipe de combate ao Covid-19, em Santo Augusto, oportunidade que ele discorreu sobre os trabalhos, as dificuldades e a exaustão que afeta cada dia mais a equipe, agravado pelo descuido das pessoas quanto as medidas preventivas.

Desabafo do Dr. Floris

 Dr. Floris e membros da equipe no momento da alta hospitalar do ex-vice-prefeito Marcelo

Aparentando cansaço, o médico assim se expressou à coluna: “Exaustão é o termo mais adequado para o que nós realmente estamos passando. É uma situação muito difícil. Além do atendimento presencial de até 60 consultas por dia na Unidade Sentinela (manhã e tarde), atendemos pacientes no hospital, atendemos também via whatsapp, que são muitas. Essa sobrecarga está difícil de suportar, em virtude de que estou eu como médico na linha de frente, o doutor Rudinei também tem me dado um costado, e a enfermeira Patrícia, especialmente a Patrícia está 24 horas por dia sob uma carga de trabalho, de muita exigência. No atendimento direto pelo WhatsApp são muitos e muitos questionamentos, perguntas e realmente está difícil. A equipe é pequena o que dificulta mais ainda. E a gente se expõe de uma forma também que deixa muitas vezes nos questionando até que ponto nós, especialmente eu de risco, se submeter a esse estresse e a essa exposição com os pacientes com Covid, mas, até agora tem dado certo, temos tido essa força, essa proteção e espero que possamos continuar dando à comunidade de Santo Augusto o possível e, às vezes, quase o impossível. No hospital, a área do Covid é isolada, porém os funcionários também são mais expostos. A pressão dentro do isolamento do Covid é grande e estressante, mas a maior pressão mesmo é na Unidade Sentinela. Aí, realmente, a situação está difícil. Nos últimos dias tornou-se mais difícil ainda pelo grande número de pacientes que tem vindo ali junto à Sentinela. As pessoas não estão tomando os cuidados em casa, famílias inteiras são contaminadas e aí acaba que todos nós passamos a ter que administrar essa situação. Por isso, a gente está pedindo a colaboração da comunidade, mas, parece que ela está um pouco anestesiada e não está colaborando o quanto ela pode colaborar, a fim de que realmente a gente possa enfrentar esse grande inimigo aí, que é a Covid”.

 Tratamento precoce

O médico, Dr. Florisbaldo, falou também sobre o tratamento precoce. “Identificado que é Covid, iniciamos imediatamente o tratamento precoce, que é feito por hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina. Esse tratamento é complementado em pessoas de maior risco, como diabetes, obesidade, hipertensão, idoso, com um Xarelto anticoagulante de corticoide, mas isso é para alguns casos só, os demais independente de idade, embora que o tratamento hidroxicloroquina é só acima de 18 anos que a gente usa, (abaixo dessa idade tem outros medicamentos que usamos precocemente). É um tratamento que tem sido preconizado desde o início e lamentavelmente não foi instituído pelos governos dos Estados já que o STF deu a eles a autoridade de decidirem sobre as condutas em relação ao Covid. Mas lamentavelmente o tratamento precoce não foi instituído. Há uma política de interesse ideológico que combate, e nós na prática temos o maior convencimento de que realmente ele evita o agravamento da doença e evita também as complicações que acabam indo para a UTI, claro, alguns vão para a UTI igual, mas assim mesmo são raros os casos”, finalizou Dr. Florisbaldo Polo.