Por que não foi reeleito?

Em primeiro lugar deve-se salientar que prefeito é eleito para melhorar a vida da população e não para se reeleger. O foco de qualquer prefeito, olhando pela lógica, deveria ser a melhoria das condições de vida do cidadão, preocupando-se sempre em deixar a cidade melhor. Se isso acontece e é colocado em prática desde o primeiro ano de governo, a reeleição será uma consequência natural e será atingida sem muito esforço. Para isso, é imprescindível que o prefeito conheça a opinião da população e suas necessidades, aí fica mais fácil e eficiente para a administração promover a melhoria das condições de vida, além de permitir a criação de indicadores de satisfação e a melhoria dos índices de popularidade. Ao atingir esse nível, os grupos políticos procurarão estar ao seu lado, facilitando então a reeleição. Quando o prefeito coloca sua atenção na reeleição e em manter o seu “grupo” unido em torno de si, ele acaba atendendo às necessidades desse “grupo” ficando distante de quem realmente manda na eleição: o cidadão comum e que depende diretamente das ações do poder público. O eleitor mudou e vem mudando cada vez mais, as informações são disseminadas em velocidade impressionante e hoje ele está muito mais atento e crítico em relação às ações realizadas pelos gestores públicos. Portanto, mais do que nunca, o foco deve ser a satisfação do cidadão e melhoria da qualidade de vida. Não só no último ano, mas desde o início, ou seja, o prefeito é eleito para administrar por quatro anos e não um.

A propósito

Certa feita ouvi de um ex-prefeito: Fui prefeito por quatro mandatos, e cada vez pior, população insatisfeita com tudo, vereadores complicados, oposição querendo destruir minha reputação e biografia, imprensa cobrando caro, funcionalismo pensando só em si e sem o sentimento de servir a sociedade, tribunal de contas numa inquisição e o ministério público querendo mandar no prefeito e encher de processo o prefeito, os “amigos e parentes” buscando vantagens, os cargos de confiança formando grupelhos, o mais tranquilo foi o primeiro mandato, disse. Por que será? Simples. O continuísmo oportuniza criar vícios, comodismo e excesso de confiança, resultando na má gestão.  

Depende da performance

O prefeito é o principal gerente dos serviços públicos diretamente fornecidos à população. É a figura política mais facilmente identificada como responsável pelos buracos e sujeiras das ruas, pela deficiência na iluminação pública, pelo desleixo na mobilidade urbana, pela falta de manutenção das estradas rurais, por dificultar o empreendedorismo, pelas questões de saúde e educação públicas, pela má qualidade dos serviços públicos prestados. Sua performance é observada pelo eleitor com facilidade. A eventual constatação de uma má (boa) performance administrativa reduz (aumenta) a possibilidade de reeleição de um prefeito. E o eleitor, em sua maioria, está atento e é soberano nessa avaliação e julgamento.

 Reeleitos no Estado

Diferente das eleições de 2016, o número de candidatos a prefeito no Rio Grande do Sul que concorreram para se manter em seus cargos aumentou: foram 290 prefeitos na disputa por um segundo mandato, dos quais, 210 (72%) se reelegeram. Como resultado das urnas, a taxa de reeleição no RS cresceu de 23% para 42%. 4 candidatos disputam o 2º turno – 0,80%, e 3 candidatos aguardam julgamento – 0,60%.

Reeleitos na Região Celeiro

Na Região Celeiro, dos 21 prefeitos, 12 concorreram à reeleição na busca de um segundo mandato, dos quais, 9 conseguiram se reeleger: Rodrigo, de Barra do Guarita; Armindão, de Bom Progresso; Eder, de Chiapetta; Jora, de Coronel Bicaco; Alair, de Derrubadas; Ledur, de Esperança do Sul; Everaldo (consenso), de Inhacorá; Nilson, de Redentora; Alceu, de Tiradentes do Sul.

Não reeleitos na Região Celeiro

Dos 12 prefeitos que buscavam manter-se por mais quatro anos na chefia do executivo em seus respectivos municípios, aqui na Região Celeiro, o insucesso ficou com Ivonir Botton (Toco), de Miraguaí; Naldo Wiegert, de Santo Augusto; Vladimir Antônio Vettorato, de São Valério do Sul. Coincidência ou não, embora as denúncias não tivessem sido acatadas pelo Ministério Público, tanto Vettorato quanto Naldo Wiegert foram denunciados formalmente por vereadores pela prática, em tese, de irregularidades administrativas. Vettorato, implicado no caso do adubo que tinha como destinatários os agricultores indígenas, e Naldo, no caso da autorização de pagamento do décimo terceiro salário de forma irregular ao prefeito, vice e secretários, inclusive favorecendo-se a si próprio. Então fica a possibilidade de que esses fatos, embora não tenham tido seguimento, associados com outras possíveis ações ou omissões no contexto geral de suas administrações, tenham influenciado para o fracasso nas urnas.

Rua Floresta, de novo

Em julho deste ano a coluna reportou sobre o asfalto mal feito na Rua Floresta, se esmigalhando poucos dias depois de (mal) feito e liberado ao trânsito. O prefeito contrapôs o colunista dizendo que não era verdade, e que o serviço ainda não tinha sido concluído. No entanto, agora, quatro meses depois, moradores daquela mesma rua (Floresta), praticamente em área central da cidade, nas imediações do cruzamento com a Rua Moisés Viana, estão sendo prejudicados exatamente pela má qualidade do asfalto que foi colocado. Um dos moradores falou à coluna que com o calor e sol forte o piche esquenta e, devido à má qualidade do material e serviço, começa se derreter, aí, como paliativo, a Prefeitura esparrama pó de brita na pista de rolamento. Esse pó, com o trânsito de veículos e com o próprio vento provoca intensa poeira invadindo as residências, fazendo com que os moradores tenham de manter as janelas fechadas, prejudicando a todos e principalmente as pessoas idosas que têm de permanecer no interior de suas casas e sem ventilação. Além disso, tem o dano nos imóveis, pois esta poeira gruda nos telhados e paredes ficando impregnada. Reclamar na Prefeitura não adianta mais, disse o morador, que sugere a colocação de quebra-molas ou redutor de velocidade na esquina da Rua Floresta com a Rua Moisés Viana. A comprovação da grande poeira formada pelo pó de brita está estampada na foto anexa.

O que diz o Sec. de Obras

A coluna contatou o Secretário de Obras Samuel Cirilo sobre o caso da poeira na Rua Floresta, tendo ele dito que, por ser mais barato, foi colocado o asfalto frio, o qual pelo período de alguns meses cede ao calor do sol e se dissolve (derrete), provocando, além da deterioração da camada asfáltica, o incômodo de grudar nos pneus dos veículos que por ali transitam. Para amenizar o problema, está sendo colocado (esparramado) pó de brita sobre a pista, o que ocorre geralmente às sextas-feiras, até que o piche fique curado (seco) definitivamente, disse. Quanto a possível colocação de um redutor de velocidade na esquina da Rua Floresta com a Rua Moisés Viana, Samuel disse que é inviável, haja vista que logo adiante, na baixada, já existe um quebra-molas. Em síntese, o secretário Samuel disse que não há o que ser feito, não tem como atender ao clamor dos moradores, e pior, que o problema ainda vai permanecer por alguns meses até que o piche fique seco por completo. Lamentavelmente, é essa a resposta do Poder Público aos apelos dos moradores prejudicados pela incômoda poeira.

O que esperar dos novos?

Me reporto sobre o que esperar dos “novos” prefeitos eleitos, porque dos “velhos” (reeleitos) só se pode esperar o óbvio, continuísmo, portanto nada muda. O eleitor já participou, foi às urnas no dia 15, votou e elegeu seu prefeito ou prefeita. Mas será que sua participação se limita em votar, terminou aí? Não, claro que não. O eleitor tem o direito e o dever de participar sempre, saber o que o seu eleito ou eleita faz na Administração do Município. Ele não pode só ficar assistindo e muitas vezes reclamando à toa. O eleitor tem que cobrar do(a) prefeito(a) o cumprimento das promessas feitas em campanha, e com persistência, para se fazer notar e respeitar. A eleição municipal tem grande impacto na vida de cada cidadão e cidadã. Não basta escolher e eleger o prefeito para que a administração da cidade melhore, é preciso assegurar que as promessas de campanha se tornem compromissos efetivos com o cidadão ao longo dos quatro anos de mandato. E isso se consegue mediante acompanhamento e cobrança do eleitor. E não é só o eleitor. Os partidos e os políticos têm responsabilidade e, por isso, serem os primeiros a acompanhar o desempenho de seus quadros partidários ao longo do mandato, cobrando eficiência e coerência.

Temos o exemplo

Em Santo Augusto, o prefeito atual, gestão 2017/2020, não foi cobrado, só reclamado à distância, choramingo de eleitor tímido ou acomodado, e o resultado foi o “não cumprimento” por parte do prefeito de grande parte das promessas feitas em campanha como as seguintes: Saúde: novas especialidades médicas, implantação de UTI e pronto-socorro no hospital. Infraestrutura: melhoria na sinalização de trânsito; padronização dos passeios públicos e acessibilidade; asfalto desde o IFFar até a RS-155; ciclovia no acesso ao IFFar; disponibilização de área de terra ao IFFar para curso de agronomia; construir auditório no centro de eventos; construir profissionalmente estradas rurais duradouras; disponibilizar equipe permanente de manutenção das estradas rurais; recuperação da Utar. Turismo: incluir, efetivamente, o município na Rota Turística do Yucumã; retomar o projeto “Trilha das Orquídeas”. Segurança Pública: Integrar as ações municipais de segurança pública; aperfeiçoar a legislação para Eventos Populares; adotar modelo de gestão integrada de segurança pública com representantes da sociedade. E noutras áreas também. Tudo isso aí ele “prometeu e não realizou” nos quatro anos de governo.