Não aponte culpados, cuide-se

Equivocadamente, a pandemia do coronavírus é levada para os níveis de simpatia ou antipatia político-partidário. Não devia ser assim. Muita gente politiza tudo, no impulso e com radicalismo, sem base alguma, aponta culpados pela disseminação do vírus, direcionando críticas aos governos municipais, estaduais e da União. Em Santo Augusto, a prefeita Lilian, sua equipe de governo, a Secretaria da Saúde e todo o sistema de saúde do município tem feito de tudo e mais um pouco dentro de suas limitações para combater a covid-19. Inclusive, estamos em plena vigência do decreto do “toque de recolher”, das 21 às 5h da manhã. Cobram fiscalização, porque aglomerações continuam a existir. A fiscalização existe, porém, com o reduzido efetivo tanto de fiscais sanitários quanto da Brigada que presta apoio, é difícil cobrir toda a cidade e município. Reconheça-se que a prefeitura mobilizou tudo o que está ao seu alcance (estrutura material, financeira e humana, alertas nas redes sociais e outros meios de comunicação, orientações, e serviço de som nas ruas com os profissionais de saúde fazendo repetidos e insistentes “apelos” para que cada um cuide da sua própria saúde e do seu próximo). Mesmo assim, as aglomerações aqui e acolá continuam acontecendo. Pessoas não cumprem os protocolos sanitários, se aglomeram, não usam máscara e não higienizam as mãos. O coronavírus faz a festa e segue contaminando. E só vai parar se nos cuidarmos. Não aponte culpados, olhe para si, se cuide e cuide.

Empreguismo

Não é de hoje que se ouve críticas sobre o excessivo número de funcionários na prefeitura de Santo Augusto. Compactuo com a ideia de que há um forte inchaço sim, bastante acentuado numericamente nas duas últimas administrações, de 2013 a 2020. Hoje, entre agentes políticos, funcionários efetivos, comissionados (CCs), temporários e outros, o número de servidores ativos beira os 600, bem acima da média nacional, que é de 3,1 servidores municipais para cada 100 cidadãos. Fosse seguir a média, o número em Santo Augusto ficaria em torno de 430 servidores municipais, o que ainda seria muito alto. Quanto aos CCs, as duas últimas administrações foram razoáveis, com 21 e 19, respectivamente, enquanto a atual já contratou 23 CCs. O inchaço mesmo vem das desmedidas contratações de servidores efetivos, concursados. Nos últimos oito anos já se aproxima de 200. Na atual administração, já foram contratados 8 servidores, oriundos de concurso público, com uma média de contratações, de 1,6 servidor por mês. Urge estancar esse empreguismo e melhor explorar o desempenho dos atuais. É uma questão de gestão de pessoas. Obras, por exemplo, padece com a escassez de servidores, enquanto outros setores há excesso. Afinal, qual é o critério?

Digamos, frustrante

É isso mesmo. Com base nos discursos e atitudes dos vereadores de Santo Augusto na sessão de 24 de maio, avaliei e me senti frustrado. Em vez da harmonia entre os pares, debate de ideias em torno de melhorias ao município e sua gente, o que se viu por parte de alguns foi discurso agressivo, ofensivo, debochado. O veterano vereador Horácio, duro em suas palavras, comedido, “aconselhou” com sabedoria e experiência aos seus colegas Cesar Paulo (Bugio) e Omar. Nos discursos, alguns foram horríveis e deselegantes, alguns demagógicos demais e outro muito dono de si, egoísta. Mas selecionei quatro dos vereadores que me chamaram a atenção positivamente, com boas colocações, boa postura e bons propósitos. São eles: Maurício, Max, Eder (Tomate) e Glades (*). Que estes sigam assim, e os outros melhorem suas posturas.

Corsan à venda

Nesta terça-feira (1º), a Assembleia Legislativa aprovou em segundo turno a proposta de emenda à Constituição (PEC) e acabou com a necessidade de plebiscito para a privatização da Corsan, do Banrisul e da Procergs. Assim, o governador Eduardo Leite concretiza seu desejo de repassar o controle acionário da Corsan à iniciativa privada. Com a aprovação, o governo deverá apresentar projeto específico pedindo autorização para vender a Corsan, para o qual são necessários 28 votos. Além dos deputados de PT, PSOL e PDT, cinco aliados do Piratini votaram contra a PEC: Thiago Duarte (DEM), Capitão Macedo (PSL), Patrícia Alba (MDB), Elton Weber (PSB) e Airton Lima (PL).

Áudios e vídeos como prova

Tramita no Congresso Nacional Projeto de Lei de autoria do senador Lasier Martins que autoriza o uso de áudio ou vídeo gravado pela própria vítima como prova de crime. O PL muda a Lei das Interceptações Telefônicas para que captação ambiental feita por um dos interlocutores sem conhecimento prévio de autoridade policial ou do Ministério Público sirva tanto à defesa quanto à acusação, desde que a gravação seja íntegra. O Projeto de Lei Anticrime, de Sergio Moro, já previa a utilização de tais provas para vítima e para acusado. No Congresso foi modificado e retirado da vítima esse direito. O presidente Bolsonaro vetou, mas o Congresso derrubou o veto. Portanto, para corrigir esse crasso erro, o senador Lasier apresentou o PL que autoriza o uso de áudio e vídeo como prova à vítima e ao acusado. Se aprovado, vai ser de muita valia nos crimes de violência doméstica, especialmente nos crimes contra a mulher.

Profecia autorrealizável

Muitos democratas têm se manifestado no sentido de que uma “terceira via” não tem chance e que um segundo turno entre Bolsonaro e Lula é inevitável, nas eleições presidenciais do ano que vem. Ao mesmo tempo, elogiam Lula. Mas quem é Lula? Foi Lula quem criou a polarização e o ódio político: “nós x eles” que impede o país de se reconciliar consigo mesmo começou contra Collor em 1989, intensificou-se no mensalão, chegou ao paroxismo na Lava Jato e no impeachment de Dilma. O hábito petista de chamar quem não seja petista de fascista, racista, homofóbico, etc, perdura até hoje. Fake News foram usadas para assassinar a reputação de Marina Silva em 2014, e foi Lula que iniciou a campanha de desmoralização da imprensa (que os petistas chamam de “mídia golpista”).

Lula não foi inocentado

Não, Lula não foi inocentado. Que fique claro: o Supremo Tribunal Federal não inocentou Lula. Ele não foi considerado inocente por nenhum dos capas-pretas no julgamento. Pelo contrário, todos os elementos descobertos pela Lava Jato em relação ao ex-presidente continuam presentes. Nem sequer houve a tentativa de mostrar que o farto conjunto de provas apuradas contra ele está equivocado. Apenas teve suas sentenças condenatórias anuladas, até que um outro juiz, de outra vara criminal, analise os processos e profira novo parecer.

Aliás

O STF ratificou por 8 x 3 a decisão do ministro Edson Fachin, declarando a 13ª Vara de Curitiba incompetente para julgar os casos de corrupção do ex-presidente Lula. Porém, vale relembrar: O Lula, líder da quadrilha do Petrolão, segundo denúncia do MPF, foi condenado em 1ª instância por Sergio Moro; em 2ª instância por três desembargadores; e no STJ por cinco ministros. Portanto, eis o placar final: 12 a 8 contra o petista.

Simplesmente surreal

É surreal, a que ponto chegam as coisas no Brasil. Vivemos a era do grotesco, da aberração, da inconsequência. Retirada da Colômbia em virtude dos protestos político-sociais, e da Argentina em razão da pandemia, a Copa América 2021 encontrou seu novo destino: o Brasil. A Argentina foi preterida, em última hora, a sediar os jogos da competição por causa do aumento de casos de contágio do novo coronavírus no país. Em consequência, de um momento para outro, o Brasil foi escolhido pela Conmebol, e se torna sede da Copa América 2021. Aliás, não sei se foi escolhido, ou se o Brasil se ofereceu. Peraí, da mesma forma que a Argentina, o Brasil também não controlou sua onda de contaminação da doença. Nosso país continua enfrentando altos e baixos e novas ondas de contágios e mortes, além de ter UTIs com lotação em alta, acima de 80%, em alguns Estados. O pronunciamento da Conmebol na manhã de segunda-feira (31) aponta uma influência do governo Bolsonaro para que a Copa América migrasse para o Brasil. E, não por acaso, agradeceu ao presidente brasileiro.

Consequências

Mesmo que não haja público nos estádios, os contágios pela covid-19 não deixarão de ser uma grande preocupação. Os fluxos das delegações nos aeroportos, nos hotéis, nos próprios estádios, enfim, os aglomerados serão inevitáveis. A Copa América no Brasil, neste momento de pandemia, é uma decisão temerária. Inaceitável que o Brasil com mais de 460 mil mortos pelo covid-19 sedie evento que não somente vai mobilizar muitas pessoas, mas exige infraestrutura do sistema de saúde, que neste momento está inteiramente esgotado. As exigências dos protocolos da Conmebol, por certo, vão fazer com que hospitais tenham de ficar à disposição do evento, ambulâncias, corpo médico e demais profissionais da área também. Essa decisão de transferir a Copa América ao Brasil, em meio à pandemia, beira o deboche e revela que autoridades (do futebol e da política) envolvidas, simplesmente não respeitam vidas, e nem mortes. É um soco no estômago dos que rezam todos os dias para não ser contaminados.