Manual anticorrupção

Enquanto tenta apagar da memória dos brasileiros seu protagonismo nos escândalos do mensalão e do petrolão, depois dos quais não puniu nenhum de seus integrantes condenados, o Partido dos Trabalhadores quer convencer o país de que não irá mais tolerar corrupção. Com a maior cara de pau, a sigla comandada pelo ex-presidente Lula, ex-condenado na Lava Jato, comunicou à Justiça Eleitoral que está elaborando um “Programa de Combate Ostensivo à Corrupção”. O PT apresentou formalmente a minuta de um “Manual Anticorrupção” proibindo uma série de práticas que já levaram seus dirigentes, incluindo seu comandante de honra, para a cadeia. Com 21 artigos, o manual petista fala em “reforçar os valores” do Código de Ética e Conduta do partido. O texto lista oito condutas “consideradas ilícitas”, algumas dessas condutas atribuídas a eles mesmos, à sigla e a seus líderes, pela Operação Lava Jato, como pagamento de propina e caixa 2 de campanha. Querem enganar a quem? Isso é cinismo, é tentar jogar a sujeira pra debaixo do tapete, é piada de mau gosto, é querer vender uma imagem que não é a sua, é brincar com a inteligência dos brasileiros do bem, é querer enganar de novo. Aliás, o PT e o ex-presidiário nunca se dignaram a fizer mea culpa.

Corrupção serial killer

Não tenhamos dúvida, um dos crimes de colarinho branco mais danoso e prejudicial, é “a corrupção serial killer, que mata em silêncio”. Ela se disfarça de buracos em estradas, falta de medicamentos, crimes na rua, miséria. Mas, como se esconde, dificilmente é responsabilizada pelas mortes que causa. Porém as pessoas que sofrem suas consequências existem e têm nome. E ninguém está livre de ser a próxima vítima. Todos nós temos razões de sobra para nos indignar e tomar uma atitude. Tome a sua.

Indignar?

É, não é só o fato de nos sentirmos roubados pela corrupção que nos deixa indignado. À nossa volta vemos pobreza, falta de infraestrutura, estradas deploráveis, segurança deprimente, serviços públicos de baixa qualidade e gente que morre de fome, de doenças tratáveis. São problemas que não podemos resolver como cidadãos. Pagamos impostos para que o Estado dê conta deles. Se essas mazelas decorressem da falta de dinheiro, até se entenderia. Mas as soluções não vêm porque grande parte das verbas se perdia (e se perde) no caminho, indo pelo ralo da corrupção.

Quem mais sofre?

Quem mais sofre com a corrupção são os pobres, que, ao contrário dos ricos, não podem arcar com os serviços essenciais que deixam de ser oferecidos pelo Estado. O rico consegue pagar alguns serviços do próprio bolso, enquanto o pobre paga mais frequentemente com a vida. Quem mais paga é o paciente que precisa urgentemente de tratamento contra o câncer, mas que não consegue porque os equipamentos do hospital não funcionam ou porque não há vagas. É a criança que almoça apenas biscoito e suco no colégio porque a verba da merenda escolar foi desviada, surrupiada. São os 13 milhões de analfabetos que não tiveram acesso ao ensino, o que nos leva a ser a “oitava maior população analfabeta do mundo”. É o cidadão comum, que sofre a condenação mais cruel, enquanto os corruptos saem impunes.

Enfim…

Os números da corrupção revoltam – não por sua grandeza, mas pelo sofrimento que escondem. Nunca deveríamos perder a capacidade de nos indignar frente à injustiça. Não podemos nos anestesiar. É preciso fazer nossa indignação fluir pelos canais democráticos e pacíficos de transformação social. É preciso fazermos valer a nossa indignação e não mais permitirmos a permanência e/ou a volta de corruptos na gestão e nos destinos dos recursos públicos. Tenhamos sobriedade, lucidez e discernimento.

Eles se acham

É incrível que num país como o nosso, com 213,5 milhões de habitantes, não tenha um terceiro nome capaz de concorrer à presidência da República com viabilidade de desbancar Bolsonaro e Lula, que se acham serem únicos e onipotentes, enxergando só um ao outro como adversário. Eles desdenham da possibilidade de um candidato de terceira via para a corrida ao Palácio do Planalto, em 2022. Bolsonaro afirma que não haverá terceira via e que a disputa será entre ele e Lula. Lula diz que a terceira via é uma invenção dos partidos que não têm candidato; que terceira via é desculpa de quem está sem chance; que até seria importante que todos os partidos lançassem candidato e testassem sua força. Essa dupla é muito debochada! Eles se baseiam nos nomes até agora ventilados para terceira via que, de fato, não têm força política. Mas não deviam subestimar, esse nome ainda pode aparecer, inclusive o Moro. Quem sabe.

Aliás

Considerando as manifestações Brasil afora, nesta terça-feira, Dia da Independência, que foi sem dúvida a maior mobilização de todos os tempos, e a persistir a polarização, Bolsonaro será reeleito presidente ainda no primeiro turno, em 2022. Contudo, essa evidência aguçou a raiva, não só da esquerda e da oposição, mas do STF e do TSE que vão fazer de tudo para tornar Bolsonaro inelegível.

 Comunidade em pânico

Gráfico demonstrativo do local, que nos foi enviado pela professora/moradora Márcia Correa

Um clube de tiro instalado na Vila Pedro Paiva, interior de Santo Augusto, tem perturbado a tranquilidade, causado pânico e medo às pessoas que moram, trabalham, estudam e convivem na localidade. Moradores informaram à coluna que desde o início do verão, em horários diversos tanto de dia quanto de noite, convivem com o barulho (estampidos) de disparos de armas de fogo e zunido de balas, além de encontrarem em seus pátios projetis disparados durante os treinos de tiro no interior do clube, o que traz risco à integridade física e à própria vida. Além das perturbações e riscos aos vários morados nas proximidades, inclusive idosos, o problema se agravou ainda mais com o início das aulas presenciais, cuja escola situa-se bem próximo ao stand de tiro, onde os alunos são expostos ao perigo. Uma professora ressaltou que o pânico tomou conta, moradores adjacentes, alunos, professores, pais, todos, perderam a tranquilidade, vivem assustados e amedrontados. Os responsáveis pelo clube de tiro foram e estão sendo, no mínimo, negligentes, imprudentes e egoístas.

Providências

Buscando providências para sanar o problema, alguns moradores contataram com o proprietário do imóvel que disse não ser com ele, e que o responsável mora noutra cidade. Tentaram contato, mas sem sucesso. Criaram uma comissão e passaram a buscar solução. Foi feito BO na polícia civil, onde foi entregue um projetil calibre 22 encontrado no pátio de uma das residências vizinhas ao clube de tiro; e denúncia direta ao promotor de Justiça, além de um abaixo assinado que já foi entregue na Promotoria de Justiça, na Delegacia de Polícia, na Brigada Militar, na Câmara de Vereadores e será entregue também à Prefeita Municipal. Tudo isso na ânsia de encontrar a solução para tão grave problema que aflige aquela comunidade. Em meio a repercussão, segundo consta, a fiscalização do Exército de Santa Rosa esteve no local e interditou o stand até que algum ajuste seja feito, e laudo técnico seja emitido pelo setor competente.

Atos que deixam dúvidas

Essa questão do stand de tiro ou clube de tiro na Vila Pedro Paiva nos impõe alguma dúvida. Primeiro, por que foi construído em meio a um núcleo habitacional, onde há um aglomerado de casas residenciais e, inclusive, uma escola? Segundo, pelo que se vislumbra, não foram observadas regras de construção e requisitos básicos para operar com segurança, como a proteção balística – “para-balas” – que evita a saída dos projetis para fora do stand, e, o isolamento acústico. Aliás, esses são dois pontos críticos e cruciais de um stand de tiro, pois a saída de som é problema sério, e a saída de bala para fora pior ainda, e ambos devem ser evitados. Terceiro, por que a fiscalização deu ok, e por que a Prefeitura autorizou o funcionamento fornecendo o ALVARÁ, se o clube não havia preenchido sequer os requisitos básicos? Portanto, vejo forte embasamento para que a Prefeitura casse o alvará e interdite definitivamente o clube de tiros de Pedro Paiva que, estranhamente, foi autorizado a funcionar sem preencher os requisitos básicos de segurança exigidos em lei.