Ferrovias no Brasil

Interessante matéria sobre as ferrovias no Brasil, veiculada na semana passada pelo Estadão, desperta para a necessária solução ao sistema de transporte da produção agrícola. Inaugurada por dom Pedro II, em 1854, a primeira operação intermodal de cargas do Brasil foi a Estrada de Ferro de Petrópolis. De lá até 1930 o Brasil construiu 30 mil km de estradas de ferro, com destaque para as malhas das regiões do sul e do sudoeste. Lamentavelmente, foi tomada a direção errada no governo do presidente Washington Luís, quando o lema passou a ser “governar é abrir estradas”. Desde então, sucessivos governos passaram a privilegiar longas rodovias e caminhões, em detrimento de soluções logísticas ferroviárias. Na década de 1970 o Brasil foi o berço da revolução agrícola, que combinou tecnologias inovadoras com empreendedorismo de agricultores arrojados que migraram para os cerrados do Centro-Oeste. Mas a logística de transporte ferroviário não seguiu as novas fronteiras da agricultura.

Revolução silenciosa

Felizmente, esse enorme erro estratégico começa a ser corrigido. Nos últimos anos as novas opções multimodais estão produzindo uma “revolução silenciosa” no transporte de cargas agrícolas do Brasil. O principal beneficiário da mudança de modais é Mato Grosso, Estado que lidera a produção agropecuária nacional (soja, milho, algodão e pecuária de corte). Situado a mais de 2 mil km dos principais portos, Mato Grosso foi altamente prejudicado pela precariedade das estradas e pelo alto custo do frete rodoviário, que representa entre 15% e 45% do valor da soja no mercado. Agora as ferrovias estão chegando com força no Centro-Oeste. A Rumo já carrega em seus trens o equivalente a 1.700 caminhões por dia na Malha Norte, seguindo rumo a Santos, o principal porto agrícola do País. Até o ano que vem a companhia vai operar trens de 120 vagões. Cada trem desses retira 240 caminhões bitrem das estradas.

Paradigma inimaginável

Em andamento, 2021 deverá marcar a consolidação da revolução silenciosa promovida pelo atual governo, com a chegada das ferrovias no coração da produção de soja, milho e algodão de Mato Grosso. São três projetos: 1) a extensão de 650 km da Ferronorte entre Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, construída pela Rumo para movimentar cargas até o porto de Santos; 2) a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), que vai na direção oeste-leste; e 3) a Ferrogrão, que pretende alcançar os portos do Arco do Norte, complementando a saída pela BR-163. Três ferrovias levando grãos para o norte, o leste e o sudeste do País constituem um paradigma inimaginável de progresso e desenvolvimento. É hora de concretizá-los, sem pestanejar. Em tempos de tantas notícias ruins, essa foi fantástica, uma vez que irá beneficiar não apenas o produtor rural, mas, principalmente, o consumidor em geral.

Norte-Sul. Mas cadê o Sul?

Em março do ano passado, por ocasião dos trâmites finais sobre o traçado da Ferrovia Norte-Sul definindo a entrega do corredor logístico compreendido entre o Porto Nacional (TO) e Estrela d’Oeste (SP) à iniciativa privada pelos próximos 30 anos com previsão de cerca de R$ 3 bilhões em investimento, o vice-presidente da Frente Parlamentar das Ferrovias, deputado Jerônimo Goergen “lamentou o fato de o trecho Sul, que vai de São Paulo ao Porto de Rio Grande, não ser contemplado”. Do jeito que está ficamos isolados em termos de infraestrutura ferroviária, um atraso logístico que vai retirar muito em competitividade, alertou na época o deputado. Mas Jerônimo continua peleando, buscando apoio e insistindo na demanda junto ao Ministério da Infraestrutura, sugerindo que o projeto seja colocado dentro do plano de concessões.

Traçado do trecho Sul

Ainda lá em 2015, Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) concluiu que o trajeto da Ferrovia Norte-Sul em solo gaúcho deverá passar pelas regiões Noroeste e Central do Rio Grande do Sul até chegar ao Porto de Rio Grande. Entre os municípios pelos quais passará a linha, estão Frederico Westphalen, Palmeira das Missões, Cruz Alta e Pelotas. O traçado ainda prevê outras cidades abrangidas, entre elas Caiçara, Iraí, Seberi, Boa Vista das Missões e Santa Maria. No entanto, o deputado Jerônimo adverte sobre o óbvio ululante: Para que a ferrovia saia do papel seria preciso a realização do projeto executivo (que deve estimar o custo do empreendimento). Sobre esse traçado, em 27 de maio de 2019 o deputado Jerônimo, segundo por ele dito, foi informado que em reunião na Velec naquela data o governo decidiu que prevalecia o desenho ligando Região da Produção ao Porto de Rio Grande. É hora de somar forças e pressionar.

Autoescola x CNH

Autoescola poderá deixar de ser obrigatória para obtenção de CNH. Projeto de Lei nesse sentido já se encontra em análise na Câmara dos Deputados. Se aprovado, a frequência em autoescolas como exigência para obter carteira de motorista deixa de existir, passando a ser facultativa. Porém, isso não quer dizer que não precise saber dirigir e nem ter conhecimento das leis e regras de circulação de veículo. Apenas se tornará “facultativo” frequentar autoescola. Mas se o candidato à habilitação não fizer autoescola? Simples, se não souber o básico da legislação de trânsito, regras de circulação e não souber dirigir, “não vai conseguir se habilitar, porque não vai passar nas provas teórica e prática”. Portanto, o objetivo do projeto é retirar a obrigatoriedade, só isso. Ou seja, permitir que a instrução a futuros condutores possa ser feita de forma privada, sem a obrigatoriedade de o candidato frequentar uma autoescola, cuja intenção é deixar a obtenção da CNH “menos burocrático e custoso”.

Visão empresarial/2008

Por alguns anos o jornal O Celeiro manteve um quadro intitulado “Visão Empresarial”, para o que, me era dada a incumbência de entrevistar, aleatoriamente, empresários na cidade sobre o tema. Em 2008, na edição do dia 06 de novembro, entrevistei as jovens empresárias Vivian Fontoura e Lilian Fontoura Depiere, então proprietárias de farmácia. Fiz a pergunta padrão: Na sua visão como empresária, o que é preciso para melhorar o crescimento e o desenvolvimento econômico em Santo Augusto? Lilian respondeu: Em primeiro lugar está em desenvolver o meio rural, lá onde está a terra produtiva e o avanço da tecnologia. Para isso, o Poder Público deve investir em infraestrutura nas estradas para garantir o escoamento da produção, fortalecer a bacia leiteira e viabilizar parcerias com empreendedores na suinocultura entre outros como a produção de grãos. Saúde – Prosseguindo, Lilian disse que na área da saúde temos o potencial e o referencial na prestação de serviços com profissionais conceituados, porém há a necessidade de suporte a esses profissionais investindo em estrutura adequada para a prestação dos serviços de alta complexidade. Isso se agrega ao sistema econômico e ao desenvolvimento. Profissionalização – Finalizando, Lilian disse: O passo gigante para o desenvolvimento de Santo Augusto foi a conquista da Escola Técnica Federal Profissionalizante (hoje IFFar), e a Faculdade (Faisa) que aliados ao potencial já existente despertarão os jovens para adquirirem o conhecimento e a tecnologia, ajustando-se às atividades econômicas aqui existentes.

A propósito

O fotógrafo era o meu colega Lúcio. Ao deixarmos o local da entrevista comentamos sobre a visão ampla da entrevistada sobre o tema. Era a visão da empresária Lilian. Agora, 12 anos depois, candidata a prefeita, qual seria a resposta de Lilian? Ainda não li seu programa de governo. Espero que mantenha as ideias de então.

Tricas e futricas

Começaram cedo as tricas e futricas. A campanha eleitoral recém iniciou e já se espalham boatos e falatórios infundados para confundir o eleitor. Circula na cidade comentários de que se o atual prefeito não se reeleger, o hospital Bom Pastor não mais receberá verbas públicas e de deputados. Ora, nunca ouvi conversa tão estapafúrdia. Se provindas de candidatos, lideranças partidárias, cabos eleitorais ou de deputados, beira à chantagem.  A instituição de saúde precisa e merece consideração e respeito de todos e nunca ser objeto de demanda política eleitoreira. As verbas públicas destinadas ao Hospital Bom Pastor não são do prefeito, vereador, deputado. Esses agentes políticos são meros intermediários entre o poder público e a instituição. O deputado apenas indica e, se aprovado o recurso, é o poder público que repassa, não é dinheiro do bolso do deputado ou do prefeito ou vereador. Essa verba tem a mesma origem daquela que paga o salário desses agentes políticos, ou seja, do bolso do contribuinte que somos todos nós, desde o empresário até o mais humilde cidadão. E o agente político quando solicita ou intermedia recursos para o hospital nada mais faz do que cumprir a função para a qual foi eleito, não está fazendo favor algum. Aliás, todos os prefeitos até agora e vários deputados, inclusive de fora da região deram atenção intermediando pedidos de recursos ao hospital. É ridículo volta e meia se ouvir que deputado mandou dinheiro, que veio trazer verba. Que balela! O dinheiro destinado é público e não deles. De qualquer sorte, prefiro crer que o desesperado boato não seja ideia e nem consentimento dos agentes políticos e nem de candidatos.

Justiça concede liminar

A campanha eleitoral deste ano, na forma oficial estabelecida pela Justiça Eleitoral, só teve início no dia 27 de setembro. Quem ousasse fazer campanha antes dessa data estaria infringindo as normas estabelecidas. Pelo menos um caso de irregularidade foi verificado na área da 107ª Zona, com sede em Santo Augusto. O PSDB de Chiapetta ajuizou Representação Eleitoral contra o Progressistas, o prefeito e pré-candidato à reeleição Eder Both e a primeira-dama Fernanda Maçalai Both, por prática de campanha eleitoral antecipada, abuso do poder político e exercício abusivo de função, cargo ou emprego, com o uso da máquina pública. Analisando o expediente, a magistrada decidiu em 25 de setembro, por conceder a liminar solicitada e determinou aos representados a imediata retirada da publicação e compartilhamento realizados em páginas de facebook, sob pena de multa diária para cada um no valor de R$ 500,00.