Complexo do Campus Santo Augusto do Instituto Federal Farroupilha

A lenga-lenga continua

É estranho, e aí cabe uma interrogação. Afinal, por que tanta demora? São quase quatro anos desde a promessa, discursos, passando por assinatura de termo de compromisso, troca de governo e garantia de cumprimento do termo, envio de projeto para a Câmara, tramitação lenta demais, pretextos, polêmicas, aprovação com emenda retirando o objeto do projeto, protestos, ofensas verbais, veto, envio de novo projeto pelo executivo, tudo em torno da aquisição de uma área de terra ao Instituto Federal Farroupilha, para viabilizar a continuidade do Curso de Agronomia. Atualmente tramita nas Comissões da Câmara de Vereadores, desde o dia 04 de fevereiro, o Projeto de Lei nº 003/2019 do Poder Executivo Municipal de Santo Augusto, na segunda tentativa de obter autorização do legislativo para a venda de dois terrenos urbanos de propriedade da municipalidade, objetivando reunir o dinheiro necessário para aquisição da área de terra em questão. É tanta lenga-lenga que mais se parece com má vontade. Aliás, má vontade notória desde o começo, nos dois Poderes.

Relembrando

Depois de tantos anos de luta, o sonhado curso de Agronomia no IFFar, Campus de Santo Augusto, foi autorizado e entrou em funcionamento em 2018. Mas, a implantação definitiva e plena do curso ainda não está consolidada, haja vista que a área de terra para as aulas práticas do curso ainda não foi adquirida. Estranho, porque ainda lá em 07 de abril de 2015, o então prefeito José Luiz Andrighetto, conjuntamente com o então vice-prefeito e hoje prefeito Naldo Wiegert e todos os nove vereadores, assinou perante a direção do Instituto Federal Farroupilha, e entregue como garantia, um “termo de compromisso” de a municipalidade adquirir uma área de terra agrícola de até 25 hectares destinada a viabilizar o funcionamento do curso de Agronomia.

Termo de Compromisso

No documento, o prefeito da época (abril de 2015), José Luiz Andrighetto, o Zé Luiz, assim se comprometeu: … “firmo o presente Termo com o apoio da Câmara Municipal de Vereadores, gestão 2013-2016, que no ‘caso de ser aprovado o Curso Superior de Agronomia para o Instituto Federal Farroupilha – IFF/Campus Santo Augusto/RS’, o município de Santo Augusto adquirirá área de até 25 hectares, para realização das atividades acadêmicas do referido curso, devido a importância do mesmo para a sociedade e relevante interesse público”.

Quem assinou…

Comprometeram-se formalmente, através de suas assinaturas, em nome do município de Santo Augusto, os representantes dos Poderes Executivo e Legislativo Municipal: José Luiz Andrighetto (prefeito), Naldo Wiegert (vice-prefeito e hoje prefeito), e os vereadores: Horácio Ferrando Dornelles (hoje é presidente da Câmara), João Carvalho de Oliveira, Ultramar Luiz de Souza (continua vereador atualmente), Margarete Siqueira de Melo, Juarez Speroni, Tânia Marques Pettenon, Tânia Maria Depiere, Carolina Fragoso Langner, Marcelo Both (é vice-prefeito atualmente).

Pairam dúvidas

Em entrevista ao jornal O Celeiro, no ano passado, o prefeito Naldo Wiegert assim se expressou: Em 2017, eu assumi a Prefeitura e fizemos uma comissão que definiu quais seriam as características da área a ser comprada, para que pudéssemos ter um termo de referência. E, nesse tempo todo, nós estávamos buscando alternativas para melhorar a arrecadação do município, para de alguma forma poder fazer frente a essa despesa, que é uma despesa extra, diga-se de passagem, “não é obrigação do município, foi um acordo, então, é um compromisso, não é uma obrigação”. “Obrigação do município é atender saúde, educação, ação social, obras, dentro do possível”. Então tá prefeito! É um termo de compromisso, mas não é uma obrigação. Outra, o IFFar, a agronomia, não se vinculam à educação? Contraditório, né?

A propósito

Se o projeto não for aprovado ou, se aprovado, mas o município não conseguir vender os terrenos, como ficará a questão do curso de agronomia?

Pairam dúvidas II

O Celeiro entrevistou também o vereador Douglas, então presidente da Câmara, tendo ele questionado o fato de o prefeito dizer que o grosso da situação é a falta de dinheiro, o que, segundo ele, não procede. Afirmou o edil, que de 2016 para 2017 o município teve um superávit de R$ 2 milhões, permitindo tranquilamente a compra da área de terra, mas o prefeito não comprou. Em 2017 para 2018, o superávit foi de R$ 1.200.000, e o prefeito ainda não comprou a terra, disse o vereador. Teve mais um repasse de R$ 310 mil da Câmara com a sugestão de usar para compra do terreno. Nada feito. Enfim, o vereador Douglas disse achar uma palhaçada do prefeito vir querer arrecadar dinheiro através da venda do nosso patrimônio. Sendo assim…(?)

Viu o tamanho da encrenca?

São tantas dúvidas, tanta enrolação, tanta lenga-lenga, que nem que a gente queira, não consegue entender. Esse jogo de empurra deixa várias interrogações, desde o jogo político ideológico, o não querer dar o braço a torcer, o egoísmo, o revanchismo, até questões pessoais. E no fundo, o interesse público é que fica padecendo. Ao meu ver, faltou serenidade, bom senso e grandeza nos dois Poderes, mas faltou, principalmente, humildade e habilidade política do prefeito que, antes de ter enviado pela primeira vez o projeto, deveria tê-lo discutido à exaustão, pessoal e detalhadamente com os nove vereadores. Se assim tivesse feito, há muito estaria tudo resolvido, sem demora, sem desgaste, sem estresse, todos teriam saído ganhando, e o nome de Santo Augusto não teria sido enodoado como foi perante a população local e regional. O egoísmo falou mais alto. Mas, é como diz o ditado: “dois bicudos não se beijam”.