O cúmulo do desrespeito

Em São Valério do Sul, na noite de segunda-feira (15), a sessão ordinária da Câmara de vereadores foi interrompida por um grupo de badernistas de aproximadamente 15 indivíduos, entre índios e brancos, defensores do prefeito Vladimir Vettorato (PT), formado por funcionários detentores de cargo de confiança (CC) na Prefeitura, e outros das relações mais próximas do prefeito. Eles estavam prestando apoio ao prefeito que fora convidado a ir à Câmara dar explicações sobre o caso adubo. Postados do lado de fora, junto ao prédio, eles gritavam palavras ofensivas e ameaçadoras contra o presidente da Câmara, Egon Ludwig. O prefeito saiu da Câmara e permaneceu do lado de fora, junto aos exaltados, que intensificaram ainda mais as ameaças e ofensas dirigidas ao presidente e demais vereadores da oposição. Na iminência de uma invasão violenta, o presidente encerrou a sessão e trancou a porta. Aí houve tentativa de arrombar a porta, forçando-a. A baderna foi a tal ponto que o presidente precisou proteção policial para se deslocar à sua residência. Consta que no grupo de arruaceiros havia pelo menos dois deles portando arma de fogo, mas não foram desarmados.

A propósito

A alienação das pessoas é uma coisa maluca. Idolatram de tal forma que são capazes de qualquer coisa, se precisarem morrer pelo líder eles morrem. Ficam meio que abestados. Renunciam a qualquer valor moral, de dignidade e de respeito aos semelhantes e às instituições.

Agressão física

Em meio a grande baderna, quem pagou o pato foi uma jovem que nada tinha a ver com os fatos, apenas estava gravando com seu celular os acontecimentos. Ela recebeu um violento chute na mão e o telefone foi jogado para longe, e teve a mão lesionada, tendo de procurar atendimento médico e submeteu-se a exame de corpo de delito. A vítima é filha do presidente do Progressistas (PP), partido de oposição ao prefeito, cujo motivo da agressão foi devido a ela estar gravando o evento “baderna”. O pai da jovem, Silvio Kondra, que estava presente, não reagiu à agressão sofrida pela filha, isso para não acirrar mais ainda os ânimos. Foi feito B. O. policial.

Qual é a história?

Acontece que naquela noite o prefeito compareceu à Câmara atendendo a convite do legislativo para falar e dar explicações acerca do propalado “caso adubo”, que consta não ter chegado em sua totalidade aos destinatários, que seriam os agricultores familiares indígenas. Dada a palavra ao prefeito, ele foi logo desviando o assunto, aí o presidente, vereador Egon Ludwig (PP) o advertiu de que ele fora convidado para falar sobre o assunto específico (caso adubo). Diante da interpelação, o prefeito teria alegado “não saber de nada” e que a questão é com o Conselho Municipal Agropecuário que, inclusive, aprovou a ata. Porém, afirmou que o adubo foi todo entregue aos agricultores familiares indígenas, o que é contestado na Câmara. Consta que ao ouvir a primeira indagação, o prefeito disse não ter ido à Câmara para ser questionado, e retirou-se do recinto. Não sabe de nada. Com assim?

Sendo mais explícito

A irregularidade que envolve o prefeito Vladimir Vettorato, segundo a notícia levada formalmente ao órgão do Ministério Público, consiste no seguinte: Apropriação indevida, por parte do prefeito, de adubo adquirido com recursos públicos oriundos da Consulta Popular, destinado à agricultura familiar da Comunidade Indígena do município. Segundo a denúncia, das 77,650 toneladas de adubo adquirido, no custo total do convênio que importou em R$ 119.581,00, o prefeito entregou aos destinatários apenas 38 toneladas, isso em 28 de novembro do ano passado. Outra parte do total da aquisição, 32 toneladas, a Cotricampo entregou no dia 20 de janeiro, tendo o prefeito mandado descarregar em dependências do Parque Municipal de Eventos. No dia 25.04.2020, o prefeito Vettorato, com um caminhão de sua propriedade, carregou o adubo lá depositado e o levou para sua propriedade, onde depositou num galpão. Resta na empresa Cotricampo (fornecedora do produto), o saldo de 7,650 toneladas. Portanto, deixaram de ser entregue aos beneficiários, 39,650 toneladas. Para ser questionado sobre esse assunto é que o prefeito foi convidado a comparecer à Câmara de Vereadores segunda-feira (15).

Prefeito dá suas versões

Nesta quarta-feira (17), o prefeito Vladimir Vettorato contatou à coluna e, pela primeira vez deu sua versão sobre o caso do adubo e também sobre o prédio público de propriedade do município, ocupado pela empresa pertencente à esposa do prefeito. Quanto aos conflitos segunda-feira ele nada falou, apenas disse que prestou todas as informações aos vereadores e comunidade. Por carecer de maior espaço, as versões de Vettorato foram inseridas na página 12, desta edição.

Suspeita de improbidade em Bicaco

Desde a semana passada se intensificam os rumores na cidade de Coronel Bicaco sobre possível prática de improbidade administrativa por parte do presidente do Legislativo, vereador Egmar Lima de Ávila (PR), envolvendo a instalação de um novo painel contendo a galeria dos ex-presidentes da Câmara. Na sessão ordinária da última segunda-feira (15) o vereador Lucas Santos da Cruz (PDT) acusou o presidente Egmar de malversação de recursos públicos, até porque já existia uma galeria, e o presidente mandou fazer um novo painel com a galeria de ex-presidentes e, pior, incluiu a sua própria fotografia mesmo estando no início de sua gestão, caracterizando promoção pessoal, ao invés de ser no final como tradicional e legalmente acontece.

Eu vou tocar pra frente isso

Atendendo ao contato da coluna, o vereador Lucas foi enfático ao comentar sobre o fato envolvendo o presidente da Câmara. Disse ser um absurdo e um abuso o valor, R$ 15.200,00 (quinze mil e duzentos reais) pago por uma galeria de fotos de ex-presidentes, além de o atual presidente ter incluído a própria foto dele já, o que é vedado por lei, caracterizando promoção pessoal com dinheiro público. Por isso já diz: “galeria dos ex-presidentes”, e não “galeria dos presidentes”. Portanto, a foto nunca pode ser colocada na galeria durante o exercício da presidência, sempre depois, e geralmente pelo presidente seguinte. O vereador Lucas disse também que está encaminhando formalmente, nesta semana, uma denúncia ao Ministério Público, anexando vários documentos, inclusive orçamentos de outras empresas com valor menor, porque tudo indica que houve superfaturamento. O vereador ressalta as dificuldades que a Câmara enfrenta, desde a falta de uma acessibilidade adequada, entre outras, e agora o presidente vem fazer esses gastos desnecessários. Eu vou tocar pra frente isso, é um absurdo, não tem cabimento. Logo agora que a gente está passando por uma epidemia muito grande e crise financeira, ele vem gastar um valor desses, sem explicação, finalizou o edil.

O que disse o presidenteSobre o painel com galeria de ex-presidentes, falando à coluna, o presidente da Câmara de Vereadores de Coronel Bicaco, Egmar Ávila disse que foi feito tomada de preço e dado ok pelo Tribunal de Contas e tem parecer jurídico. A Câmara tem dinheiro sobrando, tem R$ 200 mil, e foi pago R$ 15.200,00 por um painel gigante, em que cabem ainda mais dez presidentes. Há um mal-entendido do vereador que fez a denúncia, ele colocou que o quadro era meu, disse Egmar. Houve uma distorção, porque o quadro é de todos os presidentes. O presidente Egmar aconselha aos vereadores da Região a irem olhar e fazer em seus municípios painel igual. O que houve foi informação errada por parte dos denunciantes, repete. Quanto a ter colocado a sua fotografia, o presidente Egmar diz que o Tribunal de Contas entende que pode, mesmo que o presidente ainda esteja no exercício da presidência. Reitera que além de ter sido feito tomada de preço, é um painel grande, digitalizado, e o que há de mais moderno na lida. Insinuando desdém, Egmar finalizou dizendo que “quem está fazendo esse questionamento é um rapaz, esse cidadão que é vereador e não o Tribunal de Contas”.