Alternância é a praxe

A alternância no poder, em Santo Augusto, já é uma tradição, uma praxe. Por esse indicativo, a oposição, no caso atual, formada por PDT/DEM e seus coligados, deve estar alimentando sim a ideia de, efetivamente, voltar ao poder nas eleições municipais deste ano. Sem esquecer que o PT, também de oposição, está no páreo concorrendo em chapa pura. Então, veja bem, se a alternância já é acontecimento político eleitoral naturalmente sistêmico por aqui, o atual prefeito, desfalcado de cinco dos sete partidos que o guindaram ao poder, deve estar muito confiante no próprio taco para buscar a reeleição. Para a eleição deste ano há um diferencial importante em relação às vezes que outros prefeitos concorreram à reeleição. Agora, as duas chapas de oposição são integradas por estreantes, que nunca concorreram a cargo político eletivo, tanto as pré-candidatas a prefeita como seus vices são novos na política. Esse diferencial pode pesar, e muito. O eleitor terá a oportunidade de optar pela renovação, por novos métodos, por novas pessoas e novas ideias para administrar o município; ou deixar tudo como está, reelegendo o prefeito que já governou o município por duas vezes e busca um terceiro mandato. Afinal, a decisão é sua, eleitor. A mesa está sendo posta. Sirva-se. Ah, um lembrete: vote com consciência.

A propósito

Faz tempo que se ouve o clamor público: “Com tantos talentos, gente com bom perfil político e administrativo, boa formação e conhecimento existente no município, por que ninguém se atreve a dar sua contribuição política ao município concorrendo a prefeito?” Então tá. E agora?

Imprensa como inimiga

Alguns homens públicos chegam a tratar a imprensa como inimiga, mas não deveriam, pois ela oportuniza tanto ao cidadão comum, quanto àquele que governa e/ou administra a coisa pública, o exercício da democracia, fazendo valer os direitos das classes minoritárias, dando notoriedade ao trabalho desenvolvido dentro da gestão pública. Para se eleger, o aspirante ao cargo eletivo promete bem gerir o dinheiro público e propagandeia ao eleitor uma infinidade de melhorias. Ganha o voto de confiança e assumindo o cargo esquece das promessas feitas. Isso chama-se estelionato eleitoral, engodo, enganação. Agora, se aproxima a campanha, aí, na busca da reeleição eles voltarão a pedir voto elencando e se gabando de vários feitos em prol da população. É muita sacanagem. Primeiro, porque não há mérito naquilo que foi feito. Foi apenas obrigação. Segundo, porque o que foi feito não passou de 10 ou 20% do que foi prometido. Mas eles, confiantes na memória curta dos eleitores, que ninguém se dá conta das promessas não cumpridas, voltam com as mesmas promessas a pedir voto de novo. A coluna, por várias vezes bateu na tecla das promessas não cumpridas e até citou muitas delas no último ano e meio. Afinal, o papel da imprensa é levar ao cidadão o que acontece e quais são as implicações. E por vezes, o que se percebe é que o gestor público está preocupado tão somente com sua exposição; com o que lhe é positivo; com tapar o sol com a peneira. Enfim, ele só quer elogios. No entanto, a informação de interesse público é um bem social que não pertence ao gestor público que, por sua vez, tem a obrigação de prestar contas sim, de suas ações e omissões, e mais, explicar à massa os motivos de suas atitudes.

Maturidade política

Falta um pouco mais de dois meses, mais precisamente 65 dias, para as eleições. É momento das definições de candidaturas, cujo prazo para as convenções partidárias expira no próximo dia 16. Alguns municípios já indicam que seus líderes políticos estão dando verdadeira lição de maturidade política. Inhacorá, por exemplo, que a cada eleição municipal protagonizou disputas acirradas e, por vezes, conflituosas e com violência, está fechado numa candidatura de consenso, unindo o atual prefeito, Everaldo Rolim (PTB) à reeleição, tendo como vice o seu adversário na eleição de 2016, Emerson de Vargas, o Manão (PP). Na eleição passada Everaldo concorreu pelo PTB, DEM e MDB; Manão, pelo PP, PDT, PT, PSB e PSD. Ambos representavam a renovação, vez que os tradicionais políticos que até então se intercalavam no poder, abriram mão de concorrer, em favor de novas ideias e novas posturas políticas. Agora, estão todos unidos em consenso, para eleger nada menos que Everaldo e Manão como prefeito e vice, respectivamente. Belo exemplo. É louvável essa maturidade política, uma vez que quem ganha é o município. Outra demonstração de maturidade política, consolidada aqui na região, é a coligação dos maiores antagonistas da história política de Santo Augusto, PDT e DEM/PSDB, com histórico de conflitos, de ofensas e digladiação mútuas e acirradas em disputas eleitorais anteriores. Seus líderes pensaram alto, pensaram num Santo Augusto acima de todos, e com humildade e grandeza uniram-se, optando pela pacificação, por renovar, por oxigenar e dar novos rumos ao sistema de gestão municipal, tanto que os candidatos a prefeito e vice, pessoas do convívio da comunidade, nunca tinham antes disputado cargo político eletivo. Com grandeza, velhos expoentes abriram mão de concorrer à eleição majoritária.

Outros nem tanto

Em Chiapetta, o atual vice vai concorrer a prefeito, tendo como adversário o atual chefe do executivo que concorre à reeleição. Lá houve uma reviravolta, de certa forma inesperada, porém, democrática. Em São Valério do Sul, o PP e o PDT tentaram viabilizar uma candidatura de consenso. Mas não vingou. O prefeito (PT) e o vice (PDT) romperam relações e, em consequência houve um racha entre os dois partidos coligados. Diante do quadro que se apresentou, o Progressistas (PP) convidou o PDT a firmarem uma coligação, se dispondo a abrir mão da cabeça de chapa. A direção do PDT aceitou a proposta e, bateram o martelo para compor a coligação, com PDT na cabeça e PP na vice. Contudo, não é questão líquida e certa, uma vez que dividiu os convencionais do PDT, onde uma parte prefere a manutenção da coligação com o PT do atual prefeito que, pelo que tudo indica, concorrerá à reeleição. Portanto, seja como for, coligado com PP ou com PT, o PDT deverá estar dividido nas eleições deste ano. Aliás, circulam notícias de influências externas e até aliciamento a convencionais pedetistas. Atitude antiética, além do que o aliciamento configura crime eleitoral.

É no andar da carruagem…

Já ouvi de vários simpatizantes do PDT de Santo Augusto, manifestações de estranheza e inconformismo com a coligação de seu partido com o DEM e PSDB, velhos adversários políticos, de olhares atravessados, de brigas e discussões, de hostilidade também, mutuamente. Ficaram a vida toda se xingando, se acusando, que graça tem agora estarem juntos, disseram. A alguns dos interlocutores me permiti dizer que é compreensiva essa apreensão e rejeição inicial, mas que “no andar da carruagem as abóboras se ajeitam”. Ou seja, no decorrer da campanha o eleitorado pedetista vai estar perfeitamente ajustado com a decisão do partido e engajado de unhas e dentes à coligação firmada. Até porque não se deve alimentar o ressentimento, antessala do rancor. E rancor, alguém já disse: “é um veneno que tomamos esperando que o outro morra”. O bom senso ensina que antes de tudo é preciso perdoar, ver as boas intenções, e juntos, unidos, ir em busca do objetivo. É hora de mostrar um mínimo de maturidade, urbanidade e densidade argumentativa, com humildade e seriedade.

Semana Farroupilha

Os festejos farroupilhas, realizados ininterruptamente desde 1947 quando foi levado a cabo a primeira “Ronda Gaúcha”, no Departamento de Tradições do Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, representam muito mais do que a simples recordação do passado que marcaram a história do Rio Grande do Sul durante o decênio heroico. Os festejos farroupilhas, mais conhecidos como Semana Farroupilha, se constituem num culto ao Rio Grande, sua história, sua gente, seus valores, suas crenças, enfim, sua cultura. Por obra da Assembleia Legislativa, cujo presidente era o deputado Solano Borges, a Semana Farroupilha foi instituída oficialmente no ano de 1964 (Lei n° 4.850).

Semana Farroupilha virtual

O evento tradicionalista mais importante do estado, a Semana Farroupilha, terá formato virtual inédito este ano devido à pandemia do novo coronavírus. Foram cancelados todos os festejos com presença física, tanto galponeiros quanto acampamentos, em todo o Rio Grande do Sul. A histórica data do calendário gaúcho, será comemorada de 13 a 20 de setembro, através de programação denominada Galpão Virtual Universo Gaúcho, de shows com grandes nomes da música tradicionalista e oficinas com temas como gastronomia, dança, cutelaria, artes plásticas e artesanato. O vice-presidente administrativo e de finanças do MTG, César Oliveira, destaca a importância de adaptar as comemorações para manter viva a cultura rio-grandense. “Vamos fazer deste limão uma limonada. Vamos projetar Porto Alegre e o nosso estado para todo o país, mostrando a força de nossa tradição, em um universo audacioso”, disse.