Entrando no ritmo

O general Hamilton Mourão, de história digna do respeito e admiração dos brasileiros, acaba de dar uma escorregada, deixando transparecer que está entrando no ritmo do agora aliado centrão. É que, segundo os noticiários desta semana, o governo federal abriu um edital no valor de R$ 44 mil para comprar uma esteira ergométrica para ele, para o vice-presidente da República usar no Palácio do Jaburu. A vice-presidência justifica a aquisição da esteira afirmando que Mourão, por questões de “segurança, privacidade e agenda institucional”, não pode realizar exercícios físicos fora de sua residência oficial. Pasmem! A esteira, segundo a vice-presidência, tem conexão com a internet, “tela touch screen de alta definição com aplicativos de entretenimento, internet, TV, cursos interativos”, além de “possuir interface com sensores sem fio de frequência cardíaca (telemetria padrão Garmin, Polar, Bluetooth ou ANT+) ou sensores de contato em manoplas (empunhaduras) no equipamento”.

Aliás

Gastar R$ 44 mil numa esteira? Claro, o dinheiro não sai do bolso, sai dos cofres públicos, é o povo que paga a conta. Simples. Representa mais que três anos e meio de ganho da maioria dos trabalhadores brasileiros que vive com um salário mínimo por mês. Definitivamente, este País não é sério.

 Trocando figurinhas

Eleito com o discurso de combater a corrupção, o crime organizado e o toma lá dá cá, Bolsonaro vem decepcionando os eleitores que confiaram nesse discurso. Além de nunca ter dado apoio às iniciativas do ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública Sergio Moro no combate à criminalidade, agora Bolsonaro começa a trocar figurinhas em busca de estabilidade política. Se antes a Esplanada era dividida entre os núcleos militar, ideológico e liberal, agora uma nova ala começa a compartilhar espaços nos ministérios: o centrão. O bloco fisiológico garante blindagem ao presidente, mas coloca sob ameaça a agenda liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes. Aliados de todos os governos desde os anos 90, o centrão já está ocupando cargos de segundo e terceiro escalões, mas cobiça pastas inteiras e orçamentos vultosos.

Toma lá dá cá

Em troca dos cobiçados cargos e comandos no governo, o centrão promete barrar os sete pedidos de CPIs e os 32 de impeachment apresentados na Câmara contra o presidente. Com a chegada do grupo, o Planalto turbinou a presença de militares em cargos-chave, na tentativa de evitar a eclosão de escândalos de corrupção e reforça a imagem de que Bolsonaro tem apoio irrestrito das Forças Armadas. Até quando?

A recíproca é verdadeira

A companhia dos militares em cargos-chave no governo não incomoda o centrão e a recíproca é verdadeira. Com 200 deputados, o bloco atua coeso e fornece ao governo uma base parlamentar robusta, algo que tranquiliza os generais de terno que despacham no Planalto. Aliás, na Câmara dos deputados, seus líderes já agem abertamente, conduzindo a pauta legislativa palaciana. Eles (parlamentares do centrão) têm demonstrado uma fidelidade canina. São inclusive, mais fiéis do que era o PSL, antes da crise que resultou na saída de Bolsonaro do partido – afirma o cientista político Antônio Augusto Queiroz.

Como age o centrão?

Historicamente, o centrão age assim: É muito leal no início, até conseguir entrar no governo. Depois, começa a apoiar pautas-bomba em troca de mais cargos e verbas. Com eles, não existe agenda fiscalista. Enfim, o governo vai ter de gastar, comentou o cientista político. Outra pauta indigesta ao bloco é a privatização, o que conflita com o projeto do governo que já tem pelo menos 17 estatais na lista de vendas para 2020. Além das estatais, o grupo mira sobretudo em fundações, autarquias e secretarias. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), loteado entre PL e PP, gerencia R$ 54 bilhões anuais. Entram na cobiça o Dnit e o Ministério da Ciência e Tecnologia. Enfim, na verdade, essa aproximação com o centrão é uma ameaça enorme à agenda do Paulo Guedes. Por isso, Guedes já deve estar limpando as gavetas.

Correlação de forças

Na Câmara dos deputados, a correlação de forças está assim constituída: Centrão: 200 deputados (PP-39, PL-39, PSD-36, Republicanos-32, Solidariedade-14, PTB-12, Podemos-11, Pros-10 e Avante-7); Oposição: 131 deputados (PT-53, PSB-31, PDT-28, PSOL-10, PCdoB-8 e Rede 1); Grupo de Rodrigo Maia: 106 deputados (MDB-35, PSDB-31, DEM-28, Cidadania-8 e PV-4); Governo: 68 deputados (PSL-53 – partido está dividido por brigas internas; PSC-9 e Patriota-6); Independentes: 8 deputados (Novo-8).

Eleições serão mantidas

O ministro do STF Luís Roberto Barros, que tomou posse na última segunda-feira (25) como presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), descartou prorrogar mandatos dos atuais prefeitos e vereadores, assim como descartou adiar as eleições. Salientou que as eleições municipais somente devem ser adiadas se não for possível realizá-las sem risco para a saúde pública. Assim mesmo, em caso de adiamento, ela deverá ser pelo prazo mínimo e inevitável, disse. Para mudar a data das eleições, é preciso que o Congresso aprove uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional). Cinco propostas tramitam na Câmara, a mais consistente, segundo especialistas, é a do senador Randolfe Rodrigues,  (Rede-AP), que sugere o primeiro turno para o dia 6 de dezembro.

Aperto de mãos

O aperto de mãos é um hábito milenar: os registros mais antigos remontam à Babilônia, atual Iraque, por volta do século 9 a.C. Mas, durante a maior parte da história, esse era um gesto relativamente raro, usado em situações específicas (como fechar um negócio, por exemplo). Apertar as mãos de todo mundo, como cumprimento universal no dia a dia, surgiu com os Quakers, um grupo religioso protestante, na Inglaterra do século 17. Para eles, o aperto de mão simbolizava a igualdade entre as pessoas, independentemente da classe social. A moda foi parar nos livros de etiqueta do período vitoriano, e acabou adotada pela maioria das pessoas. Mas nem todas. No Japão e na China, as pessoas saúdam umas às outras curvando levemente o tronco. Na Índia e na Tailândia, fazem um meneio de cabeça com as mãos sobre o peito.

Aperto de mãos e a pandemia

O aperto de mãos não é tão universal quanto se imagina. E quando a pandemia for superada, talvez seja ainda menos. “Já é assim em outras culturas. O coronavírus tende a reforçar isso”, diz o psicanalista Christian Dunker. Também pode ser que, passada a pandemia, todo mundo volte a apertar as mãos e pronto (foi o que aconteceu após a gripe espanhola de 1918, afinal). Mas a vida não voltará ao normal tão cedo, pois dificilmente alguém sairá do isolamento com a saúde mental intacta. A questão é que o ser humano evoluiu para ser intensamente social, pois isso era (e é) uma questão de sobrevivência. O confinamento é uma surra diária que damos nesse instinto. E a mente não gosta de apanhar todo dia. Especialistas têm previsto uma explosão nas taxas de doenças psíquicas durante a pandemia. E depois. Enfim, vamos sair bem diferentes do que entramos. Mas não apenas para pior. Ainda bem!

Machucados e evoluídos

A lição da pandemia do coronavírus será tão profunda quanto suas consequências. Abrir-se-ão oportunidades para a promoção de melhorias em diversas áreas. Nas políticas de saúde pública, na organização do trabalho, no sistema empresarial, no convívio social, enfim. Vamos sair da pandemia machucados, mas também evoluídos. O período de isolamento extremo, paradoxalmente, pode acabar tendo o efeito contrário: reforçar a comunhão social. Muitos serão os legados que a pandemia vai nos deixar, mas o aumento da consciência sobre a importância da prevenção contra doenças pode ser o maior deles.

Feliz aniversário

Santo Augusto completa amanhã, 61 anos. Que cada um de seus cidadãos seja um ponto de apoio na constante construção de um município melhor. Parabéns a Santo Augusto e seus munícipes.