Prefeito Nilson é denunciado

Na sessão ordinária da Câmara de vereadores de Redentora, na noite de segunda-feira (13), os vereadores acataram denúncia formulada pelo ex-prefeito Marcos Cesar Giacomini (MDB) contra o prefeito Nilson Paulo Costa (MDB), sob acusação de descumprir a lei mantendo “funcionário fantasma” na folha de pagamento do município. Agora, a Câmara deverá apurar o fato através de uma Comissão Parlamentar de Inquérito instalada, e no final o plenário decidirá ou pela culpa, ou pela inocência e absolvição. O prefeito Nilson emitiu uma nota se dizendo inocente.

O que diz o prefeito

O prefeito Nilson se defende dizendo que sempre pautou sua gestão pela honestidade e seriedade e cortou privilégios. Lembra de sua história no município desde antes da emancipação, o que atesta sua honestidade e seu caráter. Ele lamenta que em plena crise causada pela seca e agora pelo coronavírus, quando as pessoas estão preocupadas com seus negócios e seus empregos, surjam atitudes tão pequenas e rasteiras como a presente acusação. Diz que a prefeitura não lhe pertence e nunca dependeu de cargo público para viver, e que está na condição de prefeito porque aceitou dedicar uma parte de sua vida para servir a essa terra e a população que tanto gosta. Finaliza a nota dizendo que segue de cabeça erguida, ao mesmo tempo que conclama a cada cidadão e cada cidadã de seu município a lhe apoiar, a se manifestar e impedir que as velhas práticas retornem, enfatizando sua confiança nos vereadores, acreditando que uma nova política é possível”. Numa alusão ao autor da denúncia, o prefeito Nilson escreveu: “A este cidadão que desesperadamente quer retornar ao posto, com gestos baixos e ato tão rasteiro, deixo apenas o meu silêncio”.

E a população atendeu

Atendendo ao chamamento, a população foi às ruas. Durante a sessão da Câmara de vereadores de Redentora, na noite de segunda-feira (20), dezenas de cidadãos e cidadãs postaram-se em frente a Casa Legislativa exibindo faixas e cartazes com dizeres como “Fica Nilson”, e, “Redentora apoia o prefeito Nilson Costa”, além de palavras de ordem: “Fica Nilson”. Essa mobilização e manifestação popular foi um ato de apoio ao Prefeito que está em volto a uma CPI na Câmara de Vereadores, acusado de manter funcionário fantasma na folha de pagamento dos servidores municipais, cujo autor da denúncia é o correligionário e ex-prefeito da cidade Marcos Cesar Giacomini.

 Adiamento das eleições

 O deputado federal Pompeo de Mattos, em entrevista na semana passada ao jornal do Comércio disse que concorda com o adiamento das eleições municipais marcadas para outubro de 2020, caso a pandemia de coronavírus venha a se agravar. Para ele, se for necessário, a eleição deve ser adiada por um, dois ou três meses, no máximo. Mas não justifica o adiamento da eleição por dois anos, ocasionando a prorrogação de mandatos dos atuais prefeitos e vereadores. Com relação ao seu partido, o deputado e presidente estadual pedetista enfatiza que, independentemente do calendário eleitoral, o diretório estadual do PDT prevê aumentar o número de prefeitos dos atuais 80 para 90 ou 100, além de aumentar o número de vereadores de 750 para 1.000.

Eleições estão mantidas

Na última segunda-feira (20), o grupo de trabalho criado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para avaliar o impacto da pandemia do novo coronavírus concluiu que as eleições de outubro devem ser mantidas. Pela conclusão do grupo, “a Justiça Eleitoral, até o momento, tem condições materiais para a implementação das eleições este ano”. O primeiro turno será realizado no dia 4 de outubro. Já o segundo turno será no dia 25 do mesmo mês. Cerca de 146 milhões de eleitores estarão aptos a votar para eleger prefeitos, vice-prefeitos e vereadores nos 5.568 municípios do Brasil.

Embaralhando as cartas

Aqui na Região Celeiro, composta por 21 municípios, ainda são raras as definições de pré-candidaturas a prefeito, com vistas as eleições de outubro. Os indícios são de que na maioria dos municípios, os prefeitos irão concorrer à reeleição, muito embora ainda não revelem publicamente essa intenção. Nas oposições são muitas as indefinições. No embaralhar das cartas, se seguida a praxe política, a definição mesmo vai depender da palavra dos velhos caciques partidários. Os caciques são pessoas respeitadas dentro dos partidos, geralmente com uma longa e consolidada trajetória na política em âmbito municipal e que conseguem criar muita influência dentro do partido. Na maioria das vezes são eles, os velhos caciques políticos, que dão as cartas nas eleições. Tanto que, não raro é visto alguns deles definindo unilateralmente os candidatos de seu partido – e até de partidos aliados. Mas às vezes também acontecem desavenças e surgem vários potenciais candidatos, apoiados por diferentes segmentos do partido. Aí pode ser necessário acionar outros procedimentos, como as prévias internas.

Por aqui, zero definição

As convenções partidárias, para escolha definitiva dos candidatos, deverão ocorrer de 20 de julho a 5 de agosto. O tempo passa de pressa. Em Santo Augusto, embora tentem se articular, os partidos tradicionais estão todos muito desorganizados, praticamente sem rumo, e pior, sem alternativas no tocante a pré-candidatos. A rigor, ainda não há definição alguma, em nenhum dos segmentos partidários. Nem mesmo os emedebistas sabem se seu prefeito vai ou não concorrer à reeleição. Porém, pelo que se observa, não são descartadas novidades, com gente nova iniciando na política e concorrendo a prefeito. Assim como se vislumbra o retorno de alguns políticos da velha guarda, como um ex-prefeito e um ex vice-prefeito, dispostos a encarar novamente uma eleição majoritária. Mas tudo ainda está sendo articulado, são possibilidades.

Confiar no próprio taco

Queiramos ou não, o assunto nas esquinas, bares, praças e em qualquer lugar, é política, candidato e eleição. Ouve-se, volta e meia, comentários de que o segmento partidário “x” ou “y” vence a próxima eleição porque é composto por partidos mais fortes ou que a coligação será integrada por maior número de partidos e que tem mais dinheiro. Não vejo isso como uma lógica, inclusive inúmeros exemplos se têm visto que comprovam o contrário. A começar aqui por Santo Augusto, quando em 1988, o PDT que era um partido novo, nanico, pobre, composto de militância humilde, em chapa pura elegeu Darci Pompeo de Mattos como prefeito e Izilindo vice-prefeito, vencendo a coligação da elite, partidos dominantes na época (PDS, PMDB e PFL). Temos também o exemplo mais recente que foi a eleição do presidente Bolsonaro concorrendo sem coligação, por um partido inexpressivo, quase desconhecido. Então que as eleições de 2020 podem trazer surpresas, o eleitor não está escolhendo por partido e sim pelo nome, pelo candidato mais bem qualificado, mais bem preparado, com a melhor proposta, que inspire confiança, que proponha gestão consistente, moderna e viável.

Gastos indevidos e desvios

Os efeitos danosos causados pela pandemia do coronavírus poderia ser bem menor aos brasileiros, não fosse os desperdícios, gastos inadequados, corrupção e desvios do dinheiro público, que só começou a amenizar com o advento da Lava Jato, em 2014. Em todo o país a situação é de calamidade, mas nada até agora se igualou ao que está acontecendo no Amazonas. Em Manaus, o número de mortos por coronavírus tem feito a prefeitura abrir valas coletivas destinadas a até 10 pessoas, cujos caixões são colocados lado a lado em uma cova, tamanha é a falta de estrutura pública. Veja bem, para a Copa de 2014, entre os inúmeros estádios construídos com dinheiro público está a Arena Amazônia (inservível), orçada em R$ 400 milhões e que no final custou R$ 700 milhões. Se tivesse sido aplicado esse valor na estrutura sanitária, Manaus estaria mais bem preparada e não estaria sofrendo tanto. E vale fazer um comparativo como exemplo, aquele enorme hospital regional que está sendo construído em Palmeira das Missões foi orçado em R$ 150 milhões. Então imagina o quanto poderia ter sido feito pela saúde pública em Manaus, com R$ 700 milhões jogado fora. Além da Arena Amazônia, a Arena Pantanal, Arena das Dunas, Arena Pernambuco e o Mané Garrincha, construídos para sediar a Copa, viraram “elefantes brancos”. E a saúde?

   As Arenas da Copa de 2014

Estádio Cidade BNDES Valor total
Arena Pantanal Cuiabá R$ 337,9 milhões R$ 583 milhões
Arena das Dunas Natal R$ 396,6 milhões R$ 400 milhões
Arena Amazônia Manaus R$ 400 milhões R$ 700 milhões
Beira Rio Porto Alegre R$ 275,1 milhões R$ 330 milhões
Castelão Fortaleza R$ 351,5 milhões R$ 518,6 milhões
Fonte Nova Bahia R$ 323,6 milhões R$ 684,4 milhões
Arena da Baixada Curitiba R$ 131,16 milhões R$ 391,5 milhões
Arena Pernambuco Recife R$ 400 milhões R$ 532,6 milhões
Maracanã Rio de Janeiro R$ 400 milhões R$ 1,050 bilhão
Mineirão Belo Horizonte R$ 400 milhões R$ 695 milhões
Arena Corinthians São Paulo R$ 400 milhões R$ 1,080 bilhão
Mané Garrincha Brasília Não utilizou R$ 1,403 bilhão
          TOTAL                                                        R$ 3,815 bilhões          R$ 8,333 bilhões